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© 2022 Amazonas Atual
Alfredo Lopes

As fibras e as promessas da Amazônia

9 de abril de 2019 Alfredo Lopes
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Juta: potencialidade natural da Amazônia (Foto: Fapeam/Divulgação)
Juta: potencialidade natural da Amazônia (Foto: Fapeam/Divulgação)

Mais uma investida dos atores locais para viabilizar e recuperar a produção de fibras no Estado. Sebastião Guerreiro, herdeiro da tradição econômica iniciada por seu pai, Mário Expedito Guerreiro, e Muni Lourenço, ambos peregrinos dessa procissão promissoras que as fibras tropicais oferecem. Juta e malva, para dar exemplos, já alimentaram 60 ml famílias nas várzeas amazônicas. E hoje são espécies descuidadas pelo poder público e pela timidez parlamentar em legislar a favor do uso obrigatório de nossas fibras nas sacarias de exportação de algumas commodities do agronegócio. Nesta segunda-feira, Guerreiro e Muni juntaram seus parceiros de caminhada para empinar essas promessas históricas. Há tempos eles convidam a academia para dar atenção para essa atividade que, na Índia, país de origem, gera pesquisas, negócios e empregos e renda em larga escala. 

Mas além da juta e malva, nossas matrizes econômicas e de oportunidades – sobretudo com o fim do II Ciclo da Borracha, no pós II Guerra Mundial – a Amazônia dispõe de um acervo imensurável de fibras em sua biodiversidade. Um deles, o curauá, empacou nos laboratórios do CBA Centro de Biotecnologia da Amazônia, por falta de iniciativa em negociar a substituição da fibra de vidro na indústria eletrônica, informática e de duas rodas, com essa bromeliácea poderosa, muito resistente, macia, leve e reciclável. 

São raras e discretas as pesquisas de compósitos reforçados com fibras naturais como inovação tecnológica regional, dentro da lógica da sustentabilidade para agregar valor à a produção de materiais ambientalmente corretos e economicamente rentáveis, para geração de empregos verdes. A tese do pesquisador Aldenor Ferreira “Fios dourados dos trópicos: a história da cultura de juta e malva no Brasil e de juta na Índia”, mostra que as fibras fizeram do Brasil o único país, fora da Ásia, a fazer concorrência à produção da Índia, no caso da juta.

Dados históricos de Amazonas e Pará contabilizam uma cadeia produtiva do plantio ao beneficiamento fabril envolvendo mais de 100 mil famílias. Castanhal, Belém e Santarém, no Pará e Parintins, Manacapuru e Manaus, no Amazonas, fazendo o Brasil autossuficiente para suprir a importação da fibra. Hoje, a ausência de políticas públicas e de pesquisas de efetividade desse setor para diversificar o Polo Industrial de Manaus, são inaceitáveis. 

Aqui existe a Bicho da Seda, a maior empresa de uniformes profissionais do Brasil, com produtos de excelência, criatividade e sustentabilidade. Inserir juta, malva, curauá no entrelaçamento fabril carece de pesquisa com nanobiotecnologia, inteligência e vontade política. Não é por outra razão que a Embrapa Instrumentação de São Carlos, no interior paulista, reconhece nos clones de seringueira coletados nos Altos do Rio Juruá, a melhor nanomatriz para atender as encomendas sofisticadas da indústria automobilística, hospitalar, e demais artefatos de borracha. De quebra, a receita dessa atividade cobre com sobra as despesas daquela unidade de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

A tecelagem, para recordar, é responsável pelo início do processo de industrialização do Brasil, sob forte influência da revolução industrial inglesa, que consolidou a indústria de algodão maranhense e com percepção de que os índios da Amazônia já produziam suas vestimentas artesanalmente com fibras vegetais. Para sacramentar essa vocação de resposta para as demandas de necessidades e vaidades humana, a designer Iuçana Mouco, celebrada e premiada internacionalmente, fez da Amazônia o almoxarifado ajardinado de suas intuições e criações surpreendentes. Ela sabe usar o impulso primitivo de suas coleções, formas, funções, cores, técnicas e matérias-primas a partir das fibras que nascem no mato, utilizadas com a estética da sustentabilidade e da transcendência florestal, como é o caso do Arumã, fibra preferida dos índios do Alto Rio Negro.

Nossos sonhos não acabam, a metamorfose do espírito é o que lhes atribui promessas, fibra e perenidade.


Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Amazônia, Juta, malva
Cleber Oliveira 9 de abril de 2019
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2 Comments
  • Marcos Luiz disse:
    10 de julho de 2019 às 16:59

    Boa tarde Alfredo Lopes, tudo bem? Gostaria saber se pode me ajudar, estou desenvolvendo um tcc, onde irei utilizar uma planta cujo o nome é Curauá, sabe aonde posso estar encontrando? Moro no interior de sp, estou com dificuldade para encontrar;

    Responder
    • Arlindo Leão disse:
      24 de junho de 2020 às 13:01

      Marcos
      Você talvez encontre fibra de curauá em Santarem no Pará . Faça contato com o escritório local da EMATER, que é a empresa de assistência técnica rural do estado.
      Arlindo Leão

      Responder

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