Brumadinho é mais um caso da prevalência da irracionalidade e da negligência daqueles que dizem saber explorar atividades econômicas com responsabilidade ambiental, mas que na realidade provam o contrário. Não é mais possível aceitar tamanhas falácias. As consequências sociais, econômicas e humanas são profundamente devastadoras e dolorosas.
Os apelos globais de Estocolmo (1972), Ri0-92 e Rio+20, não têm surtido os devidos efeitos para resguardar a qualidade ambiental no planeta e muito menos no Brasil. Comunidades de Brumadinho, tal como em distrito de Mariana há pouco tempo, são as mais recentes vítimas de um problema que há tempos já deveria estar equacionado para a segurança de todos na região.
Mais uma vez a empresa “Vale do Rio Doce” está envolvida. De nada aproveitou nem valeu a desastrosa experiência anterior. Uma empresa que reiteradamente faz questão de demonstrar seu desinteresse pela segurança do meio ambiente e das pessoas situadas nas regiões em que desenvolve sua atividade exploração mineral. Parece não se importar com “a galinha dos ovos de ouro”, vez que tudo isso repercute também em sua credibilidade de empreendedora ambientalmente responsável e no preço de suas ações.
No rastro de destruição nada é poupado: solo, água dos rios, flora, fauna, diversidade biológica, ecossistemas, dentre outros bens essenciais à sadia qualidade de vida, apesar das tardias iniciativas. À gravidade da negligência na gestão ambiental de suas barragens, assomam-se outros problemas de cunho social e humano: mortes de funcionários, trabalhadores em parceria, dilaceração de famílias, desassistência social, vulnerabilidade de dependentes, violência… Irreparáveis brumas de destruição. Todas as medidas para mitigar os danos sofridos devem ser tomadas, bem como para prevenir outros horrendos episódios. Porém, há certas perdas cuja reparação é simplesmente impossível. Dolorosas e permanentes brumas que poderiam ter sido evitadas

A tela expressionista “O grito” (1893), obra de Edvard Munch (1863-1944), pintor norueguês, serve de inspiração para que a consciência ambiental reflita-se em novas práticas e compromissos com vistas a protege o ambiente planetário. Segundo trecho do diário de Munch, a preocupação com a natureza teria sido a inspiração original da tela “O grito”. Diz Munch:
“Passeava com dois amigos ao pôr do sol – o céu ficou de súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a mureta – havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fiorde e sobre a cidade –; os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da Natureza.”
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