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Destinos Amazônicos

Aventura na Amazônia: aprenda a conhecer e sobreviver na floresta

30 de agosto de 2019 Destinos Amazônicos
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trilha-selva
Durante o treinamento, caminhadas pelas trilhas duram em média 20 min (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)
Por Iolanda Ventura, da Redação

MANAUS – Habitante em área urbana na maior floresta tropical do mundo, grande parte da população manauara não saberia como reagir aos perigos da Amazônia ou como obter da natureza os recursos necessários para sobreviver. Mas pode aprender. Os ensinamentos constam no Curso de Noções Básicas de Sobrevivência na Selva, do 1º Batalhão de Infantaria de Selva, unidade do Exército na zona oeste de Manaus, aberto também a turistas que desejam conhecer técnicas para encarar uma aventura no mundo amazônico. O ATUAL acompanhou um dia de sobrevivência na floresta, que pode ser conferido também em vídeo.

O curso começa com explicação sobre os princípios básicos de sobrevivência e a explanação ocorre em trilhas dentro de mata nativa. Há paradas de acordo com cada fase do treinamento. “Nessa atividade a gente passa quatro instruções que são importantes: de construção de abrigo improvisado, de alimentos de origem animal e vegetal e a de obtenção de água e fogo”, disse o capitão Sodré, que acompanhou o grupo.

Treinamento ocorreu no 1º BIS, avenida São Jorge, bairro São Jorge (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

As regras básicas de sobrevivência ensinadas aos civis são as mesmas dos militares do Exército, revelou o capitão Farias, coordenador do curso.

Noções Básicas
treinamento selva
Na primeira parada os participantes aprendem as noções básicas (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

Entre as táticas de sobrevivência usadas pelo Exército, Farias mostrou o ‘Esaon’, onde cada letra representa um princípio da vida na selva. O ‘E’ significa estacione. “É para a pessoa não andar a esmo. Sair de um local, já está em uma situação de sobrevivência e ela deve permanecer naquele local, já que ela não sabe, não conhece a área, não tem como se orientar, ela deve estacionar ali”, explicou.

O ‘S’ quer dizer sentar. “O ‘S’ é sente-se, descanse, no sentido de descansar. Não adianta eu estar nesse local aqui, mas ficar perambulando ele o tempo inteiro ali sem estar descansado. O meu organismo precisa do descanso”, ensinou.

O ‘A’ e ‘O’ significam alimentar e orientar, respectivamente. “Com o corpo alimentado, suprido das suas necessidades você consegue raciocinar melhor. O ‘O’, oriente-se, no sentido de planejar. Se você conhece uma determinada área, tem pontos de referência, tem condições de traçar um percurso, uma rota, você pode fazer esse planejamento”, afirma Farias.

A letra ‘N’ simboliza navegar. “Você planejou, traçou essa rota e agora você vai seguir aquele teu planejamento, vai navegar. Então esse é o princípio que norteia toda a sobrevivência”, orienta o capitão.

Abrigo
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Abrigos são construídos com folhas resistentes de palmeiras da Amazônia (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

Na instrução sobre como montar um abrigo, o treinamento mostra quais árvores podem ser usadas para fazê-los e como montar uma barraca temporária ou para durar algumas semanas. Uma equipe de soldados apresenta diferentes tipos de construções simples para que se tenha proteção em meio à floresta e depois convida os integrantes a tentarem executar as técnicas ministradas.

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Alguns abrigos prontos ficam expostos para o público (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

São usadas como exemplos as folhas de palmeira da Envira, árvore com fibras resistentes encontradas na floresta amazônica, e as folhas do Buriti, também comum na flora da região.

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Hellen Passos Santana foi uma das participantes a exercitar a teoria (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

Hellen Passos Santana, 37, policial militar e estudante de Direito foi uma das participantes que aproveitaram o momento para praticar. “Achei bem interessante porque olhando, você vendo a parte teórica, você observando, é diferente de quando você vai para a prática. Você vê que requer um conhecimento básico, mínimo que está sendo ministrado de forma excelente pelo Exército Brasileiro”, disse.

Água e Fogo
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Helen Passos experimenta água de cipó comum na floresta (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

A instrução para obtenção de água e fogo é considerada uma das partes mais importantes do curso. Na prática, o grupo aprende quais árvores são fontes naturais de água, como cortá-las e beber.

Já para fazer fogo, materiais como carbureto, pólvora, pilhas e glicerina são apresentados, geralmente componentes dos kits que soldados levam para a selva. Há também o tradicional método de fricção entre gravetos, para o caso de não haver nenhum dos elementos anteriores.

