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Como a crise acabou se seus vícios permanecem?

10 de novembro de 2017 Follow Up
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Há um vaivém de expectativas e de turbulências no mercado financeiro neste feirão do escambo político em que se encontra o Brasil.  Ninguém pode, hoje, assegurar o tipo de surpresa ou certeza que ocorrerá amanhã. No Amazonas, os grupos políticos, na medida em que se aproxima o ano eleitoral, tratam prioritariamente de resguardar e afirmar seus planos, metas e interesses torcendo, no caso dos oposicionistas, para que o novo governo não dê certo. E nessa torcida sinistra e deletéria vale tudo, incluindo a maledicência, a verdade transformada em boato, e o boato em ferramenta de desconstrução.

Enquanto isso, nas hostes palacianas, dizem seus frequentadores, confirma-se a cada dia que o buraco, tido como uma dimensão assustadora, é muito mais fundo e malcheiroso do que se supunha. A arrecadação tem tido um discreto crescimento mas as surpresas diárias relatam crateras insondáveis de uma Estado quebrado. É como se o erário, aquilo que traduz a contribuição de cidadãos e empresas, pertencesse a ninguém. E, portanto, o mais esperto pode fazer dele o que bem entender ou adotar a gestão que melhor aprouver.

Tem sido assim. E aí, sem eira, gestão, nem beira, os custos são incessantemente crescentes da máquina administrativa, transformada em engenhoca perdulária de pagamento de benefícios polpudos aos amigos, servidores, abanadores do rei. Tem sido assim, como o gesto incessante de um gavião-real que põe seus ovos impavidamente até que um dia alguém, tomara, encarnado nos atores da mudança, possa fazer o omelete da transformação.

Uma hora dessas, será preciso exercitar o protagonismo de quem põe na agenda pública dois desafios: gestão pública e acompanhamento da aplicação transparente dos recursos públicos. A que se destina o discurso sobre o fim da recessão se os vícios da querela política, e os percalços da má gestão pública, não sejam enfrentados e debelados?

As sequelas da má gestão

A necessidade da boa gestão no Amazonas se apresenta como o melhor instrumento de recuperação da competitividade. Os critérios de competitividade, ou seja, a tarefa de seu enfrentamento e conquista, ou seja, reconstruir a base industrial e são aqueles de qualquer manual de administração pública, emprestados da gestão empresarial: capital humano, educação, eficiência nos procedimentos, infraestrutura, inovação, potencial de mercado, segurança pública, solidez fiscal, sustentabilidade ambiental e sustentabilidade social.

Os indicadores apurados até aqui pela nova equipe de governo mostram cenários de pleno caos, expressos em listas de pagamentos de funcionários públicos, concursados ou não, com direitos adquiridos no cipoal de penduricalhos que zombam do teto máximo estabelecido pela Suprema Corte. Nos bons tempos das vacas obesas da arrecadação robusta, o poder público se permitiu a veleidade de construir uma Arena “ a mais vistosa do mundo”, mesmo que não fosse capaz de gerar um centavo em caráter permanente, num estado que não tem destaque comercial e empresarial no futebol.

Construíram uma ponte capaz de unir Manaus a um lugar inerte, e que a especulação da ganância imobiliária impede a ocupação integrada e estratégica para interiorizar o desenvolvimento para o qual generosas receitas são repassadas pelas empresas do polo industrial. Os juros dessas obras faraônicas dariam para fazer um omelete de infraestrutura para assegurar a tal da transformação. Se houvesse boa gestão.

A maturidade cívica desejável e inadiável

Nesta quinta-feira, 9, o prefeito paulista João Dória, deixou impressionados empresários, consultores, políticos e jornalistas com um discurso da gestão pública no viés empresarial. Ele próprio, empresário da comunicação, narrou seus 10 meses de governo como uma experiência de gestão assimilada na vivência de suas empresas. Enxugamento de despesas, racionalidade nos custos, investimentos compartilhados, atendimento das demandas emergenciais e gestão participativa.

A narrativa soou como música para seus ouvintes, todos entediados de ver escorrer pelo ralo da gestão perdulária e improvisada, os recursos de impostos e contribuições extorsivas por parte de quem nada produz além da gastança. Não temos mais idade para acreditar em Gnomos. A mudança não se opera por narrativa e ela é feita por aqueles que deviríamos escolher com mais cuidado e senso de compromisso com o interesse público. O que não depende de um indivíduo ou de um partido mas da maturidade de uma sociedade que, aos poucos, começa a saber o que não quer. Daí a definir a direção da mudança pretendida é um passo, firme, necessário e coletivo.

Ainda bem.

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Cleber Oliveira 10 de novembro de 2017
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