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Dia a Dia

Biden reverte liberação de Trump e volta a impor restrições a viagens do Brasil

25 de janeiro de 2021 Dia a Dia
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Joe Biden, presidente dos EUA
Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (DOD Foto por suboficial da Marinha de 1ª classe Carlos M. Vazquez II/Fotos Públicas)
Por Marina Dias, da Folhapress

WASHINGTON, EUA – O presidente Joe Biden decidiu restabelecer as restrições de viagem a passageiros não americanos que chegam aos EUA vindos do Brasil e da Europa. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 25, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, confirmou que o democrata vai reimpor a medida que havia sido derrubada por Donald Trump na semana passada, e adicionou a África do Sul à lista de limitações.

Biden assinou a ordem executiva nesta segunda para que as novas restrições passem a valer já a partir desta terça-feira, 26. Em sua proclamação, o presidente dos EUA cita a variante do coronavírus que foi identificada no Brasil e que, segundo o texto do democrata, pode “impactar o potencial de reinfecção.”

“A emergência nacional causada pelo surto de Covid-19 nos Estados Unidos continua a representar uma grave ameaça à nossa saúde e segurança. […] É política do meu governo implementar medidas de saúde pública de base científica, em todas as áreas do governo federal, para prevenir a propagação da doença”, diz o documento assinado por Biden e divulgado pela Casa Branca.

Dessa forma, a maioria dos cidadãos não americanos que estiveram nos últimos 14 dias no Brasil, na África do Sul, no Reino Unido, na Irlanda e nos 26 países europeus da zona Schengen não poderá entrar nos EUA -há exceções para vistos diplomáticos, residentes permanentes (portadores de green card), filhos ou cônjuges de americanos ou para quem viaja por razões humanitárias, de saúde pública e de segurança nacional, por exemplo.

A decisão de Biden já era esperada em meio ao surgimento de novas variantes do coronavírus, mas frustrou o governo brasileiro, que tinha esperanças de que o democrata não voltasse a proibir a entrada de viajantes do Brasil nos EUA.

A restrição não tem data para acabar -depende de uma nova determinação do presidente.

Desde a campanha eleitoral, Biden tem dito que sua prioridade é o combate à pandemia que já matou quase 420 mil americanos e assinou diversas ordens executivas sobre o tema em seus primeiros dias de governo -os decretos não precisam do aval do Congresso para entrarem em vigor.

Na semana passada, o novo presidente americano assinou uma medida exigindo teste com resultado negativo para Covid-19 e quarentena de sete dias aos estrangeiros que chegam aos EUA, e muitos diplomatas brasileiros acreditaram que esse já era um endurecimento da política do novo governo contra a pandemia -o democrata, porém, afunilou ainda mais o caminho para os países onde a situação está longe de se normalizar.

“Estamos adicionando a África do Sul à lista de restrições por causa da preocupante variante [do coronavírus] que já se espalhou para além da África do Sul”, disse Anne Schuchat, vice-diretora do CDC (Centro de Controle e Proteção de Doenças dos EUA).

Segundo a agência de notícias Reuters, a especialista acrescentou em entrevista no domingo (24) que o conjunto de medidas está sendo tomado para “proteger os americanos e também reduzir o risco de essas variantes se espalharem e agravarem a pandemia atual.”

Algumas autoridades de saúde estão preocupadas com o fato de que as vacinas atuais podem não ser eficazes contra novas variantes do coronavírus e têm orientado redobrar a cautela. Nesta segunda, a farmacêutica Moderna, por sua vez, afirmou que sua vacina funciona contra as variantes encontradas no Reino Unido e na África do Sul, mas lançaria, pelo que classificou de “excesso de zelo”, trabalhos para impulsionar a imunização contra as novas cepas do coronavírus.

Os EUA lideram o número de casos e mortes por Covid-19 no mundo e a expectativa é que o país chegue à marca sombria de meio milhão de mortos no mês que vem.

Em 18 de janeiro, às vésperas de deixar o cargo, Trump suspendeu as restrições de viagem a não americanos que chegam aos EUA do Brasil e da Europa.

De acordo com a decisão do republicano, os passageiros poderiam entrar nos EUA a partir de 26 de janeiro, contanto que apresentassem um teste com resultado negativo para Covid-19 feito com até 72 horas de antecedência à viagem.

Minutos depois do anúncio de Trump, a porta-voz de Biden afirmou que o novo governo não pretendia suspender as restrições -o democrata tomaria posse em menos de 48 horas.

“Seguindo o conselho de nossa equipe médica, o governo não pretende suspender essas restrições em 26/1. Na verdade, planejamos fortalecer as medidas de saúde pública em torno das viagens internacionais, a fim de mitigar ainda mais a disseminação da Covid-19”, escreveu a assessora de Biden no Twitter.

Para isso, o novo governo precisaria impor novamente um bloqueio na entrada dos viajantes -como aconteceu nesta segunda.

Assim como os EUA, Europa e Brasil têm assistido a novos picos no número de casos por Covid-19 nas últimas semanas, e diversos países europeus, estados americanos e brasileiros, como São Paulo, voltaram a adotar restrições para tentar conter uma nova onda da doença.

Trump determinou a proibição de entrada de estrangeiros vindos da China em 31 de janeiro de 2020, ainda no início da pandemia, quando o país asiático era o epicentro da crise. No mês seguinte, adicionou à lista o Irã e, em março, estendeu as restrições a pessoas vindas da zona Schengen, Reino Unido e Irlanda.

A restrição à entrada de viajantes do Brasil foi imposta no final de maio. Enquanto o bloco europeu ainda restringe a entrada de americanos, o Reino Unido e a Irlanda solicitam duas semanas de isolamento. O Brasil não tem restrições para quem chega dos EUA.

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Assuntos Covid-19, Estados Unidos, Joe Biden, restrições a brasileiros, voos do Brasil
Valmir Lima 25 de janeiro de 2021
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