
Por Mônica Bergamo, da Folhapress
SÃO PAULO – O CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) deve arquivar a denúncia de Lula contra Deltan Dallagnol por causa do uso de um powerpoint no caso do triplex. O julgamento será nesta terça, 25. Em setembro de 2016, os procuradores da Lava Jato, sob a liderança de Dallagnol, convocaram uma entrevista coletiva para falar do processo contra o petista.
Colocaram o nome dele em um círculo com vários outros em volta com palavras como ‘enriquecimento ilícito’, ‘mensalão’, ‘José Dirceu’, ‘expressividade’ e ‘vértice comum’.
A defesa de Lula recorreu ao conselho, que fiscaliza a atividade de procuradores. O caso foi pautado 43 vezes – mas nunca foi julgado. Entrou na pauta desta terça, e deve ir para o arquivo por duas razões: as punições mais leves para ele, como advertência ou censura, já prescreveram.
Restaria a possibilidade de abrir investigação para o afastamento de Dallagnol da carreira. Mas a medida, que já era considerada drástica, também não poderia ser aplicada.
Para isso, o procurador precisaria ser reincidente, ou seja, já ter outras punições em sua ficha. Dallagnol tinha – ele já sofreu advertência por ter dito que ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) aparentavam agir com leniência diante da corrupção.
Na semana passada, no entanto, o ministro Luiz Fux, do próprio STF, suspendeu a pena para efeito de reincidência em novos julgamentos contra o procurador.
O arquivamento será mais uma vitória para a força-tarefa da Lava Jato no Paraná, que já viu suspensos outros julgamentos do CNMP contra seus integrantes.
