
Por Felipe Campinas e Teófilo Benarrós de Mesquita, do ATUAL
MANAUS – Bolsonaristas foram retirados da entrada do CMA (Comando Militar da Amazônia), na zona oeste de Manaus, onde estavam acampados desde outubro do ano passado, após a prefeitura da capital amazonense concluir a retirada do material usado por eles no local, na tarde desta segunda-feira (9).
A juíza Jaiza Fraxe, da Justiça Federal no Amazonas, havia ordenado a desocupação do local até às 18h desta segunda-feira (9). Policiais militares foram ao local acompanhar a remoção do acampamento e cumprir a ordem judicial.
A área deverá monitorada pelas forças de segurança do estado para impedir o retorno dos manifestantes, conforme decisão de Jaiza Fraxe.
A maioria dos bolsonaristas foi transportada para casa em micro-ônibus da Prefeitura de Manaus. Um grupo de dez golpistas ainda resistiu em deixar o local, mas foi embora logo em seguida.
Os bolsonaristas estavam acampados desde a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 30 de outubro. Eles não aceitam o resultado do pleito e pediam intervenção militar.
O portão de entrada do CMA foi ocupado pelos bolsonaristas e o entorno transformado em acampamento com a presença de fogão, churrasqueira, colchonetes, caixa d’água e freezer.
Nas primeiras semanas de manifestação, o barulho incomodou moradores do entorno do quartel. Usando um carro de som, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro cantavam e gritavam palavras de ordem contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e contra o presidente Lula.
Em novembro de 2022, o repórter fotográfico Ricardo Oliveira registrou crianças dormindo no chão, no acampamento. Fotos mostravam pedaços de papelão e panos no chão como camas improvisadas.
No mesmo mês, Jaiza Fraxe determinou que a prefeitura, o governo federal e o Governo do Amazonas adotassem imediatamente obrigações legais para cessar com urgência a ocupação de área em frente ao CMA. A decisão, no entanto, não foi cumprida.
Ainda em novembro, um motorista foi preso após tentar atropelar os bolsonaristas. O homem avançou contra os cones que delimitavam o espaço dos manifestantes no trecho da Avenida Coronel Teixeira, em frente ao CMA. Ninguém ficou ferido.
Em nova decisão, proferida nesta segunda-feira (9), Fraxe determinou a retirada imediata dos golpistas do local. A magistrada considerou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), proferida neste domingo, após atos de vandalismo em Brasília, que ordenou a dispersão de acampamentos nas proximidades de quarteis em todo o país.
Fraxe afirmou, na decisão, que tentou realizar inspeção judicial no local neste domingo (8), mas não conseguiu porque a Avenida Coronel Teixeira havia sido fechada pelos manifestantes.
Nesta segunda-feira, policiais militares chegaram pela manhã no local para negociar a retirada do grupo, que inicialmente se negou a deixar o local.
Por volta de 10h30, mais viaturas da polícia chegaram ao acampamento. O secretário de Segurança Pública do Amazonas, Carlos Alberto Mansur, também esteve no local para acompanhar a negociação.
A retirada dos materiais começou por volta de 11h30. Funcionários da prefeitura colocaram os equipamentos em um caminhão.
O local em que era preparado o alimento dos manifestantes exalava mal cheiro.
Mesmo com a forte chuva em Manaus, no fim da manhã, o grupo permaneceu no local. A maior parte deles só deixou o local por volta de 14h.
(Colaborou Murilo Rodrigues e Hudson Neris)
