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Esporte

Atletismo busca novas estrelas no primeiro mundial após a era Bolt

26 de setembro de 2019 Esporte
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Mesmo aposentado, Bolt ainda é a maior estrela do atletismo mundial (Foto: Roberto Castro/Brasil2016)

Por Danielle E. de Castro, da Folhapress

SÃO PAULO-SP – Doha recebe a partir desta sexta-feira, 27, o Campeonato Mundial de atletismo de 2019 com uma novidade que nenhum organizador gostaria de anunciar: será a primeira edição da competição desde 2005 sem a presença de Usain Bolt.

O astro jamaicano de 33 anos se aposentou das pistas em Londres, no Mundial de 2017, com um adeus que ganhou contornos dramáticos. Logo após pegar o bastão para completar a prova do revezamento 4 x 100 m, a última da sua carreira, ele sentiu uma lesão e desabou na pista. Ainda cruzou a linha de chegada, amparado pelos companheiros, mas a marca não foi validada. Também naquele evento, o velocista ficou com uma rara terceira colocação nos 100 m rasos.

Os insucessos da despedida não apagaram o brilho alcançado pelo corredor ao longo dos anos e que vai além das oito medalhas olímpicas de ouro – seriam nove se a conquistada no revezamento nos Jogos de 2008 não acabasse retirada pelo doping de Nesta Carter.

A marca de 9s58, recorde mundial dos 100 m que já dura dez anos, foi estabelecida por Bolt no Mundial realizado em Berlim. Ao todo, ele acumulou 14 medalhas (11 douradas) em sete participações nesses campeonatos.

Como a combinação de grandes performances e carisma do jamaicano está longe do alcance de qualquer nome do atletismo atualmente, sua aposentadoria criou um vácuo a ser preenchido pelos novos talentos.

Doha também não terá a presença de três dos corredores em atividade mais conhecidos mundialmente. A sul-africana Caster Semenya, 28, bicampeã olímpica e atual vencedora dos 800 m no Mundial, está inabilitada em razão de uma norma da IAAF (federação internacional de atletismo) sobre controle hormonal.

A entidade determina que mulheres com nível elevado de testosterona, ainda que produzida naturalmente pelo corpo, devem passar por tratamentos para reduzi-lo a fim de participarem de algumas provas. É o caso de Semenya, que trava uma batalha jurídica com a federação para tentar reverter essa medida.

Outra celebridade esportiva, o britânico Mo Farah, 36, quatro vezes campeão olímpico e medalhista de ouro nos 10.000 m no último Mundial, deixou de competir em provas de pista há dois anos para se dedicar às maratonas. Ele até ensaiou um retorno para a competição no Qatar, que acabou não se confirmando.

O sul-africano Wayde van Niekerk, 27, que nos Jogos do Rio-2016 bateu o recorde mundial de Michael Johnson nos 400 m, convive há dois anos com uma lesão no joelho, sofrida durante partida festiva de rúgbi, e também está fora.

Entre os jovens candidatos a assumir o protagonismo do esporte nos próximos anos destaca-se o velocista americano Christian Coleman, 23. No Mundial de 2017, ele ficou à frente de Bolt nos 100 m e foi superado apenas pelo compatriota Justin Gatlin, 37, até hoje um dos seus maiores rivais na prova.

Gatlin ainda é um astro do esporte, mas sua suspensão por doping e o papel de antagonista assumido na relação com o jamaicano não o tornou dos mais queridos pelo grande público.

Já Coleman está no início de sua trajetória. Ele fez as melhores marcas dos 100 m nos dois últimos anos (9s82 e 9s79) e chega ao Mundial de Doha como favorito. Bastou para ser chamado por alguns de “novo Bolt”, comparação que refuta. No ano de despedida, o jamaicano não abaixou de 9s95. “Eu não quero ser o próximo Usain Bolt. Quero ser Christian Coleman, e daqui a alguns anos talvez as pessoas perguntem ‘Quem será que o próximo Christian Coleman?’”, afirmou o americano de 1,75 m. Na estatura, ele também difere bastante do astro, 20 cm mais alto.

O americano correu o risco de ficar fora do Mundial do Qatar após faltar a três exames antidoping da agência de controle do país (Usada), comportamento passível de punição caso aconteça dentro do intervalo de um ano. Como havia uma divergência sobre a data a ser considerada na primeira ausência, ele acabou liberado do gancho por orientação da agência mundial (Wada).

Compatriota de Coleman, Noah Lyles, 22, tem dominado os 200 m e também mostra força nos 100 m. É ele quem surge como herdeiro mais provável do legado showman de Bolt. Fã do desenho animado Dragon Ball e de Star Wars, já correu com meias do personagem R2D2 e comemorou uma vitória simulando um sabre de luz.

Lyles, também aspirante a rapper e dono de um canal no YouTube, conta que em 2016 sonhou com o dia que correria os 100 m em 9s41. Na vida real ele também acredita ser possível alcançar essa façanha. “Eu quero transcender o esporte”, disse.

Há outros jovens que já estão entre os melhores do mundo em suas provas, como a velocista britânica Dina Asher-Smith e a triplista venezuelana Yulimar Rojas, ambas de 23 anos, além do fenômeno sueco do salto com vara Armand Duplantis, 19.

Recentemente, um vídeo em câmera lenta de um salto do jovem no Campeonato Europeu de 2018 viralizou e já foi visto 4,5 milhões de vezes no Twitter. Em toda a história, apenas dois homens saltaram mais alto do que ele (6,05m) em ambientes externos. O americano Sam Kendricks (6,06 m), seu grande rival atualmente, e o lendário Sergey Bubka (6,14 m).

Na Rio-2016, essa prova foi marcada pela concorrência entre o francês Renaud Lavillenie e o brasileiro Thiago Braz. Hoje, ambos estão um degrau abaixo. Com revelações que ainda buscam a glória no esporte e atletas já consagrados, como as velocistas jamaicanas Shelly-Ann Fraser-Pryce e Elaine Thompson (campeãs das últimas três edições olímpicas dos 100 m), o atletismo tenta manter sua popularidade global e mostrar que sim, há vida após Usain Bolt.

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Assuntos Mundial de Atletismo, Usain Bolt
Cleber Oliveira 26 de setembro de 2019
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