
Da Redação
MANAUS – O servidor público Aldemir da Costa foi preso na manhã de quarta-feira (23) por suspeita de desviar 20 toneladas de asfalto do distrito de obras da Seminf (Secretaria Municipal de Infraestrutura) no bairro Santa Etelvina, zona norte de Manaus. Segundo o delegado Guilherme Torres, da Delegacia Especializada em Combate à Corrupção, Aldemir integra um grupo que há anos rouba asfalto e revende “a preço de banana”.
De acordo com a polícia, o asfalto desviado era carregado em um caminhão vermelho tipo caçamba que distribuía com frequência em condomínios no bairro Tarumã, zona oeste. Lá, dez toneladas eram revendidas a R$ 300. “Era vendido a preço de banana”, disse o delegado. “O valor da tonelada da massa asfáltica adquirida pelo município é de R$ 400”, revelou.
Segundo Torres, uma perícia foi feita para comprovar a materialidade do asfalto e constatar se corresponde ao que era de posse da secretaria. Após fazer tocaia no local do roubo, a polícia percebeu “que há um fluxo constante de entrada e saída de caminhões”, disse o delegado. “Em pouco tempo, vimos um caminhão que não presta serviço à prefeitura ‘encostando’ no local e, na cara dura mesmo, carregando a caçamba com o asfalto vindo do distrito de obras”, completou.
De acordo com a polícia, a perseguição ao veículo resultou no flagrante da negociação do asfalto. “O caminhão entregava em balsas e condomínios no Tarumã”, disse Guilherme Torres.
O delegado classificou a logística de distribuição do asfalto na área como sendo “vulnerável” pela recorrência desse crime que se prolonga por “muitos anos”. Segundo ele, “essa pessoa (Aldemir) já havia feito outras 4 ou 5 viagens, com 20 toneladas de asfalto em cada”.
A polícia afirma que pretende continuar com as investigações para chegar até os mandantes do desvio e aos receptadores. “Ele (o servidor) é apenas uma peça, uma engrenagem, do desvio de massa asfáltica. Chegaremos aos receptadores e mandantes desse crime”, disse Torres.
A prisão do suspeito ocorreu após a Prefeitura de Manaus notar um déficit do material e encaminhar a denúncia à polícia. Dois inquéritos estão em tramitação sobre o caso e, segundo Torres, os mandantes e receptadores já foram identificados e são todos servidores do município. “Logo serão presos”, finalizou.
