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Dia a Dia

Calor extremo atinge 1 bilhão de pessoas a mais do que nos anos 1970

23 de junho de 2026 Dia a Dia
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Na Região Norte, calor deve predominar na maior parte dos estados (Foto: Valter Calheiros/AM ATUAL)
Calor extremo tem gerado estresse térmico e atingido mais pessoas por mais tempo (Foto: Valter Calheiros/AM ATUAL)
Por Luis Filipe Santos, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – O calor extremo atinge mais pessoas, por mais tempo, e mais frequentemente do que na década de 1970 devido às mudanças climáticas, afirma estudo publicado na revista Nature Climate Change nesta segunda-feira (22).

De acordo com o levantamento feito por Rebecca Emerton e colegas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), a porcentagem de pessoas no mundo que sofre exposição a pelo menos um dia de estresse térmico extremo por ano cresceu de 16% para 22%, o que, levando em conta o aumento da população mundial no período, significa um bilhão de pessoas a mais sofrendo com temperaturas extremamente altas.

O estresse térmico é definido no estudo como a quantidade de calor que afeta uma pessoa. Além da temperatura, outros fatores devem ser levados em conta, como umidade, vento, radiação solar e a resposta do organismo de cada indivíduo. Por isso, o Índice Climático Térmico Universal (UTCI, na sigla em inglês) classifica dez categorias de estresse térmico, do frio ao calor extremo, com base nos impactos sobre o corpo humano.

O estudo de Emerton e equipe traz outros dados alarmantes. Na década de 1970, 55% da população mundial enfrentava pelo menos 90 dias de estresse térmico considerado “forte” por ano; esse número subiu para 70% atualmente (ou seja, cerca de 5,8 bilhões de pessoas).

O número de dias de estresse térmico aumentou, com algumas regiões registrando até 50 dias adicionais de estresse térmico por ano e uma temporada de estresse térmico mais prolongada.

As noites mais quentes do ano estão se aquecendo mais rapidamente (aumento de 0,32 °C por década) do que os dias mais quentes (0,27 °C por década) na média global, e os eventos combinados de dias e noites de estresse térmico estão se tornando mais frequentes, severos e prolongados em todos os continentes, principalmente na Europa e na África.

Os autores explicam porque esse dado é importante: períodos de estresse térmico durante o dia, com pouco alívio durante a noite, podem ter graves implicações para a saúde e a mortalidade, e as evidências indicam que a duração da exposição ao estresse térmico é um fator importante para a saúde humana.

Conforme definição do relatório, o calor é a principal causa de mortalidade ligada às questões climáticas em escala global.

Sobre a América do Sul, o estudo avaliou que em boa parte do continente, incluindo no Brasil, a sensação térmica máxima nos dias mais quentes subiu de 2°C a 4°C desde os anos 1970. À noite, nos mesmos períodos, a mínima percebida aumentou de 1°C a 3°C.

O estresse térmico extremo ocorre agora 2,5 vezes mais frequentemente na América do Sul, e regiões subtropicais, como o sul e parte do Sudeste do Brasil, agora registram até 50 dias a mais por ano com estresse térmico considerado pelo menos “forte”.

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Assuntos alta temperatura, calor extremo, destaque, estresse térmico, sensação térmica
Cleber Oliveira 23 de junho de 2026
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