
Por Diogo Rocha, do ATUAL
MANAUS – O presidente da CPI das ONGs no Senado, Plínio Valério (PSDB-AM), pedirá a prorrogação até o dia 19 de dezembro para apresentar o relatório final. Ele disse que conseguiu 41 das 27 assinaturas necessárias para estender o prazo dos trabalhos.
“Apareceu muita coisa no caminho e a gente não vai chegar nem a 5% das [ONGs] que deveriam ser investigadas. Queremos investigar pelo menos umas oito ONGs e nós estamos na terceira. Tem mais três diligências no Acre, Roraima e Xingu (MT)”, afirmou.
“Ninguém quer demonizar ONG, mas a gente quer mostrar os números. O brasileiro precisa tomar conhecimento do que acontece dentro e com essas ONGs, que recebem dinheiro inclusive de embaixadas estrangeiras”, acrescentou Valério.
Conforme o senador, a prorrogação é necessária. “É um pedido de prorrogação não pelo mesmo tempo [da CPI, que é de 130 dias]. Um pouquinho menos. A gente vai fazer a última reunião dia 19 de dezembro e apresenta o relatório. Ninguém quer ir para o recesso [parlamentar de final de ano] com isso, mas é um pedido que não será negado. É um direito que a gente tem e é necessário”, afirmou Valério.
Plínio Valério disse que falta verificar novos dados obtidos pela CPI desde a instalação no dia 14 de junho. A comissão investiga a destinação e a utilização de recursos públicos pelas Organizações Não-Governamentais que atuam na Amazônia.
O senador afirmou que a CPI das ONGs deu “voz aos invisíveis” ao fazer diligência para encontrar povos indígenas para ouvir suas denúncias e que também abriu a “caixa-preta”. Para Valério, foi descoberto que existem ONGs que enriquecem com verbas públicas sem prestar nenhum serviço em benefício da Amazônia e das populações locais.
“A gente mostrou que o índio não quer saber de terra, quer dignidade e políticas públicas. Dito por eles”, disse.
Plínio Valério não soube dizer se a CPI pedirá indiciamentos. “Não sei se o relator [da CPI, o senador Márcio Bittar, do União Brasil-AC] vai querer indiciar alguém. Não sei se a gente vai pedir ainda quebra de sigilo bancário. Talvez tenha que pedir de um ou dois a quebra de sigilo bancário”.
