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Follow Up

Denis Minev: “… com investimentos em pesquisa não precisamos do governo federal”

21 de outubro de 2015 Follow Up
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Observador atento e participante da cena amazônica, Denis Benchimol Minev traz no DNA as lições e ações dos pioneiros que souberam tratar a quebra da economia da borracha, há 100 anos, com obstinação e propostas de superação e geração de oportunidades. Integrante da direção geral do Grupo Bemol-Fogás, Presidente do Conselho do Museu da Amazônia, e entre outras organizações ligadas à Amazônia, ele já esteve na coordenação estadual do Planejamento e participa de todas as iniciativas voltadas a reunir pesquisa, planejamento e desenvolvimento regional. Ele defende 5% da receita estadual em pesquisa e desenvolvimento, um grito de independência em relação ao governo federal. Confira.

1. Follow-Up – Na sua opinião, que medidas se impõe para deter a queda de arrecadação do estado?

Denis Minev –  Situações de crise ocorrem de tempos em tempos em todos os países e governos precisam lidar com elas. A prescrição é simples e dolorosa: aumentar arrecadação e cortar despesas. No caso do Amazonas, o governo inicialmente (e creio que corretamente) tentou apenas corte de despesas; a crise se mostrou mais grave e o governo decidiu pelo aumento de impostos também. A terceira ação é aproveitar a crise para avançar em algumas frentes. Por exemplo, essa é uma boa hora para reduzir a burocracia, para simplificar processos e para tomar decisões difíceis mas necessárias.

2. FUp – O esvaziamento da indústria é a crônica de uma catástrofe que você vem anunciando. Como enfrentar a desindustrialização de um modelo fundado essencialmente em incentivos fiscais?

DM – A desvalorização do real oferece uma sobrevida à indústria, mas a desindustrialização é um processo contínuo de longo prazo. Precisamos aproveitar os incentivos e os ativos que temos para desenvolver uma nova economia aqui. Além disso, é preciso investimento maciço na formação de recursos humanos (principalmente nas áreas de ciências e engenharias) e em pesquisa e desenvolvimento.

3. FUp – Que outras matrizes econômicas podem oferecer respostas rápidas para a economia do Estado e da região?

DM – Os segmentos mais promissores num curto prazo, na minha avaliação, são a exploração e industrialização de 3 recursos naturais: madeira, peixes e minérios.  Além disso, temos grandes possibilidades no turismo, dado que temos no termo “Amazônia” uma das melhores marcas do mundo. A logística, com o aeroporto de Manaus representando um grande hub no norte da América do Sul, e a agricultura em geral, também representam importantes frentes de trabalho. Cada um destes segmentos tem peculiaridades e obstáculos que precisam ser reconhecidos e removidos. Na maior parte dos casos, é preciso tirar o governo do caminho dos empreendedores; o governo precisa supervisionar, mas nunca entravar, como faz hoje.

4. FUp – Que instrumentos e que investimentos devem ser feitos para diversificar e regionalizar este novo cenário econômico. Como avançar sem depender das decisões federais?

DM – Financiar o crescimento de segmentos como piscicultura, manejo florestal, turismo, dentre outros está dentro do nosso alcance como amazonenses. Simplificar as regras para novos projetos de piscicultura e manejo florestal está a nosso alcance.  Financiar pesquisa e desenvolvimento está sob nosso controle, com FAPEAM, UEA e outros instrumentos. Nosso orçamento estadual é de cerca de R$ 15 bilhões; poderíamos como sociedade decidir gastar 5% do total com ciência, o que nos tornaria maiores que São Paulo neste aspecto. Infraestrutura também está sob nosso controle: mais portos, melhores aeroportos, melhores estradas (especialmente a BR-319), melhores telecomunicações com menos impostos, melhor infraestrutura de energia, todos estes itens são essenciais para um futuro próspero.

5 – FUp – Há uma movimentação intensa de alguns atores e uma disposição do poder local em mobilizar saídas para novos projetos, e novas soluções em energia, comunicação e transporte. Temos o Museu da Amazônia, suas intuições e as do Ennio Candotti, o general Theóphilo no Comando Militar, o que esperar de tudo isso?

DM – Minha visão dos temas que você assinalou é que precisamos de projetos “redentores”. Por exemplo, o MUSA propõe um banco de sementes para melhor estudar e armazenar a biodiversidade amazônica. Este banco serviria, por exemplo, para reflorestamentos ou mesmo recuperação de espécies que, com as mudanças climáticas à frente, certamente serão extintas. O Comando Militar da Amazônia, com suporte da Prodam, tem um projeto “redentor”, a fibra ótica no leito dos rios que pode trazer o interior inteiro à era digital. Tudo isso caberia num orçamento alargado de P&D, numa FAPEAM vitaminada. Não precisaríamos de um centavo federal, se assim o quiséssemos. As pesquisas propostas pelo MUSA, o CMA, em energia alternativa, as embarcações regionais adequadas, mais leves e rápidas, a conexão de banda larga dos satélites… E isso dinamiza os programas em andamento, no Inpa, Embrapa, resta saber como juntar as ações isoladas, como retomar a ideia da rede de pesquisas e inovação…

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. 
Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

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Assuntos Bemol, Coluna Follow Up, Denis Minev
Valmir Lima 21 de outubro de 2015
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