Brasilianisches: festival celebra a cultura brasileira na Áustria

Vanessa Noronha quer derrubar esteriótipos em festival (Foto: Patrícia Borges/Divulgação)
Vanessa Noronha quer derrubar esteriótipos em festival (Foto: Divulgação)

Por Patrícia Borges, especial para o ATUAL

VIENA – Há seis anos, austríacos e brasileiros se unem no evento de maior relevância na difusão da cultura brasileira na Áustria. Trata-se do Brasilianisches Kulturfestival Wien – Festival Cultural do Brasil em Viena.

Promovido pela Verein Papagaio – Sociedade Austro Brasileira de Educação e Cultura, em parceria com a Embaixada Brasileira na Áustria e o Weltmuseum Wien (maior museu de etnologia do mundo), o Brasilianisches incentiva o intercâmbio cultural por meio da arte estimulando o diálogo entre os povos, apresentando manifestações que melhor representam o Brasil e derrubando estereótipos sobre a cultura brasileira.

Desde a primeira edição em Viena (2013), o festival apresenta uma ampla programação artística, promove oficinas, debates, exposições, workshops, palestras e mesas literárias. Além da capital austríaca, o evento  já foi realizado nas cidades de Lieboch, Graz e Gmünd.

Em entrevista ao Amazonas Atual, Vanessa Noronha Tölle, fundadora da Sociedade Papagaio e idealizadora do Kulturfestival, disse que tudo é feito com muita vontade e sem fins lucrativos. “O festival não tem patrocinadores, temos apoiadores que concedem apoio institucional e a estrutura do evento. Para compor a programação, convido a comunidade brasileira na Áustria e também participantes que vêm do Brasil. A estes, concedo carta convite e documentações necessárias para que adquiram verba por meio de editais públicos ou patrocínio de instituições. Artistas em rota pela Europa também são muito bem-vindos ao Festival”, explicou.

Segundo Vanessa, a cultura amazônica também já esteve presente no festival em 2017 que aconteceu em Gmünd com representação de lendas amazônicas. A produtora pontua ainda que o evento promove a diversidade cultural do Brasil e está de portas abertas para receber artistas do Amazonas.

Natural de Brasília, Márcio Ferreira, o Contramestre Zangão, do grupo de Capoeira Senzala, vive há cinco anos em Viena, onde ensina capoeira. Em novembro do ano passado, ele ministrou um workshop na sexta edição do festival. Segundo Zangão, o evento é uma forma de integração entre culturas diferentes conduzida por diversas modalidades artísticas como danças folclóricas, coral, capoeira e literatura brasileira.

“Ter participado do festival foi muito prazeroso. Pude divulgar cada vez mais a capoeira, proporcionando um sentimento de alegria e interesse pela cultura brasileira, consequentemente conhecendo novas pessoas e podendo também expandir o meu trabalho. Após o festival, pessoas procuraram a minha associação para experimentar o treino de capoeira aqui em Viena. A receptividade do público vienense foi muito legal, todos participaram com palmas na hora do canto”, disse.

A edição de 2018 também contou com a presença doembaixador do Brasil, Ricardo Neiva Tavares, a apresentação do concerto musical do duo João Omar e João Liberato pelo Projeto Brasil na Lapa do Mundo (com o apoio do Governo da Bahia), mostra de cinema com animação brasileira e homenagem ao cineasta Chico Liberato. 

Trajetória

Com quase de 1,9 milhão de habitantes, Viena abriga, aproximadamente, 1.688 brasileiros, segundo estimativa do Itamaraty de 2015. Vanessa Tölle explica que se sentiu instigada ao perceber que muitos desses brasileiros pouco conhecem a diversidade cultural do País. “Quando cheguei aqui (Viena) comecei a perceber, dentro da comunidade brasileira, a falta de conhecimento da sua própria diversidade. Além disso, muitas vezes, quem é do Sul pouco conhece sobre o Norte ou o Nordeste e vice-versa. Como um brasileiro nunca ouviu falar do Maracatu? Não sabe o que é o Carimbó?” indaga.

Sergipana residente em Viena há 13 anos, Vanessa é pedagoga e desenvolveu um projeto para ministrar aulas de Língua Portuguesa a crianças. Em 2010 o projeto foi apresentado à Embaixada Brasileira na Áustria que apoiou a proposta surgindo, assim, a Verein Papagaio – Sociedade Austro Brasileira de Educação e Cultura, organização não governamental, sem fins lucrativos para ensino da Língua Portuguesa e divulgação da cultura do Brasil na Áustria.

“Eu percebi que minhas aulas de Português não poderiam ficar só na gramática, e comecei a mostrar elementos da cultura brasileira como o Maracatu, o Maculelê, por exemplo. Com a Papagaio conseguimos também implementar o ensino de Português em escolas públicas quando requerido por brasileiros da comunidade”, disse.

Desde então, a ideia de organizar um evento que exaltasse a cultura do Brasil fazia parte dos planos de Vanessa e da Sociedade Papagaio. Após conhecer a antropóloga e curadora do Weltmuseum, Dra. Cláudia Augustat, não demorou muito para que os planos se realizassem. Para este ano, segundo Vanessa, o Festival contará com uma edição especial e a produção já está em andamento.

“O ensino do Português e o Festival são os dois carros-chefes da Verein Papagaio que, este ano, completa dez anos de atuação. Vamos comemorar dentro do Festival. Desde o ano passado recebo e-mails de artistas interessados em somar com o Festival. Com esses contatos já tenho uma pré-programação. Quando termina um Festival, já iniciamos a produção do próximo. É uma loucura, pela qual sou apaixonada”, finalizou a pedagoga.

Duo de João Omar e João Liberato  no festival (Foto: Patrícia Borges/Divulgação)
Duo de João Omar e João Liberato no festival (Foto: Divulgação)

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