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Sérgio Augusto Costa

‘Demogracinha’: a arte de enganar o povo

19 de março de 2024 Sérgio Augusto Costa
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tiago paiva

MANAUS – As sequências de acontecimentos políticos iniciados na última década, os quais culminaram no impeachment da Dilma e posteriormente na eleição do Bolsonaro, utilizaram-se dos valores religiosos e das raízes identitárias no propósito de definir o debate político daquele tempo. Tudo isso foi conduzido por pseudointelectuais, travestidos de conservadores – no sentido clássico da palavra -, mas que na verdade são os chamados “neoconservadores”. Portanto, inquestionavelmente liberais, percebe-se que nasceu uma nova direita ágil, sem escrúpulos que, em suas aspirações de “mudar o Brasil”, passou da utopia democrática ao cinismo de se intitularem perseguidos e vítimas de uma ditadura implantada pelo STF.

Uma grande parte dessa militância, eleita nos pleitos de 2018 e 2022, alegam que foram alunos do Professor Olavo de Carvalho e fazem lives mostrando seus livros. Porém, certamente não aprenderam nada nas aulas ou não leram os livros que expõem, pois suas ações vão de encontro aos ensinamentos do professor e esquecem que a história é realizada não pelo que você diz, mas pelo que você é e faz.

O neocon manipula a boa fama da essência conservadora para ganhar eleições e adotar a política centrista-liberal durante seu mandato. Isso ficará evidente caso o cidadão venha a analisar os projetos de lei apresentados pelos deputados que dizem defender a pauta conservadora – Deus, pátria, família e liberdade -, mas seus projetos, em ampla maioria e de forma subliminar, defendem as pautas progressistas.

Em uma época como a atual, com a democracia liberal, na qual até os ditadores se definem como democratas, é evidente que os “neoconservadores” não podem se apresentar de forma honesta, já que a sua essência é uma farsa, pois relatam estar em guerra pela democracia e liberdade, mas suas batalhas são travadas nos meios mais inúteis possíveis, como por exemplo, quando pedem auxílio às Forças Armadas, realizam motociatas, lanchaciatas, dancinhas e ainda apelidam os ministros do Supremo. Trata-se, portanto, da “demogracinha”, a qual tem um único intuito: enganar o povo.

A mais nova batalha, em total contradição a tudo que supostamente foi aprendido no COF – Curso Online de Filosofia – do Professor Olavo de Carvalho e em seus livros, foi fazer um intercâmbio entre os neocons – deputados brasileiros e americanos –, para apresentar ao Capitólio dos Estados Unidos denúncias dos graves problemas jurídicos e políticos criados pelo STF. O que acabou não acontecendo, para alívio do Congresso norte-americano, que a tempo reconheceu a palhaçada e cancelou a sessão. A comissão trajada de “representantes” do povo brasileiro era formada por uma “juíza” Ludmila Lins, que não é mais juíza, e pelo Dep. Eduardo Bolsonaro, “filho do presidente”, o qual não é mais presidente. Uma verdadeira comédia.

Como foram impedidos de demonstrarem suas indignações com a “ditadura” implantada no Brasil, o grupo de deputados federais e estaduais que viajaram para os EUA, em plena terça-feira, foram para a calçada em frente ao Capitólio fazer uma “coletiva” sem a presença da imprensa, apenas para comprovarem a seus seguidores que estão lutando para salvar o Brasil das garras dos comunistas. A live atingiu seus objetivos e gerou engajamento nas redes sociais. A luta da direita (neocons e bolsonaristas) não é real. Só serve para mobilização social das “tias do zap”.

A história política demonstra que desde os tempos do Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do ‘mensalão”, o STF se tornou o centro das decisões sobre políticas públicas. Essa visibilidade é culpa exclusiva do Congresso Nacional. Por quê? O Poder Legislativo não exerce suas competências. A inércia dos parlamentares que ficam viajando aos EUA a passeio com dinheiro público não apenas facilita o ativismo judicial, como confirma que nenhum dos políticos da direita neocon dominam tema ou pauta alguma que declaram defender. Sem pauta, ficam apenas criando vídeos, alienando seus seguidores com a adulteração da realidade. Lutam pela liberdade de expressão, mas não tem nada a dizer, sem conteúdo e totalmente limitados.

