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Economia

Banco Central sinaliza com redução de juros para 7% ao ano

12 de dezembro de 2017 Economia
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Banco Central (Foto: Antonio Cruz/ABr)
Banco Central sinaliza com redução da taxa anual de juros em percentuais mais elevados (Foto: Antonio Cruz/ABr)

Do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reafirmou nesta terça-feira, 12, na ata do encontro da semana passada, que a evolução de seu cenário básico, em linha com o esperado, e o estágio do ciclo de cortes tornaram adequada a redução da Selic (a taxa básica de juros) em 0,50 ponto porcentual, de 7,50% para 7,00% ao ano.

A ideia já constava no comunicado da decisão, divulgado na quarta-feira passada, 6. Na ata, o Copom também voltou a sinalizar a intenção de, no encontro de 6 e 7 de fevereiro, promover novo corte na Selic – porém, em magnitude menor. “Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme o esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária”, informou o BC.

O colegiado pontuou, no entanto, que “essa visão para a próxima reunião é mais suscetível a mudanças na evolução do cenário e seus riscos que nas reuniões anteriores”. Entre os riscos destacados pelo BC em seus documentos está a frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas. Na prática, a instituição observa com atenção o andamento da reforma da Previdência no Congresso.

A instituição repetiu ainda, na ata desta terça, que “para frente, o Comitê entende que o atual estágio do ciclo (de cortes da Selic) recomenda cautela na condução da política monetária”. Neste caso, a sinalização é de que, após fevereiro, a instituição estará mais cautelosa e pode, na prática, não movimentar a Selic. “O Copom ressalta que o processo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação”, acrescentou o BC na ata.

No documento, a instituição também voltou a enfatizar que “o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da taxa de juros estrutural” – aquela em que, na teoria, há crescimento sem inflação. “As estimativas dessa taxa serão continuamente reavaliadas pelo Comitê”, informou a ata. “O Copom entende que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural”, disse ainda o BC.

Em outro ponto, a instituição repetiu a ideia de que “a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2018 e 2019, é compatível com o processo de flexibilização monetária”.

Choques

A ata traz a avaliação de que os preços administrados, no agregado, têm constituído um ‘choque inflacionário’. Mas na direção oposta, em magnitude substancialmente superior, os preços dos alimentos constituem um “choque desinflacionário relevante”.

A projeção do BC alta do preços administrados em 2017 subiu de 7 9% para 8,0%. Para 2018, recuou de 5,1% para 4,9%. O comitê destacou a situação atual do setor de geração de energia elétrica no país e os impactos das alterações recentes nas bandeiras tarifárias em seu cenário básico para a inflação para o ano que vem.

Para o Copom, no entanto, esse choque de alta nos preços administrados é mais do que compensado pela desinflação de alimentos. “Com a perspectiva de redução de preços da ordem de 5% no ano, o componente de alimentação no domicílio medido pelo IPCA explica grande parte do desvio da inflação em relação à meta de 4,5% vigente para o ano corrente”, justifica o documento.

O colegiado voltou a afirmar que, com expectativas de inflação ancoradas, a política monetária deve combater apenas os efeitos secundários de choques de oferta. “O Comitê reitera que sua reação a possíveis mudanças de preços relativos, como nos casos de alimentos e de eventuais reajustes de tarifas de energia elétrica, será simétrica, ou seja, a política monetária seguirá os mesmos princípios tanto diante de choques de oferta inflacionários quanto desinflacionários”, explicitou a ata.

Ao analisarem a trajetória da inflação ao longo deste e dos próximos anos, os membros do Copom concordaram que as perspectivas para a inflação têm evoluído, em boa medida, conforme o esperado.

Atividade

A ata do último encontro do Copom repetiu a ideia, contida em documentos recentes da instituição, de que os indicadores de atividade econômica divulgados desde a última reunião do colegiado mostram “sinais compatíveis com a recuperação gradual da economia brasileira”. Ao mesmo tempo, o Copom afirmou que “a economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego”.

Cenário externo

Na ata, os membros do colegiado também avaliaram que o cenário externo tem se mostrado favorável, o que contribui para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes. “O cenário básico de inflação tem evoluído, em boa medida, conforme o esperado”, acrescentaram os membros do Copom. “O comportamento da inflação permanece favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis confortáveis ou baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária”, completaram, em referência aos itens do setor de serviços.

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Assuntos banco central, Copom, juros, taxa selic
Cleber Oliveira 12 de dezembro de 2017
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