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Esporte

Atletas do Nordeste dominam indicação ao Prêmio Brasil Olímpico

6 de dezembro de 2021 Esporte
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Rayssa Leal se tornou a mais nova medalhista olímpica pelo Brasil (Foto: Wander Roberto/COB)
Rayssa Leal se tornou a mais nova medalhista olímpica pelo Brasil (Foto: Wander Roberto/COB)
Por João Gabriel, da Folhapress

SÃO PAULO – Italo Ferreira, Ana Marcela Cunha, Isaquias Queiroz e Hebert Conceição. Nenhuma região trouxe tantas medalhas de ouro individuais para o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio como o Nordeste.

E o inédito protagonismo nordestino nos Jogos se reflete em uma histórica maioria entre os atletas indicados ao Prêmio Brasil Olímpico de 2021, promovido pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil) e que elege o melhor esportista do ano.

Dentre os seis nomes que concorrem ao prêmio (três na categoria masculina e três na feminina), cinco vêm do Nordeste.

Além do já citado quarteto medalhista de ouro, também Rayssa Leal, prata no skate street, completa o quinteto da região. Rebeca Andrade é a sexta indicada.

Italo nasceu em Baía Formosa, no Rio Grande do Norte; Rayssa em Imperatriz, no Maranhão; Ana, Isaquias e Hebert são de Salvador, na Bahia. Rebeca é paulista de Guarulhos.

Isaquias Queiroz
Isaquias Queiroz é um dos postulantes ao título do prêmio (Foto: Jonne Roriz/COB)

O prêmio começou a ser distribuído em 1999 e nunca o Nordeste havia tido maioria entre os concorrentes. O peso da região vinha crescendo, tendo emplacado metade dos seis indicados em três edições recentes, 2015, 2018 e 2019 – em 2020, não houve pleito em razão da pandemia.

Também é simbólico que, pela primeira vez, a cerimônia de premiação aconteça em uma cidade nordestina: Aracaju, no Sergipe. O evento está marcado para a noite desta terça-feira (7).

Tanto os indicados quanto o vencedor são escolhidos por um colégio eleitoral de 230 pessoas, formado por jornalistas, dirigentes, atletas, ex-atletas, patrocinadores e outras figuras relacionadas ao esporte. Historicamente, o Sudeste tem a hegemonia tanto de concorrentes quanto de premiados.

Os sudestinos somam 60% dos 138 indicados de 1999 até hoje, com mais da metade dos vencedores. O Nordeste é a segunda região com mais concorrentes, pouco mais de 18%, logo à frente do Sul, com 16%. Dentre premiados, a ordem se inverte: 10 sulistas e 7 nordestinos.

A única região que nunca teve um indicado é o Norte do Brasil. Brasileiros nascidos no exterior, mas naturalizados, concorreram ao prêmio três vezes – e o tenista argentino Fernando Meligeni ganhou, em 2003.

Entre os atletas que disputam neste ano, a maratonista aquática Ana Marcela Cunha, 29, nascida em Salvador, é a mais experiente. Ela já foi indicada outras seis vezes e, inclusive, já venceu em duas ocasiões, em 2018 e 2015.

Em Tóquio, Ana conquistou o ouro, sua primeira medalha olímpica. Apesar de nunca antes ter subido ao pódio dos Jogos, ela já era uma das principais atletas da maratona aquática há anos, com cinco títulos mundiais na carreira (2011, 2015, 2017 e 2019 duas vezes).

Filha de pai nadador e mãe ginasta, ela começou a nadar com dois anos, ainda em Salvador. Permaneceu na cidade até 2007, quando mudou-se para Santos, onde vive e treina atualmente.

O canoísta Isaquias Queiroz, 27, concorreu ao prêmio cinco vezes e é, dentre os indicados neste ano, o que mais vezes o conquistou: 2015, 2016 e 2018.

Ele deu as suas primeiras remadas na cidade onde nasceu, Ubaitaba, no interior da Bahia, lugar que atualmente segue como um polo formador de atletas da modalidade.

Após três medalhas na Rio-2016 (duas pratas e um bronze), em Tóquio ele conquistou sua primeira medalha de ouro em Olimpíadas. Atualmente, é atleta do Flamengo e treina em Lagoa Santa (MG).

Completa o trio baiano o pugilista Hebert Conceição, 23. Ao som do Olodum e inspirado no também campeão olímpico Robson Conceição, ele conquistou a segunda medalha de ouro do boxe brasileiro com um nocaute na final, em Tóquio.

Hebert tenta dar o segundo prêmio de atleta do ano à sua modalidade – em 2019, Bia Ferreira, também natural de Salvador, venceu a disputa.

Ele nasceu em Salvador e se formou na academia Champion, uma das mais tradicionais da cidade, mas desde 2017 e até Tóquio veio treinar em São Paulo. Após os Jogos, voltou a viver em Salvador e hoje cogita deixar o boxe olímpico e entrar no boxe profissional –os circuitos são separados. Italo Ferreira, 27, foi campeão olímpico na estreia do surfe em Jogos. Campeão mundial em 2019, ele nunca concorreu ao prêmio.

Italo nasceu, cresceu e até hoje vive em Baía Formosa (Rio Grande do Norte), cidade com a qual tem uma forte relação e onde faz questão de ficar todo o tempo que consegue entre as muitas viagens que faz pelo circuito.
Essa é a terceira vez que o surfe está na disputa. Antes, Gabriel Medina concorreu em 2018 e 2019, mas não venceu.

O skate estará na disputa pela segunda vez e também em busca da primeira conquista. Em 2018, Pedro Barros foi um dos indicados. Neste ano, Rayssa Leal, 13, tentará o prêmio. Ela foi medalhista de prata no skate street, na estreia da modalidade em Olimpíadas. Também ficou em segundo no Mundial, atrás da compatriota Pâmela Rosa.

Ela vive em Imperatriz, no Maranhão, cidade onde nasceu, cresceu e ganhou o apelido de “Fadinha”. A única de fora do Nordeste na disputa é Rebeca Andrade, 22, natural de Guarulhos (SP). Ela, no entanto, talvez seja a favorita.

Em Tóquio, Rebeca tornou-se a primeira ginasta brasileira a conquistar uma medalha olímpica e emplacou uma dobradinha. Após a saída de Simone Biles de uma série de disputas (em um movimento histórico, ela priorizou sua saúde mental aos resultados esportivos), a brasileira conseguiu a prata no individual geral e o ouro no salto.

A paulista concorre ao prêmio pela primeira vez em uma modalidade que já o venceu em nove edições.

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Assuntos Isaquias Queiroz, Prêmio Brasil Olímpico, Rayssa Leal
Cleber Oliveira 6 de dezembro de 2021
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