
Do ATUAL
MANAUS – O Atlas da Violência registra queda nos índices gerais de homicídios no Amazonas em 2024, mas mostra cenário diferente dos povos indígenas: a violência letal nesse grupo dobrou em apenas um ano. O Atlas da Violência é elaborado Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A taxa geral de homicídios no estado caiu de 38,1 para 32,2 por 100 mil habitantes entre 2023 e 2024, redução de 15,5%. Em números absolutos, foram 229 mortes a menos, uma das maiores quedas do país no período.
Mas os dados sobre indígenas mostram o contrário. No mesmo período, os homicídios de indígenas no Amazonas passaram de 36 para 73 casos, alta de 123,4%. A taxa subiu de 21,4 para 47,8 por 100 mil indígenas.
O Atlas registra que esse resultado indica agravamento da violência contra indígenas no estado, que tem a maior população de povos originários do Brasil. O relatório identifica áreas críticas de violência contra indígenas no país, com a Região Norte entre as mais afetadas e o Amazonas como um dos casos mais recentes e intensos de crescimento.
No longo prazo, o quadro geral também preocupa. Entre 2014 e 2024, a taxa de homicídios no Amazonas caiu apenas 5,3%, abaixo da média nacional de 33,4% no mesmo período. O estado chegou a 45,4 homicídios por 100 mil em 2021 e está acima da média brasileira, que em 2024 foi de 20,1.
No recorte de gênero e raça, o Amazonas registrou queda de 38,3% nos homicídios de mulheres negras entre 2023 e 2024, uma das reduções mais expressivas do país nesse indicador.
Em outro recorte, o Atlas chama atenção para as taxas de homicídio de mulheres não negras no Amazonas e em Roraima, que estão acima de 6 por 100 mil, nível elevado para esse grupo.
