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Esporte

Após queda nas receitas, analista vê recuperação de clubes da Série A

1 de julho de 2021 Esporte
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Clubes da Série A tiveram perdas na receita em 2020 (Foto: Thaís Magalhães/CBF/Direitos Reservados)
Da Agência Brasil

BRASÍLIA – Impactados pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), os times que integraram a Série A do Campeonato Brasileiro na última temporada tiveram queda de 9,1% nas receitas entre 2019 e 2020. É o que mostra o estudo anual da consultoria financeira BDO sobre as finanças dos clubes de futebol do país. O levantamento é feito desde 2010. Em entrevista à Agência Brasil, o analista Carlos Aragaki, da BDO, avaliou que as perdas podem ser recuperadas “no curto e médio prazo”, com o advento das vacinas e a reabertura dos estádios, prevista por ele para 2022.

O especialista destacou que a pandemia ainda afetará o mercado de transferências, que tem peso cada vez mais significativo no orçamento dos clubes. Segundo o estudo, as negociações de atletas equivaliam a 14% da fonte de receita média das equipes da Série A nacional em 2016. No ano passado, elas já representavam 29%.

“No que diz respeito às receitas, neste ‘novo normal’, elas podem ser retomadas no curto e médio prazo. A partir do momento em que a população estiver vacinada, a torcida retorna ao estádio e voltam as receitas de bilheteria. Agora, sobre negociação de atletas, acho que temos de esperar um pouco. Os grandes investidores (do futebol) no momento são mecenas, chineses ou árabes. Eles também sentiram impacto nos negócios (com a pandemia), não só no futebol”, argumentou Aragaki.

Tabela com receitas dos clubes (Foto: BDO/Divulgação)

“A Europa freou as negociações, não em quantidade, mas em valores pagos. Por um tempo, não se conseguirá ter o mesmo ganho em negociações – acredito fortemente nisso – que se tinha no passado. Pode ser que o Brasil continue exportando muito, mas não nos valores de antes. (A receita de transferências) Será ainda uma significativa, mas isso vai pesar”, completou.

Conforme Aragaki, a pandemia impactou de maneira mais significativa três formas de receita: bilheteria, patrocínios e programas de sócios-torcedores.

“É tudo aquilo que envolve, vamos dizer assim, o público. A bilheteria foi fortemente afetada (pela impossibilidade dos torcedores irem ao estádio). Clubes como Flamengo, Corinthians e Palmeiras vinham de bilheterias muito fortes, com média (de arrecadação) de R$ 60 milhões/ano. Transformando em números, a bilheteria deles seria praticamente a receita total de Coritiba, Fortaleza, Ceará, Atlético-GO e Goiás”, descreveu o analista.

“Muitos clubes perderam patrocínio. Em alguns casos, pacotes de pay-per-view foram cancelados. Ainda que, por exemplo, na pandemia, o Campeonato Paulista tenha sido retomado após dois meses parado, muita gente cancelou os pacotes e demorou a voltar e alguns sequer voltaram. O torcedor, muitas vezes, quer o [programa de] sócio-torcedor para ir ao jogo e ter privilégio na compra dos ingressos. Ainda não é a massa no Brasil que vira sócio-torcedor para visitar o clube ou trocar a camisa”, emendou.

Entre 19 dos 20 clubes da última Série A, cinco apresentaram variação positiva de receita: os três que subiram da Série B de 2019 (Red Bull Bragantino, Atlético-GO e Coritiba) e receberam mais recursos em direitos de transmissão, o Atlético-MG pela venda parcial do Shopping Center Diamond Mall, em Belo Horizonte; e o Corinthians. No caso do Massa Bruta, há ainda o início da gestão da empresa de energéticos Red Bull em 2019. O balanço do Sport não foi concluído à tempo de ser incluído na análise, finalizada em abril.

“Diria que (a pandemia) impactou 80% dos clubes da Série A. É uma preocupação das gestões para 2021, pois temos a percepção que esse aspecto negativo continuará. Os aumentos de receita foram questões pontuais. Se você as desconsidera, diria que 100% dos clubes perderam receita na fonte”, afirmou Aragaki.

Santos (40%), Internacional (36%), Fortaleza (34%), Bahia (31%) e Flamengo (30%) foram os cinco clubes com maior variação negativa de receitas entre 2019 e 2020. Na outra ponta, Ceará (1%), Grêmio (6%), Goiás (9%) e São Paulo (10%) são os que tiveram menor queda.

O estudo também analisou as receitas recorrentes – que não levam em conta arrecadações consideradas “extraordinárias”, como negociação de jogadores ou premiações. Neste recorte, o Corinthians passou a ter variação negativa (24%) e o Goiás foi a equipe mais impactada entre um ano e outro, com redução de 56%, seguido por Athletico-PR, Fortaleza (ambos 42%), Flamengo (31%) e Ceará (29%). Destes cinco, Furacão e Vozão conseguiram fechar 2020 no azul.

“A conta básica é: para fechar no azul, você tem que ter mais receita do que custo. É possível, mesmo não sendo top dez de torcida ou exposição de mídia na Série A, fazer uma gestão proativa e razoável. Por outro lado, há clubes que fecharam o ano com déficit. A saída para estes é: se não consigo aumentar a receita, terei que trabalhar para, pelo menos, reduzir custos e dívidas, porque se você tem um passivo menor, tem menos variação monetária para pagar”, concluiu Aragaki.

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Assuntos Brasileirão, clubes brasileiros, Clubes da Série A
Murilo Rodrigues 1 de julho de 2021
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