Se tivessem aprendido algo nas aulas do COF ou nos livros do Olavo, saberiam que buscar guarida na ONU (como fez um grupo de advogados peticionando a tal “maior ação do mundo”), denunciar organismos internacionais como a OEA ou Comissão Interamericana de Direitos Humanos, não resolveriam nossos problemas, pois esses nunca defenderão pautas cristãs. O máximo que estes deputados conseguem é comprovar suas inabilidades políticas e suas incapacidades cognitivas, destruir ainda mais a imagem do Brasil perante a opinião pública internacional.

Todo cidadão, com o mínimo de bom senso e discernimento para analisar sem ideologias as últimas decisões do STF, está indignado. Para tanto, rodar o mundo difamando o país, alardeando que estamos em uma ditadura, vivendo como nos tempos dos “gulags” – campos de trabalhos forçados na União Soviética –, evidencia que tais deputados, além de desqualificados, são uns boquirrotos. Como justificar uma ditadura, se estes mesmos deputados acabaram de realizar uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, com a participação de meio milhão de pessoas e, ainda, tal manifestação ser protegida pela segurança pública estatal?

Como justificar que o Brasil virou uma ditadura venezuelana se, em nosso país vizinho, uma mulher luta bravamente sobre verdadeiro e intenso risco de vida para tentar ser candidata à presidência da Venezuela, peitando um ditador que já eliminou vários opositores, enquanto os nossos deputados, servidores públicos que deveriam estar trabalhando, estão fazendo live nos EUA, comendo um McDonald e fazendo compra em Miami?

Será que ao acabar a viagem “democrática”, voltarão para seus “gulags” para fazer mais uma “motociata” de protesto, já que o ex-presidente está sendo processado por molestar uma baleia? É vergonhoso utilizar, de forma demagógica, o termo “gulag”, campos de concentrações do nazismo, onde milhões de pessoas foram mortas. Até a burrice tem limite e, quando se ultrapassa, torna-se maldade.

O Brasil tem excesso de democracia. É tanta democracia que se mama dinheiro público, ganham o teto e no dia de expediente vão fazer vídeo nos EUA. Os argumentos e meios utilizados como armas da direita contra o avançar das pautas esquerdistas, que se diga de passagem foram aceleradas no governo do ex-presidente, são inúteis, convencem apenas alienados e as “tias do zap”. Faz-se necessário encerrar a mentira e a propagação de ilusões. Chega de enganarem e usarem o povo em busca de poder e dinheiro.

É o homem o verdadeiro construtor da realidade e não quem detém a ferramenta. Que fique claro: desde 2018 a direita possui as ferramentas para mudar a realidade. Diversos deputados, eleitos com esmagadora maioria de votos, repletos de assessores e principalmente abarrotados de dinheiro. E o que se fez na prática? Nada. Jogam “nas quatro linhas” da Constituição e alegam que não podem fazer nada por conta do sistema que está totalmente aparelhado pela esquerda. Portanto, a prática demonstra que a teoria está errada, que deter as ferramentas não muda a história. Apenas homens honrados e revestidos da verdadeira fé cristã poderão construir uma nova realidade, pois são os homens que fazem as ferramentas.


Sérgio Augusto Costa da Silva – Delegado de Polícia, Bacharel em Direito e Teologia, pós-graduado em Direito Público, Penal e Processo Penal, MBA em Gestão Financeira e Contábil no Setor Público-UEA, Pós-graduando em Gestão de Tecnologia aplicada à Segurança de Dados-UEA e Mestrando em Segurança Pública- UEA.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos democracia, Liberalismo, politica
Valmir Lima 19 de março de 2024
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