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Economia

Atraso na vacinação pode reduzir crescimento do PIB pela metade, diz Itaú

2 de fevereiro de 2021 Economia
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vacinação em Manaus
Atraso de vacinação pode afetar o PIB (Foto: Semcom)
Por Isabela Bolzani, da Folhapress

SÃO PAULO – Um atraso de seis meses no plano de vacinação pode reduzir pela metade o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil para 2021, afirmou nesta terça-feira, 2, o novo presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho. A instituição projeta uma alta de 4% do indicador para este ano.

Maluhy assumiu nesta terça, 2, o lugar de Candido Bracher, que deixou o posto ao atingir o limite de 62 anos de idade, segundo as regras adotadas pelo banco.

“Atraso no plano de vacinação traz impacto econômico. Se for um atraso de seis meses, é possível que o PIB que estamos projetando, de 4%, caia pela metade”, disse em conversa com jornalistas nesta terça, 2. Para o executivo, o plano de vacinação deve ser prioridade e tratado também como uma política econômica.

Maluhy defendeu ainda o avanço de uma agenda de reformas, que em sua avaliação ganhou mais espaço com as trocas nos postos-chave do Congresso nesta segunda, 1º, com a eleição de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para a presidência do Senado e de Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara dos Deputados.

O presidente do Itaú defende que as reformas administrativa e tributária devem ser prioritárias. Segundo ele, elas precisam avançar rapidamente para sinalizar ao mercado que o governo vai priorizar uma agenda de crescimento e contenção do endividamento.

“Temos expectativa de que o teto de gastos seja cumprido e que, apesar de as commodities e o câmbio pressionarem os juros no curto prazo, de certa forma seguirem benignos. Também esperamos que os juros já subam na próxima reunião do Copom [Comitê de política monetária do Banco Central], terminando o ano em 3,5% ao ano”, disse Maluhy.

O banco avalia que apesar de o nível de desemprego continuar em patamar elevado, há uma tendência positiva para a criação de vagas formais.

Nesta segunda, o banco divulgou os resultados de 2020, que apontaram uma queda de 34,6% no lucro em relação a 2019, para R$ 18,5 bilhões descontados os itens extraordinários.

O recuo foi influenciado pela maior reserva para cobrir possíveis calotes e a queda da margem financeira (principal receita do banco, com operações de crédito).

Em relação às receitas, Maluhy afirmou que o banco já começou a sentir os efeitos da chegada do Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, e da cisão da sua participação na XP Investimentos.

“Estamos confortáveis e satisfeitos com o que temos visto pelo Pix. Acreditamos que o novo sistema tem um papel importante para o país e continuará tendo. Temos expectativa de um impacto nas receitas em 2021 e nós continuamos trabalhando para entregar as melhores ofertas e condições para continuarmos crescendo (em participação)”, disse Maluhy.

O movimento vem na esteira dos maiores investimentos em tecnologia por parte do banco. Segundo o executivo, apesar de o banco já ter avançado na agenda de transformação digital, a tendência é que esse movimento ganhe corpo ao longo dos próximos anos.

“Esse é um ciclo de médio e longo prazo. Continuamos trabalhando bastante na evolução do nosso sistema legado e buscando a eficiência do banco”, afirmou o executivo.

“Apesar disso, temos um grupo de clientes muito heterogêneo, desde clientes muito digitais até aqueles que vão nas agências todos os dias. Por isso, não temos planos de fechar nenhuma agência em 2021”, completou Maluhy.

Em 2020, o banco fechou cerca de 95 agências e pontos de atendimentos.

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Assuntos pib, plano de vacinação
Redação 2 de fevereiro de 2021
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