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Soldado ensina como usar diversos materiais para produzir fogo na selva (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

O 3º Sargento Felipe, que ministra essa etapa, explica que saber essas técnicas pode ajudar em eventuais situações da vida. “A aeronave caiu, mas o passageiro sobreviveu, escapou à queda do avião e ficou naquele ambiente de selva. Então, se ele for uma pessoa que tiver as noções de como obter água, que é um dos principais meios para a pessoa se manter viva, a água e o fogo, é muito importante para a pessoa se mantenha viva até que ela tenha um resgate ali ou que consiga achar um rumo o qual encontre uma localidade e possa sair dessa situação”, disse.

Alimentos
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Na selva amazônica há uma grande variedade de vegetais disponíveis para o consumo (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

Passar fome está longe de ser um problema na selva se você soube identificar o que comer. A floresta reserva uma variedade de vegetais que são ricos em vitaminas e sais minerais, diz o 3º Sargento do Exército Ielon.

Existem técnicas para que o sobrevivente possa se alimentar de vegetais sem correr o risco de intoxicação. “Então, existem alguns processos que a gente utiliza para identificar se são ou não próprios para o consumo. Um deles é o CAL, o processo mnemônico, que é cabeludo, amargo e leitoso. Se qualquer vegetal apresentar qualquer uma dessas características ou presença de pelos ou se ele for amargo ou se ele tiver uma presença leitosa evita-se o consumo, porque existe uma possibilidade de ele ser venenoso, ele tem uma toxidez”, orienta o sargento.

As exceções à regra do CAL são frutas como o mamão e o figo, que são leitosos e não tóxicos, e o rambutã, que é peludo mas pode ser ingerido sem problemas.

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Maracujá do mato, açaí, pupunha e alguns alimentos comuns da região (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

O sargento explica que após aplicar o CAL, o indivíduo precisa usar outros meios para se certificar que é seguro ingerir o alimento. “Encontrei o vegetal, não consegui identificar nenhuma dessas três características, tem outras formas também. Uma delas é pegar um pedaço do vegetal e passar no antebraço, esperar uns 15 minutos para ver se a pele empola, se coça, se rejeita. Não fez isso, faça a mesma coisa. Tira outro pedaço, coloca na boca, mastiga, deixa salivar, espera para ver se o paladar vai rejeitar. Não rejeitou, quer dizer que eu posso consumir”, diz Ielon.

O melhor método ainda é a fervura, ressalta Ielon. “Mas se eu puder usar ainda a fervura, que é como a gente utiliza para a mandioca para fazer farinha. E mesmo assim aconselha-se a consumir de forma moderada”, disse.

Sorva, fruta adocicada que pode ser consumida in natura (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

A caça de animais também ajuda a sobreviver. Os participantes aprendem a confeccionar armadilhas, a conservar e preparar a carne do animal para o consumo. As instruções vão desde o tipo de material usado para o abate, como o animal deve ser atingido e como proceder para a retirada da pele ou penas, carne e outras partes que não podem ser ingeridas. Um coelho é usado como demonstração das técnicas. Os instrutores também mostram como abater uma galinha e um porco do mato.

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Armadilha usada para caçar animais como o porco-do-mato, onde na parte de dentro fica presa a cabeça do animal (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

Além disso, peixes regionais e ovos também são preparados e podem ser apreciados na hora.

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Bodó, peixe natural dos rios amazônicos, é assado e apreciado durante o curso (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

Após a longa caminhada dentro da reserva, os participantes contam com uma pequena cerimônia para premiação dos destaques do curso e certificação de todos que participaram.

Como participar?

Para quem tem interesse em ter uma experiência imersiva e acompanhar de perto tudo o que inclui o treinamento é preciso fazer uma solicitação, segundo o coordenador da atividade no 1º Batalhão, capitão Farias. “O procedimento é chegar nas relações públicas ali do quartel e aí encaminhar o pedido para o comandante do batalhão”, orienta.

Os interessados podem procurar o 1º Batalhão ou o CIGS, ambos localizados na Avenida São Jorge, bairro São Jorge, para entrega do ofício. A experiência é imersiva e pode ser uma grande ajuda em situações mais complicadas.  

Participantes
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Integrantes do curso com os certificados de participação (Foto: Iolanda Ventura/ATUAL)

A presidente da Comissão de Defesa e Desenvolvimento da Amazônia da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Débora Menezes, uma das participantes, disse que a ideia foi realizar uma atividade diferente que agregasse novos conhecimentos. “As comissões ficaram incumbidas de fazer algum tipo de atividade e como a nossa comissão é diferenciada, e realmente quer conectar mais o advogado com a sociedade, resolvemos fazer esse curso, porque nós vivemos na Amazônia, principalmente agora que o tema está em voga, e se um dia acontecer com a gente precisamos saber como sobreviver”, disse. 

Veja o vídeo com os principais momentos do curso.

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Assuntos Amazônia, Exército, sobrevivência, soldados, treinamento na selva
Redação 30 de agosto de 2019
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