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Dia a Dia

Brasil não suporta mais ser enxovalhado e rotulado de vilão ambiental, diz Mourão

18 de maio de 2021 Dia a Dia
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O vice-presidente Hamilton Mourão na quarta reunião do Conselho Nacional da Amazônia Legal, em fevereiro (Foto: Bruno Batista / VPR)
Ricardo Della Coletta, da Folhapress

BRASÍLIA, DF – O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou nesta terça-feira, 18, que o Brasil “não suporta mais ser enxovalhado e rotulado de vilão ambiental por conta de erros cometidos no passado na ocupação da Amazônia”. Falando em um simpósio sobre o bioma, ele fez ainda uma defesa de políticas de ocupação da Amazônia adotadas pelos governos militares.

Esse entendimento sobre o país seria “habilmente orquestrado por grupos políticos e econômicos, a quem convêm manter o Brasil acossado na defensiva, tentando justificar suas ações na região como se fôssemos maus inquilinos da propriedade alheia”, disse.

Além de vice-presidente, Mourão comanda o Conselho da Amazônia, que tem por objetivo coordenar ações do governo no combate a ilícitos ambientais no bioma.

O governo enfrenta forte pressão no flanco internacional por conta do avanço do desmatamento na Amazônia.

Segundo dados do Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o desmatamento no bioma bateu recorde recente em abril. O mês foi também o pior da série histórica atual, que tem início em 2015 –os dados anteriores eram menos precisos.

Em sua fala, Mourão fez ainda uma defesa da política de ocupação da Amazônia pelo governo militar –chamado pelo vice de “movimento de 1964”.

“Era um projeto de Estado que originalmente previa a ocupação ordenada, gerando um arco de humanização, que protegeria a floresta, com um desflorestamento controlado, utilização racional do solo e subsolo bem como da biodiversidade”, disse.

Mourão lamentou que os governos pós-ditadura tenham abandonado essas políticas e argumentou que, caso a linha tivesse sido mantida, “seguramente teríamos resultados sustentáveis, ocupação ordenada e uso adequado do solo, subsolo e biodiversidade”.

“Todos os projetos de Estado idealizados pelo movimento de 1964 foram deliberadamente abandonados, deixando os projetos de assentamento e colonização agrícola da Amazônia à própria sorte e à mercê de grileiros, posseiros e grandes latifundiários. Gerando uma ocupação desordenada e predatória da região”, afirmou.

A interpretação de Mourão contrasta com a opinião de ambientalistas que, entre outros pontos, apontam que a abertura de estradas pela ditadura no período intensificou o processo de desmatamento ilegal, além de ocupação desordenada do território.

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Assuntos desmatamento, Floresta Amazônica, Hamilton Mourão, queimadas, violão ambiental
Redação 18 de maio de 2021
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