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Economia

Bradesco nega ter retido crédito e diz que emprestou mais do que o liberado pelo Banco Central

13 de abril de 2020 Economia
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Bradesco informou que já atingiu 20% do potencial de empréstimos para a linha de folhas de pagamento (Foto: Google/Reprodução)
Da Folhapress

SÃO PAULO – O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior, afirmou que o banco fez R$ 32,8 bilhões em novas operações de crédito -volume R$ 6,4 bilhões maior do que o montante liberado pelo Banco Central por meio de compulsórios- e que, portanto, não há liquidez represada na instituição.

As instituições financeiras estão sob forte crítica de empresas de todos os portes, que relatam dificuldade de acesso a crédito e aumento nas taxas de juros após a adoção de medidas de controle do coronavírus.

“De março para cá, foram R$ 26,4 bilhões liberados em compulsório pelo Banco Central e o Bradesco contratou R$ 32,8 bilhões em novas operações, sem considerar as renegociações feitas pelo banco. Não há represamento de liquidez. Emprestamos até mais do que houve de liberação de compulsório, e sempre com a ideia de manter o banco capitalizado”, afirmou Lazari em teleconferência nesta segunda-feira, 13.

Em março, o Banco Central reduziu o compulsório obrigatório dos bancos de 31% para 25% como parte das medidas para ampliar a liquidez do mercado e garantir que haveria crédito durante a crise da Covid-19.

Depósitos compulsórios são a parcela do valor investido por clientes no banco -em um CDB (Certificado de Depósito Bancário), por exemplo- que as instituições precisam depositar no BC como forma de um seguro. Reduzindo essa fração, a capacidade do banco de fazer novos financiamentos aumenta.

Ainda segundo o presidente do Bradesco, o banco já contabilizou 1,1 milhão de pedidos para renegociação de empréstimos e já atingiu 20% do potencial de empréstimos para a linha de folhas de pagamento do banco, que abrange cerca de 54 mil empresas e que começou a ser liberada em 6 de abril.

A linha de empréstimos para folhas de pagamento foi parte de uma MP (medida provisória) anunciada pelo governo em 3 de abril, que liberou R$ 40 bilhões em crédito -sendo 85% destes recursos financiados pelo Tesouro Nacional e 15% pelos bancos- para ajudar empresas com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões a pagarem o salário de seus funcionários em meio à pandemia do coronavírus.

Já a renegociação dos contratos foi uma ação anunciada em 16 de março pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e consistia em adiar os vencimentos de dívidas de clientes pessoas físicas e micro e pequenas empresas por até 60 dias.

De acordo vale para contratos vigentes e com pagamento em dia. Caso o banco queira estender o benefício para contratos atrasados, pode fazê-lo. Mas isso depende dos critérios estabelecidos por cada banco.

Segundo Lazari, a expectativa é que, a depender da duração da crise causada pelo novo vírus, há grandes possibilidades de que novas prorrogações de prazo sejam feitas.

“Se todo esse cenário se prolongar para maio ou junho, daremos mais 60 dias para que as pessoas possam pagar suas operações com mais tranquilidade”, disse.

O executivo também não descarta a possibilidade de alta da inadimplência e afirmou que fará provisionamento (reserva de recursos) para enfrentar o cenário dos próximos meses, sendo que esse panorama também poderá se estender para 2021.

Sem dar mais detalhes, os executivos do Bradesco também afirmam que há uma análise de crédito mais rigorosa por parte do banco e que novas variáveis são consideradas nesta avaliação de forma a possibilitar a concessão de novos empréstimos.

A divulgação dos resultados do primeiro trimestre do banco está prevista para 30 de abril.

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Assuntos banco central, Bradesco, crédito
Redação 13 de abril de 2020
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