
Do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – Não teve um torcedor do Botafogo que não se lembrou do fatídico jogo contra o Palmeiras em 2023. Depois de uma primeira etapa avassaladora e ir para o intervalo com 3 a 0 no placar, voltou para o segundo tempo desligado, mas invés de uma derrota dolorida, cedeu o empate ao Mirassol por 3 a 3, nesta quarta-feira (17), em jogo atrasado da 12ª rodada do Brasileirão. O técnico Davide Ancelotti foi muito vaiado no Estádio Nilton Santos.
Em 2023, em um segundo turno para se esquecer, na final antecipada contra o Palmeiras, chegou também a abrir 3 a 0, porém viu o então garoto Endrick comandar uma virada histórica por 4 a 3 e praticamente tirar o título do time carioca naquela temporada. Desta vez, o cenário foi parecido, porém não terminou com a derrota, mas o suficiente para instaurar uma crise no Botafogo.
O técnico Davide Ancelotti vinha sendo contestado no cargo desde a eliminação para o Vasco na Copa do Brasil e agora a pressão sobre seu trabalho aumentou ainda mais. O empate deixou o Botafogo em quinto lugar, com 36 pontos.
Enquanto isso, o Mirassol, sensação do Brasileirão, defendeu o quarto lugar onde está com 38 pontos na tabela. O time paulista, que faz sua estreia na elite nacional, vem sendo uma grata surpresa, principalmente por não se abater em jogos grandes e em buscar uma reação mágica no Rio de Janeiro, que entrará para a história do clube do interior de São Paulo.
O jogo
O Botafogo entrou em campo ligado nos 220 volts. Buscando o ataque desde o primeiro minuto, já dava mostras do que seria a sua proposta de jogo. Dando campo ao adversário, até levou um susto do Mirassol, em chute colocado de José Aldo, defendido por Léo Link. A estratégia de explorar o contra-ataque surtiu efeito cedo e com 11 minutos, abriu o placar. Santi avançou e serviu Savarino marcar com um belo chute colocado.
Vertical e efetivo, o time carioca tinha paciência necessária para recuperar a bola e armar o contragolpe, Em novo contra-ataque, Savarino teve o chute bloqueado e a bola sobrou para Chris Ramos ampliar, aos 30. O time paulista tentou uma reação, mas novamente Leo Linck fez grande defesa, em chute de Danielzinho. Na sequência, outro contra-ataque letal do time carioca. Savarino tocou para Chris Ramos, no rebote Montoro conferiu para as redes, aos 39, confirmando um bom primeiro tempo do Botafogo.
Entretanto, o Botafogo voltou muito desligado do intervalo e viu um Mirassol corajoso e muito eficaz empatar a partida com 15 minutos. Com menos de um minuto, Chico da Costa, na sua primeira participação em campo, tabelou com Negueba e diminuiu, Depois foi a vez de Jemmes aproveitar a sobra na entrada da área e marcar um belo gol da entrada da área, aos 11. Na sequência, a defesa do Botafogo cochilou novamente e Lucas Ramon, de cabeça, deixou tudo igual.
Depois do empate, o jogo ficou tenso para o time carioca. Com muitas vaias no decorrer da partida, o time se abalou profundamente e não conseguiu ter uma sequência de troca de passes, que tirava ainda mais a paciência da torcida. O drama aumentou quando na reta final, o VAR recomendou um pênalti para o Mirassol de Cuiabano em João Victor, mas o árbitro foi ao monitor e interpretou impedimento do zagueiro antes da falta cometida. Os últimos minutos foram de total apreensão, com o time paulista com a posse de bola e abusando da bola área, mas o fatídico jogo de 2023 não se repetiu, porém não evitaram as vaias sonoras após o apito final.
Pela 24ª rodada, o Botafogo volta a campo no sábado, quando recebe o Atlético-MG no mesmo Estádio Nilton Santos, às 18h30, no Rio. Já o Mirassol atua no domingo, diante do Juventude, em casa, no Estádio Campos Maia, no interior paulista.
Botafogo
Léo Linck; Vitinho, Kaio, Alexander Barboza e Alex Telles (Cuiabano); Marlon Freitas, Danilo (Newton), Montoro (Jeffinho) e Savarino (Matheus Martins); Chris Ramos e Santiago Rodríguez (Mastriani). Técnico: Davide Ancelotti.
Mirassol
Walter; Lucas Ramon, Jemmes, João Victor e Reinaldo; Neto Moura (Yago Felipe), Danielzinho e José Aldo (Shaylon); Negueba (Carlos Eduardo), Cristian (Chico da Costa) e Alesson (Edson Carioca). Técnico: Rafael Guanaes.
