
EDITORIAL
MANAUS – Faltando 18 dias para o primeiro turno das eleições gerais no Brasil, os candidatos entram na fase do desespero em suas campanhas eleitorais, principalmente no rádio, na televisão e nas redes sociais. Nesta fase, os marqueteiros esquecem as propostas e partem para o ataque.
Esse não é um fenômeno novo, mas as redes sociais têm contribuído para elevar a temperatura nas últimas eleições.
Nesse processo de troca de acusações, a verdade é o que menos aparece. Informações distorcidas, fatos passados requentados e tirados de contexto para construir uma “verdade” são armas utilizadas para tentar convencer o eleitor a não votar no candidato “x” ou “y”.
Importa muito menos pedir voto para si. O mais importante, agora, na reta final da campanha, é impedir que o eleitor que ainda têm dúvidas sobre a escolha vote no adversário. Por isso, é necessário destruir a reputação do outro.
Estamos assistindo esse espetáculo principalmente entre os candidatos a presidente da República e governador, mas também entre os candidatos ao Senado.
As pesquisas de intenção de voto são a medida da ação dos marqueteiros. Apanha mais quem está na liderança, quem ameaça de alguma forma o líder ou luta para estar com ele no segundo turno.
No caso da disputa presidencial, o importante é evitar que a eleição se defina no primeiro turno. É esse detalhe que atiça a campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) a mirar o passado de Lula e do PT e a desenterrar os cadáveres.
Mas também é a vontade de faturar a eleição no primeiro turno que mobiliza a militância do partido de Lula a distribuir todo tipo de propaganda negativa contra Bolsonaro. A campanha de Lula no rádio e TV tem usado o ataque de forma mais polida, com foco na atuação do governo e não na figura do adversário.
No Amazonas, o principal alvo é o governador Wilson Lima (União Brasil), que disputa a reeleição. Desde o início da campanha, ele tem sido o principal alvo dos candidatos que disputam o cargo. Mas com o resultado das últimas pesquisas, em que ele aparece na liderança, os ataques se intensificaram.
A legislação eleitoral proíbe a propaganda negativa contra candidatos, No entanto, a subjetividade das peças publicitárias aliada à lentidão com que age a Justiça Eleitoral, acabam por incentivar essa prática.
O julgamento do que é mentira ou verdade, do que é propaganda negativa, e evitar a divulgação desse tipo de conteúdo sem que se incorra em censura é quase impossível.
Confiante nessa dificuldade, os candidatos optam por desobedecer a lei e desrespeitar o eleitor, que espera saber como cada um vai resolver os diversos problemas que se impõem.
Como o processo de julgamento é demorado, os candidatos avaliam que vale a pena correr o risco, principalmente na reta final das campanhas, até porque esse tipo de comportamento, no máximo, pode tirar tempo de rádio e TV, mas não inviabiliza a candidatura.
Portanto, o eleitor indeciso deve ficar atento para o que é realmente verdade nesse mar de mentiras que invade a propaganda eleitoral nesses dias que separam a ida à urna eletrônica.

