
Por Teófilo Benarrós de Mesquita, do ATUAL
MANAUS – Enfermeiros e deputados se desentenderam na manhã desta terça-feira (14) na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas. Convidados pelo deputado Wilker Barreto (Cidadania), representantes da categoria foram pedir apoio para receber o piso nacional [R$ 4.750,00], aprovado ano passado pelo Congresso Nacional e assegurado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Os profissionais reclamaram da demora para usar a tribuna e geraram “saia justa” com o presidente da Assembleia, Roberto Cidade (União Brasil), e parlamentares que se pronunciavam na sessão.
Presentes desde a abertura da sessão, às 9h30, o grupo de enfermeiros interrompeu pronunciamentos de cinco deputados: Dan Câmara (PSC), João Luiz (Republicanos), Delegado Péricles (PL), Sinésio Campos (PT) e Alessandra Campelo (PSC).
Roberto Cidade interveio e pediu respeito aos parlamentares. O autor da cessão de tempo, Wilker Barreto, também intercedeu mais de uma vez para pedir paciência aos presentes. “Não aceitamos deputado ir para a tribuna e depois ser hostilizado. O nosso intuito aqui é de contribuir”, disse Cidade.
O deputado lembrou que a participação dos enfermeiros foi marcada para às 11h. “São 11h04. Não tem nada de atraso. Se chamaram vocês no horário antes… Temos os andamentos da casa e vocês precisam entender que os deputados têm seus trabalhos parlamentares”, disse Roberto Cidade, sob protestos dos enfermeiros.
“Estamos no tempo regimental, conforme foi combinado. Quero que vossa excelência [Wilker Barreto] explique para as pessoas que estão na plateia, porque os deputados não querem passar por constrangimento. Tá todo mundo fazendo seu trabalho aqui”, disse Cidade, sob vaias dos presentes. Minutos depois, começou a cessão de tempo.

Durante cinco minutos a presidente do Sindipriv (Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Privada), Graciete Mouzinho, defendeu o cumprimento do piso nacional. Ela justificou a “impaciência” dos profissionais ao fato de terem saído direto de plantões para a Assembleia. “Peço desculpas, mas os nossos colegas de trabalho saíram dos plantões, sem tomar café, estão cansados. É por isso que eles estão agitados”.
Sobre o tema, Graciete apelou por apoio dos deputados para garantir o pagamento do piso.”Esse piso é um direito nosso e já tem a fonte de custeio” disse. “Nós profissionais da saúde merecemos receber o que temos direito. O salário que ganhamos, não dá para sustentar nossas famílias. Nós precisamos, muitas vezes, ter três empregos para nosso sustento”.
“Esse piso vem para trazer um pouco de dignidade e de respeito, muito embora ainda seja pouco”, disse Graciete. A presidente do sindicato ainda afirmou que existe profissionais da enfermagem há seis meses sem receber.
O deputado Wilker Barreto disse que “o Estado precisa criar um grupo de trabalho para analisar a aplicação do teto salarial. O Congresso Nacional derrubou ao veto. A ação se encontra no STF, que pediu do governo federal que informe de onde sairá os recursos”.
Barreto disse também que “a informação que nós temos é que o governo federal deverá se posicionar a respeito, através de uma Medida Provisória. Quando isso for posicionado, o Estado do Amazonas precisa cumprir seu papel”.
