

A que se prestam os seguidores cegos do Bolsonaro… Fazem a maior onda por conta da repercussão negativa mundo afora das queimadas e desmatamento da Amazônia. Olham para o passado tentando encontrar culpados. Discursos de que sempre foi assim “há séculos” enchem as redes sociais. Mentiras como a existência de mais de 100 mil ONGs na Amazônia a cuidar de 306 mil índios; piadas como a existência de animais africanos na Amazônia…
Tentam construir uma mentira com algumas verdades, como os dados de desmatamento do passado, como se fosse suficiente responsabilizar mais um governo do que outro pelo que ocorre neste momento.
Não, a culpa das queimadas não é do Bolsonaro. Quem quiser responsabilizá-lo por isso é um cretino. Mas o que mobilizou o mundo não foram as queimadas e o desmatamento em si, mas o comportamento do governo diante do problema. Primeiro, uma tentativa de negá-lo, contestando os números do órgão de maior credibilidade no monitoramento da Amazônia. Segundo, o atrito com os países que destinam algum recurso (parcos recusos, diga-se) ao Fundo Amazônia; terceiro, o enfraquecimento dos órgãos de controle, como o Ibama, com o discurso de que a atuação do instituto trava o desenvolvimento.
Tudo isso encorajou quem realmente tem a intenção de tocar fogo na floresta. E não se faz isso para tentar incriminar quem está no governo. Há inúmeros motivos para se tocar fogo na Amazônia, desde o agricultor que prepara a terra para a plantação da lavoura até os que praticam crime para fugir à legislação, que limita a derrubada da floresta em terras particulares.
É uma prática que precisa ser combatida, sempre. Seja quem for o governante, o partido político da vez, é necessário combater o desmatamento e as queimadas na Amazônia, vista pelo mundo como a mais importante floresta tropical da Terra.
Não há dúvida de que interesses econômicos estão por trás de falas e decisões de governos externos, como a França. Assim como não há dúvidas de que os discursos internos estão carregados de interesses puramente financeiros. O Ministério do Meio Ambiente já anunciou a contratação de empresa privada para fazer o monitoramento da floresta, mesmo com duas instituições do Estado – o Inpe e o antigo Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia) – com capacidade técnica para fazê-lo.
Felizmente, a gritaria ou a histeria – como nomearam os cegos seguidores acima citados – serviu para uma mudança de postura, pelo menos no curto prazo. O governo federal, sob o comando de Bolsonaro, está mobilizando, inclusive, o Exército para proteger a floresta.
Há questões que precisam ser amplamente debatidas sobre a Amazônia, que exigem uma agenda permanente de discussões: a mineração, a agricultura e pecuária, o desenvolvimento das cidades, a participação estrangeira na preservação da floresta, entre tantos outros.
Mas era necessário, neste momento, mostrar ao mundo que o Brasil também quer manter a floresta viva.
Só falta à claque retirar a viseira que a faz enxergar em tudo uma tentativa de destruir o governo Bolsonaro.
Valmir Lima é jornalista, graduado pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas); mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia (Ufam), com pesquisa sobre rádios comunitárias no Amazonas. Atuou como professor em cursos de Jornalismo na Ufam e em instituições de ensino superior em Manaus. Trabalhou como repórter nos jornais A Crítica e Diário do Amazonas e como editor de opinião e política no Diário do Amazonas. Fundador do site AMAZONAS ATUAL.
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