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Esporte

Celeiro olímpico, Bahia pode trazer segundo ouro do boxe ao Brasil

25 de julho de 2021 Esporte
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Três atletas, dois sparrings e um treinador da delegação de boxe são nascidos na Bahia (Foto: Divulgação/CBBoxe)

SÃO PAULO – A seleção de boxe do Brasil tem grandes chances de trazer uma medalha de ouro para o país. Beatriz Ferreira, de 28 anos, é a campeã mundial da categoria até 60 kg e favorita na disputa. Caso confirme o favoritismo, Bia se tornará a segunda brasileira a conquistar um ouro olímpico na modalidade, após o título de Robson Conceição, em 2016.

Além da categoria, existe outra similaridade entre os dois atletas: ambos são nascidos em Salvador. Tanto Robson quanto Bia são boxeadores baianos que chegaram ao maior palco do esporte mundial. E não são os únicos.

Só na Olimpíada de Tóquio, serão três representantes do estado na seleção titular: além de Bia, Hebert Conceição (também nascido em Salvador), 23 anos, e Keno Marley (de Sapeaçu, no interior), 21 anos, também fazem parte da delegação deste ano.

Completam a “seleção baiana” dois dos sparrings, Isaías Filho e Joel Silva, e um treinador, Amônio Lima.

“A Bahia é, para mim, o coração do boxe no Brasil”, afirma o ex-campeão mundial Luiz Dórea, fundador da Academia Champions e treinador de Hebert. Ele acredita que os baianos têm uma aptidão às artes marciais e que, por isso, o boxe eleva o nome do estado nos Jogos.

A Champions, localizada no bairro de Cidade Nova, na capital, é a principal formadora desses boxeadores.

Comandada por Dórea, a academia funciona também como projeto social e já atendeu mais de 8 mil crianças em 31 anos de atividade. Foi de lá, inclusive, que saiu Hebert.

“Hebert foi para a academia Champions com 15 anos, e hoje é uma das nossas grandes revelações do boxe. Quando ele nos procurou, na verdade, tinha um sonho de lutar MMA. Eu falei que era para ele primeiro se especializar no boxe e só depois, quando ficasse maior de idade, decidiria se iria para o MMA ou não”, contou Dórea, em entrevista à Folha.

O ex-pugilista também foi o treinador de Raimundo Oliveira, o Sergipe, pai e treinador de Bia Ferreira. Fruto da Champions, ele se mudou para Juiz de Fora (MG), onde a filha cresceu e se tornou uma das melhores lutadoras do mundo.

“Sergipe treinava comigo e, desde pequenininha, Bia ia para a Champions acompanhar o pai. Ele sempre treinou ela, sempre cuidou. Quando o pai partia para treinar, ela, pequenininha, ia junto, ficava batendo no saco, acompanhando o pai”, relata Dórea.

Nos últimos quatro Jogos Olímpicos – Rio-2016, Londres-2012, Pequim-2008 e Atenas-2004 -, mais da metade das convocações foi direcionada a atletas baianos. Além da medalha de Robson no Rio, Adriana Araújo conquistou um bronze em Londres, a única outra medalhista do estado.

Dórea é considerado um “Midas” por revelar boxeadores olímpicos, sendo o primeiro deles Joílson Santana, seu ex-parceiro de treino que disputou os Jogos de Seul, em 1988. O fundador da Champions ainda treinou a seleção olímpica de boxe nos Jogos de Atenas e Pequim, em 2004 e 2008.

O estado também se destaca no boxe profissional. Robson Conceição anunciou na última terça-feira (20) que vai disputar o título mundial do WBC (Conselho Mundial de Boxe, na sigla em inglês) contra o atual campeão Oscar Valdez no dia 10 de setembro, nos Estados Unidos.

Caso vença, ele será o terceiro baiano a ter um título mundial no boxe profissional, ao lado de Acelino “Popó” Freitas e Valdemir “Sertão” Pereira.

Além do boxe, Dórea também atua como treinador de astros do MMA. Ele trabalha há anos com os gêmeos Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro, de Vitória da Conquista, além de Junior Cigano e Anderson Silva.

Por ser celeiro de lutadores e treinadores, Dórea aposta que o estado ainda tem muito a oferecer para o boxe brasileiro. “A seleção brasileira tem atletas muito jovens, porém com uma experiência muito grande, e a gente fica muito feliz que a Bahia continua contribuindo”.

Keno Marley será o primeiro do trio baiano a estrear em Tóquio. Ele enfrenta o chinês Daxiang Chen às 2h12 da quarta-feira (28). Em seguida, às 5h do dia 29, Hebert enfrenta um adversário que ainda será definido nas preliminares. Por fim, às 5h do dia 30, Bia Ferreira inicia sua caminhada olímpica, também sem adversária definida. Todos os horários são de Brasília.

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Assuntos Boxe, Olimpíada de Tóquio, Tóquio 2020
Redação 25 de julho de 2021
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