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Política

Celulares de Bolsonaro também foram invadidos, diz Ministério da Justiça

25 de julho de 2019 Política
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Ministério da Justiça informou que telefone do presidente Jair Bolsonaro sofreu ataque (Foto: Divulgação)

Da Folhapress

BRASÍLIA-DF – O Ministério de Justiça, sob o comando de Sergio Moro, informou nesta quinta-feira, 25, que aparelhos celulares utilizados pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) também foram alvo de ataques do grupo de supostos hackers presos dois dias antes pela Polícia Federal.

“O Ministério da Justiça e Segurança Pública foi, por questão de segurança nacional, informado pela Polícia Federal de que aparelhos celulares utilizados pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, foram alvos de ataques pelo grupo de hackers preso na última terça feira, 23. Por questão de segurança nacional, o fato foi devidamente comunicado ao Presidente da República”, divulgou a pasta, em nota.

O comunicado do Ministério da Justiça não informa se houve captura de dados do mandatário ou apenas uma tentativa de ataque aos aparelhos celulares.

Em apresentação à imprensa realizada nessa quarta-feira, 24, investigadores da Polícia Federal disseram que até mil números telefônicos podem ter sido alcançados pela ação dos quatro suspeitos presos.
Eles apontaram ainda ‘fortes indícios’ de que o telefone do ministro Paulo Guedes (Economia) também foi atacado pelos envolvidos.

O grupo foi apontado pela PF como o responsável pela invasão do telefone do ministro Sergio Moro (Justiça). Em relação a Moro, a informação da PF até aqui é que nenhum dado foi roubado do aparelho.

Foram presos nesta terça Walter Delgatti Neto, Gustavo Henrique Elias Santos, Suelen Priscila de Oliveira e Danilo Cristiano Marques. Os quatro são originários de Araraquara (SP), mas moravam em cidades diferentes. As ordens de prisão foram cumpridas em São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto (SP). Eles foram transferidos para Brasília.

Nesta quarta-feira, Moro comemorou a ação da PF e associou o grupo preso à divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de mensagens que mostram interferência do ex-juiz da Lava Jato nas investigações da força-tarefa da operação.

Não há, até o momento, indícios tornados públicos de relação entre a ação dos supostos hackers e a divulgação de mensagens privadas de procuradores da Lava Jato e do ex-juiz Sergio Moro. Essa conexão indicada por Moro, por exemplo, não foi citada na decisão do juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, que autorizou as prisões dos suspeitos.

Os responsáveis pelo The Intercept Brasil disseram, por sua vez, que não fazem comentários sobre as suas fontes. Os diálogos foram revelados pelo site The Intercept Brasil e têm sido publicados por diversos veículos, incluindo a Folha.

Na decisão que fundamentou as prisões, o juiz Vallisney de Souza Oliveira apontou ‘fortes indícios’ de que os quatro investigados “integram organização criminosa para a prática de crimes e se uniram para violar o sigilo telefônico de diversas autoridades brasileiras via invasão do aplicativo Telegram”.

O inquérito em curso foi aberto em Brasília para apurar, inicialmente, o ataque a aparelhos de Moro, do juiz federal Abel Gomes, relator da Lava Jato no TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), do juiz federal no Rio Flávio Lucas e dos delegados da PF em São Paulo Rafael Fernandes e Flávio Reis.

Segundo investigadores, a apuração mostrou que o celular do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, também foi alvo do grupo. O caso dessas autoridades está sendo tratado em inquérito aberto pela Polícia Federal no Paraná.

As investigações da Polícia Federal apontam para um grupo que tinha o perfil de quem praticava fraudes bancárias eletrônicas. Segundo a corporação, os suspeitos estavam envolvidos no esquema “em diferentes graus”.

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Assuntos Hacker, Jair Bolsonaro, Ministério da Justiça
Cleber Oliveira 25 de julho de 2019
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