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Economia

Coronavírus pode reduzir exportação brasileira para a China em até R$ 2,8 bilhões

2 de junho de 2020 Economia
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Exportação de produtos agrícolas brutos para a China, como algodão não deve compensar as perdas nas vendas de energia, minerais e alimentos processados (Foto: Divulgação/Portal Brasil)
Da Folhapress

BRUXELAS – A pandemia de coronavírus deve derrubar as exportações brasileiras de commodities para a China neste ano em até US$ 2,796 bilhões (cerca de R$ 15,4 bilhões), estima o economista Marco Fugazza, da agência para comércio internacional da ONU, a Unctad.

Embora o Brasil possa ter uma alta no valor exportado em grãos e outros produtos agrícolas brutos, como algodão, ela não deve compensar as perdas nas vendas de energia (petróleo bruto), minerais e alimentos processados (como açúcar).

No melhor dos cenários previstos por Fugazza, a perda das exportações brasileiras para a China será de US$ 939 milhões, ou pouco mais de R$ 5 bilhões.

Os cálculos do economista levam em conta os dados comerciais de fevereiro e fevereiro divulgados pela China, onde os efeitos econômicos da pandemia de coronavírus já foram sentidos no primeiro bimestre (o país asiático foi o primeiro a ser afetado, no final do ano passado).

“Como a China é o maior importador de uma quantidade significativa de produtos primários, a avaliação do impacto no país diz muito sobre possíveis tendências gerais e pode ajudar os formuladores de políticas a antecipar o que pode acontecer globalmente”, diz o economista em relatório publicado nesta terça, 2.

Commodities representam um quarto das importações da China, e um quinto das exportações mundiais de commodities é enviado para o país asiático, o que mostra o peso chinês no comércio internacional desses produtos.

Como comparação, a União Europeia absorve cerca de 1/5 das exportações mundiais de commodities, e os Estados Unidos, 9%.

Segundo os cálculos, as exportações globais de commodities para a China podem cair de US$ 15,5 bilhões (no melhor dos cenários) para US$ 33,1 bilhões (no pior) em 2020, tombo de até 46% em relação ao crescimento previsto antes da pandemia de coronavírus.

O economista analisa os fluxos projetados de importações chinesas com base em informações desagregadas divulgadas oficialmente. Os dados dos anos anteriores são do Mapa Comercial da ITC.

O cenário base pressupõe que que as importações bimestrais em 2020 variassem de acordo com o crescimento médio no mesmo período durante os três anos anteriores.

Para as estimativas, Fugazza considerou dois dois cenários. O primeiro considera que o impacto da pandemia se prolonga nos mesmos níveis do primeiro bimestre até o final de junho de 2020. No segundo, apesar desse efeito no primeiro semestre, há uma retomada mais acelerada da atividade no segundo semestre.

“Os cenários são relevantes para a primeira onda de contaminação no leste asiático, mas podem também capturar parte dos efeitos não diretos na Europa e nos Estados Unidos”, segundo o economista.

Na análise para cada um dos blocos de commodities, a Unctad prevê uma redução de entre US$ 1,1 bilhão a US$ 2,2 bilhões nas exportações brasileiras de petróleo bruto para a China, e de US$ 987 milhões a US$ 2,7 bilhões na exportação de minerais (com a alta de alumínio compensando parte da perda com ferro).

Em produtos agrícolas brutos, como algodão, deve haver alta de US$ 169 milhões a US$ 459 milhões, e em grãos, como milho e soja, o aumento pode ficar entre US$ 1,335 bilhão e US$ 2,42 bilhões. O economista calcula que as exportações brasileiras de alimentos processados sofram queda de US$ 327 milhões a US$ 721 milhões, por causa de choques significativos em carne e açúcar.

O economista alerta para fatores que podem afetar as previsões. O primeiro é que as variações nos fluxos de importação foram feitas apenas para o nível setorial, e não produto a produto.

Como as últimas variações no comércio não estão detalhadas para todos os países grandes exportadores de commodities, os números setoriais são usados para simular os fluxos para cada um deles.

Uma terceira ressalva é que o modelo não considera o comércio exterior fora da China, pois ainda não há estatísticas suficientes para isso.

“Embora o sentimento predominante seja fortemente influenciado por projeções catastróficas, alguns produtos podem ter aumento de demanda”, diz o economista. Ele cita carvão, alumínio, soja e cevada.

Fugazza afirma que a publicação de dados e fevereiro a março pela União Europeia e pelos EUA permitirão uma avaliação mais precisa do impacto da pandemia no comércio internacional.

“Um grande ponto de interrogação permanece sobre os possíveis efeitos da Covid-19 na África Subsaariana e na América do Sul, em particular no Brasil”, afirma o economista.

Para ele, se as exportações de soja brasileira forem impactadas negativamente, haverá “importantes consequências nos mercados internacionais”.

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Assuntos brasil, exportação, ONU
Redação 2 de junho de 2020
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