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Saúde

Canetas emagrecedoras são usadas como aliadas contra obesidade

2 de junho de 2022 Saúde
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Conhecidos como canetas emagrecedoras, medicamentos são usados na perda de peso (Foto: Myskin/Adobe Stock)
Por Amanda Pinheiro, da Folhapress

RIO DE JANEIRO – ​A busca pelo peso ideal sempre foi um debate recorrente entre os brasileiros, sobretudo depois da pandemia de coronavírus, quando a vida aconteceu dentro de casa. Nesse período, aumentou o número de pessoas com sobrepeso e obesidade. Em 2019, 55,4% dos brasileiros estavam acima do peso, enquanto em 2021, esse número subiu para 57,25%, segundo a pesquisa Vigitel 2021, do Ministério da Saúde.

Para auxiliar no emagrecimento, medicamentos com formatos de “canetas” têm sido usados como aliados. Com preços que variam entre cerca de R$ 600 e R$ 1 mil, as substâncias semaglutida e liraglutida, vendidas sob o nome comercial de Ozempic e Saxenda respectivamente, produzem hormônios semelhantes aos do corpo humano, atuando no controle do apetite. Elas foram desenvolvidas inicialmente, porém, para o controle da diabetes tipo 2.

“Eles agem sensibilizando o pâncreas a produzir mais insulina de acordo com o nível de glicose no sangue. Por essa razão ajuda no controle do diabetes, mas também atuam no hipotálamo – região do cérebro que regula o apetite – e, por isso, aumenta a saciedade ajudando a perder peso”, explicou a endocrinologista Cintia Cercato, membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

A endocrinologista afirma que o medicamento não causa diabetes em quem não tem a doença.

Nos Estados Unidos, as duas substâncias foram aprovadas para o tratamento da obesidade. Já no Brasil, a liraglutida foi liberada para o tratamento da diabetes e obesidade, enquanto a semaglutida tem autorização apenas no caso da diabetes e está sob avaliação da Anvisa (Agência Brasileira de Vigilância Sanitária) para auxiliar no emagrecimento.

Em nota, o órgão informou que “as indicações dos medicamentos são aprovadas a partir da indicação solicitada” e que “o laboratório solicitou a indicação do Ozempic para tratamento de obesidade, e o pedido está em análise pela Anvisa”.

​Segundo um estudo da IQVIA, entre abril de 2020 e abril de 2021, o Saxenda ficou em segundo lugar entre os medicamentos mais vendidos nas farmácias brasileiras, enquanto o Ozempic ficou em sexto. Apesar das substâncias integrarem a mesma família, existem diferenças entre elas, como a frequência de aplicação, segundo a endocrinologista Fernanda Braga Albuquerque.

“O Saxenda precisa ser aplicado todos os dias, de forma subcutânea (sob a pele) e a Ozempic já permite uma aplicação semanal, também subcutânea, o que facilita a adesão do paciente”, afirmou a Albuquerque.

Por que medicamentos para diabetes são usados no emagrecimento?

As duas substâncias também atuam no cérebro, o que causam a sensação de saciedade e diminui a vontade de comer, de acordo com Cercato, da SBEM.

Ambos atuam no pâncreas, fazendo com que as células produtoras de insulina fiquem mais sensíveis ao nível de açúcar no sangue, liberando maior quantidade de insulina se os níveis de glicose estiverem altos, afirma.

“Mas se a pessoa tem glicose normal, essas células não precisam produzir maior quantidade de insulina e essa é a razão de não causar hipoglicemia em quem não é di abético. Esses medicamentos causam perda de peso, pois conseguem atingir regiões no nosso cérebro que regulam a fome, a saciedade e a vontade de comer. Assim, o medicamento ajuda pessoas com obesidade a comer menos, causando um balanço energético negativo”, diz. ​

Qual o efeito dos medicamentos?

Um estudo randomizado publicado no International Journal of Obesity, do grupo Nature, observou que a aplicação diária de 3,0 mg de liraglutida, associada a dieta e exercícios, ao longo de 56 semanas em pessoas com sobrepeso e comorbidades causa uma diminuição do peso de em média 6%. O grupo placebo emagreceu em média 0,2%.

Em relação a semaglutida, uma outra pesquisa publicado no periódico científico New England Journal of Medicine indicou que a substância reduziu o peso de pessoas obesas, além de evitar agravantes como o diabetes. Para o teste, cerca de 2 mil integrantes receberam uma dose semanal de 2,4 mg. Eles perderam em média 14,9% do seu peso corporal ao final de 68 semanas, enquanto o grupo placebo diminuiu em média 2,4%.

“Em participantes com sobrepeso ou obesidade, 2,4 mg de semaglutida uma vez por semana mais intervenção no estilo de vida foi associada à redução sustentada e clinicamente relevante do peso corporal”, diz o estudo.

Todos os estudos indicaram que os efeitos adversos mais comuns entre os participantes eram gastrointestinais, como náusea.

É necessário ter prescrição médica?

Não. O fato de serem vendidas livremente, sem receita, é um motivo de preocupação para os especialistas, já que cada corpo atua de uma forma.

“Apesar dessas medicações não precisarem de receita médica para serem compradas, é importante consultar um médico antes. Porque nenhum remédio que é bom para uma pessoa, vai ser bom para todo mundo, além da avaliação da necessidade de iniciar o tratamento com essas substâncias e orientar como deve ser usado”, afirma a endocrinologista Albuquerque.

Quais as contradições?

Os medicamentos são contraindicados para quem tem sensibilidade aos componentes da fórmula, mulheres grávidas ou que pretendem engravidar, e lactantes segundo a bula.

“Devem ser usados com cautela em pacientes com refluxo gastroesofágico grave ou em pessoas com antecedente de pancreatite”, diz Cercato.

Quais os efeitos colaterais?

De acordo com estudos, os efeitos mais sentidos são os gastrointestinais.

“O principal é a náusea. Mas o paciente pode ter diarreia, constipação e vômito. Por isso é importante o acompanhamento médico, para ver como a pessoa vai reagir ao tratamento”, ressalta Albuquerque.

Por quanto tempo tomar?

A endocrinologista afirma que o período de tratamento varia entre os pacientes, o que significa que os medicamentos podem por meses, anos ou durante toda a vida, diz.

“Todo tratamento da obesidade possui fases. A primeira é a perda de peso rápida, depois o emagrecimento mais lento e, em seguida, o paciente mantém aquele peso. Há também a fase onde pode haver reganho de peso. Isso com ou sem medicamento. O que a gente percebe é que a Ozempic e o Saxenda ajudam na manutenção do peso desde que eles continuem sendo utilizados”, afirma.

“Se a gente encarar a obesidade como uma condição crônica de saúde como a hipertensão, o diabetes, em que as medicações são bem aceitas e sem estigmas, a obesidade é uma doença crônica como elas. Então, o medicamento pode ser necessário a vida toda”.

Os medicamentos podem ser utilizados para perder pouco peso?

Não. Segundo a bula do Saxenda (liraglutida), ele deve ser usado apenas por pessoas com IMC acima de 27.

“Esses remédios não servem para quem quer perder, por exemplo, 3 quilos. Apesar de muita gente usar dessa forma. Eles são indicados para o tratamento da obesidade. Por isso é importante uma avaliação médica”, conclui Albuquerque.

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Assuntos Canetas emagrecedoras, emagrecer, Obesidade
Murilo Rodrigues 2 de junho de 2022
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