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Augusto Barreto Rocha

BR-319 entre o discurso ambiental e a decisão política

13 de abril de 2026 Augusto Barreto Rocha
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MANAUS – Finalmente vai sair a obra de recuperação da BR-319? É difícil acreditar. Entretanto, sempre esteve muito claro que não era um problema técnico, jurídico ou orçamentário. Sempre se tratou de uma questão política e executiva. Querendo fazer, a obra sairia. A questão é que a costura política não era nada trivial.

Ora existia falta de dinheiro, porque o dinheiro iria para as regiões mais ricas do país e com isso surgiam as desculpas. Em outro momento, a política era mais ambientalista e assim, com projetos descuidados com o meio ambiente, levava-se o assunto para o judiciário facilmente interromper as obras. E os políticos fugiam da política, colocando a culpa na justiça. Em outros momentos, predominava a pouca preocupação ambiental, mas, neste caso, não se tinha a intenção de alocar investimentos na Amazônia. Assim, mais uma vez, o problema era do judiciário, para paralisar as ações, por falta de orçamento ou de projetos apropriados.

O efeito era sempre o mesmo: nada fazer. Isso sem falar nos embates políticos regionais. Factualmente, não era uma preocupação ambiental, social ou econômica. A dinâmica era uma política amazônica enfraquecida, de proteção pela inação e do uso do judiciário para interromper as forças políticas contrárias, com foco no descuido ambiental ou no descuido econômico. Era o predomínio ao desprezo da Amazônia e do interesse de suas populações.

 Foi necessário mudar o marco legal ambiental, trocando as leis de regulagem que influenciam esta obra, neutralizando os descuidos de projetos de engenharia e a força da política ambiental. Foi necessário unir as forças políticas regionais, para decidir fazer a obra, pois, no passado, havia divergência nas lideranças, onde uns queriam, outros não aceitavam. Adicione-se a isso uma liderança nacional defendendo a Amazônia, por mais que para alguns ambientalistas isso pareça um contrassenso.

Ao que tudo indica, parece que a lei parou de ser um impeditivo. O orçamento apareceu. O meio ambiente parece ser prioridade. O social parou de ser desprezado. Com estas quatro questões, a rodovia certamente será recuperada. A política lidera o tripé da sustentabilidade. Sem esta concertação, não haveria como a obra acontecer. Será que finalmente o asfaltamento do trecho do meio da BR-319 acontecerá? Em minha opinião – e posso mudar de ideia no futuro – finalmente, chegou o momento. A obra sairá. Quando uma cerimônia política firmar esta ordem de serviço, como decisão executiva federal, conjugada com o compromisso do Amazonas e de Rondônia: a obra começará a ser feita.

Passaremos então para a outra fase: assegurar a sua conclusão e defender as salvaguardas ambientais. Está na hora de começar os diálogos com todos os municípios de seu entorno. Está na hora de começar a construção das proteções ambientais e sociais para garantir o êxito econômico e proteger a floresta. Está na hora do diálogo de quem quer fazer, mas respeita a economia, o ambiente e as pessoas. Precisamos seguir a construção republicana. Enquanto este equilíbrio estiver de pé, teremos tido sucesso. Fora dele, não há o que celebrar. É preciso fazer a rodovia, para as sociedades, atendendo ao requisito econômico e com respeito ao meio ambiente.


Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, onde é responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Amazonas, asfaltamento, BR-319, Meio Ambiente
Valmir Lima 13 de abril de 2026
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