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Economia

Caminhoneiros refutam greve nacional por causa de alta do diesel

12 de março de 2026 Economia
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Greve geral divide caminhoneiros em relação ao aumento no preço do diesel (Foto: Tânia Rêgo/ABr)
Por Isadora Duarte, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Representantes de caminhoneiros autônomos refutam a realização de uma greve nacional em virtude do aumento do preço do diesel, que pressiona o custo da categoria. A possibilidade começou a ser aventada em grupos de caminhoneiros após alta significativa do óleo diesel, impulsionada pela disparada do petróleo como efeito do conflito no Oriente Médio.

A maior parte da categoria, entretanto, diverge da manifestação e teme impactos econômicos e prejuízos à população de uma eventual paralisação, apurou o Broadcast Agro.

Uma ala de caminhoneiros ameaça paralisação na região do porto de Salvador a partir da madrugada desta sexta por 24h. O movimento é apoiado pela Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB). Entidades que representam transportadores autônomos rejeitam adesão formal da categoria ao movimento.

Procuradas, a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), a Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e Cargas (Conftac), Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Carga em Geral do Estado de São Paulo (Fetrabens-SP), o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam-Santos) negam indicativo de greve da categoria neste momento.

A ANTB afirma que a paralisação em Salvador tem previsão de 24h mas pode ser por prazo indeterminado, caso as demandas não sejam atendidas. O motivo da mobilização na região é a mudança em um regra para triagem de cargas no porto.

De acordo com a ANTB, a nova regra exige que o motorista leve a mercadoria do contêiner até o setor de triagem, elevando o transporte em 10 a 15 quilômetros e aguardar até que a mercadoria possa ser descarregada. Caminhoneiros da região são contrários ao terminal de triagem, que ainda será construído, alegando que a medida dobrará a estadia dos transportadores no porto.

Presidente da associação, José Roberto Stringasci divulgou nas redes sociais chamando transportadores para paralisação em Salvador e alertando transportadores de que as operações de carga e descarga no porto serão afetadas. “Os caminhoneiros não aguentam mais. Essa é a única alternativa que nós temos”, disse no vídeo.

À reportagem, Stringasci afirmou que os pleitos incluem ainda o julgamento da constitucionalidade da lei do piso mínimo do frete rodoviário pelo Supremo Tribunal Federal o que dará segurança às fiscalizações feitas pela ANTT, a mudança da política de preço dos combustíveis praticada pela Petrobras, a não cobrança de pedágio a caminhões com eixo erguido em casos de tráfego sem mercadoria.

“A categoria também questiona qual será a posição que o governo vai adotar diante de toda essa situação de preços absurdos do combustível, com o diesel já passando R$ 8 por litro na região”, disse o presidente da ANTB.

O presidente da Abrava, Wallace Landim, conhecido como Chorão, refuta a participação de caminhoneiros e alerta para “irresponsabilidade” de um movimento nacional neste momento. “Diante do cenário crítico no País, uma paralisação neste momento prejudicaria a sociedade. A categoria busca medidas junto ao governo federal para mitigar a crise econômica que atinge os caminhoneiros, como redução de ICMS do diesel, o preço dos pedágios, mas parar neste momento poderia provocar caos no país”, afirmou Chorão.

O risco, segundo ele, é de suspensão das atividades de transporte por falta de combustíveis. “Se não houver medidas do governo, o risco é parar por falta de diesel. As distribuidoras diminuíram a entrega nos postos e já há locais sem combustível a pronta entrega”.

De acordo com o presidente da Abrava, caminhoneiros relatam aumento de 25% a 26% no preço do diesel nos últimos dez dias, com incremento em média de R$ 1,64 por litro, desde o início no conflito do Irã. “Isso é muito ruim para categoria justamente em momento de escoamento de safra no Centro-Oeste, quando o transportador precisa do diesel para carregamento das cargas”, afirmou.

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos de Cargas (Conftac) informou em nota que “após reuniões estratégicas com as principais lideranças do setor, não há qualquer indicativo de paralisação ou greve da categoria para hoje”. “Embora exista uma preocupação real com a recente alta no preço do diesel, impulsionada pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio, a entidade reforça que os rumores de greve não passam de especulação, mantendo o compromisso com o diálogo e a estabilidade do transporte de cargas no país”, esclareceu a Confederação.

Na região do Porto de Santos, caminhoneiros se reunirão na próxima segunda-feira (16) para tentarem entendimento quanto à atual situação da categoria, o que inclui o aumento especulativo do diesel, e buscar uma solução conjunta, informou o presidente o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam-Santos), Luciano Santos. “Manifestação será apenas em último caso”, disse.

O diretor-presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), Plínio Dias afirmou que a categoria busca medidas estruturantes, além do impacto atual do preço do diesel. As entidades reconhecem, contudo, que lideranças mais inflamadas da categoria podem mobilizar ações localizadas e regionais.

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Assuntos Caminhoneiros, diesel, greve, rodovias
Cleber Oliveira 12 de março de 2026
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