
MANAUS – O Brasil passa por um momento histórico. Depois da vitória sobre a Ditadura Burguesa-Militar, o Brasil realiza a sua 10ª eleição presidencial. Durante aquele período ditatorial em que predominou a crueldade fria, o silêncio forçado e a violação sistemática dos direitos humanos, o Brasil era impedido de escolher os seus representantes políticos, inclusive o presidente da República.
As decisões sobre a nação eram tomadas por pessoas totalmente alheias as necessidades da população. Essas decisões eram aplicadas de cima para baixa impondo derrotas, humilhação e mortes a toda a sociedade brasileira.
Durante os 21 anos de ditadura, tivemos que suportar a falta de liberdade de expressão, o desaparecimento e assassinatos de muitos cidadãos, a perseguição cotidiana, enfim a humilhação estabelecida pelas elites brasileiras e pelos Estados Unidos da América. Não era permitido pensar livremente, atuar politicamente, lutar pelos nossos direitos.
As riquezas que produzíamos eram drenadas para as classes mais poderosas e não podíamos nem reclamar. Tivemos que resistir, pois essa era a única solução que tínhamos. Resistindo, articulando, lutando e sofrendo conseguimos vencer esse tempo sombrio, redemocratizando o Brasil.
A vida para o brasileiro nunca foi fácil. Sempre houve desafios e dificuldades, mas sempre houve também a vontade de vencer. A democracia foi uma dessas conquistas alcançadas e festejadas. Ao longo do tempo democrático, também passamos por muitos reveses, mas conseguimos superar com esforço. Atrás dessas tentativas de retrocesso sempre foi muito forte a atuação egoísta das elites brasileiras, a omissão dos principais meios de comunicações, a traição à Constituição da República, o ódio aos pobres, aos indígenas e aos negros.
As eleições de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff foram outras dessas conquistas inegáveis, que trouxeram consigo a melhoria da qualidade de vida das populações mais pobres através de dezenas de políticas sociais. Não é o caso de relacionar todas essas políticas aqui, mas sentimos que melhoramos as nossas condições de saúde, de educação, de moradia e de trabalho. A pobreza diminuiu, o desemprego quase desapareceu, conquistamos respeito e admiração internacionais. Tornamo-nos liderança e referência na América Latina.
O período dos governos Michael Temer e Jair Bolsonaro foi outro desses reveses indesejados da história que tivemos de superar para salvar a nossa cidadania e democracia. Neste período obscuro, nos deparamos com golpes e tentativas de golpes, aumento da fome, do desemprego, da devastação ambiental, a elevação dos índices de pobreza e miséria, o desmonte da educação pública, a adoção da necropolítica frente à Pandemia da Covid-19.
Lula retornou novamente pelos votos do povo brasileiro. Nos últimos quatro anos, o Brasil iniciou um processo de resgate da sua cidadania, recobrando o respeito internacional e a estima mundial. A pobreza começou novamente a diminuir, a educação ganhou fôlego, o desemprego sofreu forte queda, as políticas sociais foram retomadas e ampliadas, o meio ambiente se tornou preocupação de Estado, a saúde saiu da UTI, a redução da jornada de trabalho foi conquistada. O Brasil novamente retoma o caminho da superação.
Nessas eleições, os brasileiros e brasileiras se deparam mais uma vez diante da necessidade de lutar pela democracia e pelo bem comum, votando no candidato das conquistas. Inácio Lula da Silva novamente é convocado pela população para continuar fazendo as melhorias necessárias, pensando nos setores mais pobres e marginalizados do país e levando em consideração a proteção dos nossos biomas naturais.
Nas eleições de outubro, a luta pela democracia e contra a pobreza se torna novamente a preocupação da nação frente aos oportunistas que nunca fizeram nada pelo Brasil e estão sempre buscando formas de sabotar as conquistas brasileiras e prejudicar o povo tupiniquim.
Sandoval Alves Rocha é doutor em Ciências Sociais pela PUC-RIO. Participa da coordenação do Fórum das Águas do Amazonas e associado ao Observatório Nacional dos Direitos a Água e ao Saneamento (ONDAS). É membro da Companhia de Jesus/Jesuítas e professor da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).
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