
Por Guilherme Nery, do ATUAL
BRASÍLIA- Em relatório com 1.300 páginas, a relatora da CPMI dos Atos Golpistas de 8 de Janeiro, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), pediu o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A relatora responsabiliza Bolsonaro por autor intelectual dos ataques golpistas às sedes do três Poderes.
“O 8 de janeiro é obra do que chamamos bolsonarismo”, disse a senador ao iniciar a leitura do texto. No documento final, o nome “Jair Bolsonaro” foi citado 268 vezes. Os crimes atribuídos a Bolsonaro são os de associação criminosa, violência política, abolição violenta do estado democrático de direito e golpe de estado.
Na introdução do relatório, Eliziane Gama conclui que os ataques antidemocráticos foram planejados.
“Jair Bolsonaro foi eleito presidente da república e desde seu primeiro dia de governo atentou contra instituições estatais, principalmente aquelas que signfificam obstáculo ao seu plano de poder […] instrimuntalizou não apenas órgãos, mas instituições e agentes públicos”, disse Eliziane. Ao utilizar o termo “instrumentalização”, a senadora relatou como o “bolsonarismo” se impregnou nas forças públicas.
Eliziane também pede o indiciamento de outras 60 pessoas, incluindo ministros do governo Bolsonaro e militares subordinados ao então presidente.
Segundo a relatora, haviam quatro apoiadores principais para os ideais golpistas de Jair Bolsonaro. Os principais foram: general Braga Netto, candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa; general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional de Bolsonaro; o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e principal assessor de Bolsonaro e, por fim, almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha.
Na CPMI, Mauro Cid foi uma peça importante para o relatório final. Cid era próximo de Bolsonaro e foi preso após uma ação da Polícia Federal (PF). No entanto, foi solto após delação premiada.
Na delação, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro confirmou à Polícia Federal que o ex-presidente se reuniu com uma cúpula das Forças Armadas após as eleições de 2022 para discutir a possibilidade de um golpe de estado para não sair do poder. Os crimes atribuídos aos quatro também foram de associação criminosa, abolição violenta do estado de direito e golpe de estado.
Faz também parte da atribuição dos crimes pela relatora a deputada federal Carla Zambrelli (PL-SP). A relatora disse que a parlamentar era a “bolsonarista das bolsonaristas” pelo seu apoio a Bolsonaro.
No pedido de indiciamento também foram incluídos: Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro; general Luiz Eduardo Ramos, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro; general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; general Freire Gomes, ex-comandante do Exército; Filipe Martins, assessor-especial para Assuntos Internacionais de Bolsonaro; coronel Marcelo Costa Câmara, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; general Ridauto Lúcio Fernandes; Marília Ferreira de Alencar, ex-diretora de inteligência do Ministério da Justiça; sargento Luis Marcos dos Reis, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; major Ailton Gonçalves Moraes Barros; coronel Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde e coronel Jean Lawand Júnior
Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, e mais dois policiais federais rodoviários também estão na lista de pedido de indiciamento.
Os pedidos feitos por Eliziane serão enviados ao Ministério Público para analisar as denúncias.
