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Esporte

Bola entre o ombro e limite da manga da camisa não será mais considerado ‘mão’

9 de abril de 2020 Esporte
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Na na partida entre Brasil e Chile em 2014, um lance em que a bola bateu no ombro do atacante Hulk e o árbitro inglês Howard Webb anulou o gol (Foto: TV Globo/Reprodução)
Da Agência Brasil

BRASÍLIA – A IFAB (International Football Association Board), órgão da Fifa que regula as leis do futebol, anunciou nesta semana mudanças em relação à aplicação de algumas regras da modalidade. A partir de 1° de junho, o futebol mundial deverá se adequar às novas recomendações. No casos das competições já em andamento ou por começar – algumas foram adiadas em função da pandemia do novo coronavírus (covid-19) – elas terão a opção de aplicá-las em uma próxima edição.

Para discutir as novas medidas, a Agência Brasil convidou o ex-árbitro Fifa de futebol e futsal Daniel Pomeroy para falar das alterações que podem gerar mais discussão. Entre as novidades, a que deve propor grande debate é a que se refere à bola na mão. Futuramente, caso ela toque na parte do braço na altura da axila do jogador, não deverá ser considerada uma infração. Sendo assim, a IFAB mudou conceito atual da extensão da irregularidade.

“Se a bola tocar entre o ombro e parte inicial da manga da camisa do atleta, não será mais considerado infração. Sem dúvida alguma, esta alteração pode gerar menos problemas para a arbitragem. Nós vimos na Copa do Mundo de 2014 (no Brasil) um lance em que a bola bateu no ombro do atacante Hulk, e o árbitro inglês (Howard Webb), que trabalhava na partida entre Brasil e Chile, anulou o gol. A partir daí, surgiram muitas reclamações”, aprova Pomeroy.

Outro critério que será alterado diz respeito à jogada em que a bola bate na mão do jogador de forma involuntária, quando estiver no ataque, no campo ofensivo. Neste ponto, haverá mudança em relação ao que foi colocado em prática no ano passado.

“Hoje em dia se a bola bater no braço do atleta, intencionalmente ou não, o árbitro paralisa a partida e não aplica a vantagem para a equipe atacante. A respeito do toque de mão involuntário [com a mudança nas regras], se a bola for imediatamente para a meta adversária e resultar em um gol, o lance deverá ser paralisado. Da mesma forma, quando a bola tocar na mão do jogador de ataque e derivar em uma outra jogada rápida que resulte em gol. A exceção é quando a bola bater involuntariamente na mão do atacante e gerar uma sequência de várias outras jogadas que terminem em gol. Nesta hipótese, o gol será legal.” 

Na cobrança de pênalti também há novidade. Atualmente o goleiro é proibido de se movimentar para frente antes de o cobrador tocar na bola, ou seja, ele só pode se deslocar lateralmente, sem tirar os pés da linha do gol. Quando o defensor descumpre a regra e a bola não entra no gol, o lance é anulado e o batedor tem direito a uma nova cobrança. No futuro, permanecerá proibido o adiantamento do goleiro, porém, se a bola bater na trave ou for diretamente para fora, o lance não poderá ser anulado. Neste caso, o árbitro terá que interpretar se houve interferência direta do goleiro.

“É um lance que vai gerar muita polêmica, porque muitos poderão alegar que a saída do goleiro, a não permanência dos pés sobre a linha, interfere na ação do atacante durante a cobrança. Vai ser uma polêmica enorme”, opina o ex-árbitro Fifa.

Ainda sobre lances envolvendo pênaltis, se o goleiro for punido com um cartão amarelo, e se ele cometer uma infração no momento da cobrança, o defensor não receberá outra punição. Isso só deverá acontecer em caso de reincidência. Já o jogador que tomou um cartão amarelo durante a partida – ou na prorrogação –  e receber outro em uma decisão de tiro direto, o atleta não deverá ser expulso. Neste cenário, o árbitro anotará as duas punições na súmula após o jogo. E naquele lance em que o goleiro e o batedor violarem as regras da partida, atualmente os dois seriam punidos, mas no futuro só o finalizador será penalizado.

A entidade também aponta mudança de protocolo ligado ao árbitro de vídeo (VAR). Em caso de dúvida de sua decisão ou erro claro, o árbitro terá que ir obrigatoriamente ao monitor revisar o lance. Pomeroy explica que a última palavra segue sendo a de quem está em campo e esclarece:

“Em lances de subjetividade, o árbitro deverá ir ao monitor. Isso é importante para que ele tome a decisão na sua interpretação. O que nós estamos vendo muito e todos estavam comentando, as vezes de maneira severamente crítica, é que o árbitro estava atendendo a todas as recomendações que o VAR lhe falasse e, muitas vezes, sem ir verificar o lance. O árbitro principal é o responsável pelo comando e pela aplicação das leis do jogo.”

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Assuntos bola na mão, Fifa
Redação 9 de abril de 2020
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