
Da Redação
MANAUS – Insegurança pública, crise política, corrupção e exclusão social formam o ambiente fértil para o apoio a teses autoritárias no Brasil, revela a pesquisa ‘Medo da Violência e Autoritarismo no Brasil’, elaborada pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública). A entidade elaborou o Índice de Propensão ao Apoio de Posições Autoritárias.
Os dados são baseados em pesquisa do Datafolha. Em uma escala de zero a 10, a sociedade brasileira atinge o elevado índice de 8,1 na propensão a apoiar posições autoritárias.
“Vivemos amedrontados pelo crime e pela violência e, em um momento de profunda crise de legitimidade das instituições democráticas, estamos sob ataque de grupos que professam sua fé na violência como forma de governar e de, paradoxalmente, pacificar a sociedade, emulando uma espécie de vendeta moral e política que nunca tem fim e que parece ganhar cada vez mais adeptos ao reverberar ódios, preconceitos e intolerância”, diz o FBSP em trecho do relatório.
Essas teses são consideradas ‘vendetas’ que, não obstante as evidências contrárias, desconsideram a arquitetura institucional da segurança pública e da justiça criminal; desconsidera, sobretudo, dinâmicas sociais que aceitam a violência doméstica, a violência de gênero, a violência agrária, as agressões nos bares, no transporte público e/ou a dos vários outros conflitos interpessoais que extrapolam a tradicional imagem das polícias versus os ‘bandidos’, cada vez mais ‘organizados’, ‘audaciosos’ e ‘perigosos’.
“Nesse processo, com o domínio crescente das Redes Sociais, as diversas narrativas políticas e ideológicas em disputa são potencializadas e o Brasil vai sendo vendido como ‘terra devastada’, na qual as saídas são sempre mais simplistas e de cunho salvacionista”, avalia a entidade.
O FBSP diz que tem procurado repetidamente mostrar que o drama da violência, em especial aquela que gera cerca de 60 mil mortes intencionais anuais e faz com que mais de 50 milhões de pessoas que compõem a população adulta do país conheçam pessoas que foram assassinadas não mobiliza a sociedade e, por conseguinte, revela que ela aceita que determinados segmentos sociais e demográficos sejam tidos como cidadãos de ‘segunda classe’ ou “matáveis” (pobres, jovens, negros e negras, população LGBT, entre outros).
“Compreendemos que o Brasil sempre tratou a violência de modo banal vide os diversos casos de linchamentos coletivos que são datados desde o período colonial. Caminhando para o final da década de 2010, pode ter havido uma maior visibilidade dos casos por conta das redes sociais e da organização de grupos que propagam e defendem a violência como forma de autorregulação social, sendimentando a banalidade da vida que rege o nosso cotidiano e com a permanência da violência como marca societária do país”, diz o relatório do FBSP.
Confira o estudo na íntegra.
