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Política

Após confirmação oficial, governo Bolsonaro felicita vitória da esquerda na Bolívia

24 de outubro de 2020 Política
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Luis Arce (à direita) mantém política de Evo Morales (Foto: YouTube/Reprodução)
Luis Arce (à direita) foi ministro de Evo Morales e comandou a volta do Movimento ao Socialismo (Foto: YouTube/Reprodução)
Por Ricardo Della Coletta, da Folhapress

BRASÍLIA – O governo Jair Bolsonaro felicitou a vitória de Luis Arce nas eleições presidenciais bolivianas na noite desta sexta-feira, 23, tornando-se o último país entre os que fazem fronteira com a nação andina a parabenizar o novo líder boliviano.

Ex-ministro de Evo Morales, Arce comandou a volta do MAS (Movimento ao Socialismo) ao poder na Bolívia, em um resultado eleitoral que incomodou o Palácio do Planalto. O Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia chancelou oficialmente nesta sexta-feira a vitória de Arce nas eleições realizadas no último domingo, 18.

Com 55,2% dos votos, o aliado de Evo Morales conquistou a Presidência já no primeiro turno, derrotando o ex-presidente Carlos Mesa, de centro-esquerda, que obteve 28,9%. Em nota, o Itamaraty felicitou o resultado eleitoral e saudou “as forças políticas do país pelo respeito à vontade popular expressa nas urnas”.

“O governo brasileiro afirma sua disposição de trabalhar com as novas autoridades bolivianas com vistas à implementação de iniciativas de interesse comum e no âmbito dos laços de amizade, vizinhança e de cooperação que unem os dois países e seus povos”, disse a chancelaria.

Apesar da nota, o Brasil foi o último país entre os vizinhos da Bolívia a fazer o gesto a Arce. Argentina, Peru, Paraguai e até mesmo o Chile –que não tem relações diplomáticas com a Bolívia –parabenizaram Arce dias atrás, depois que institutos de pesquisa e até mesmo opositores já reconheciam a vitória do MAS.

O Itamaraty não havia se manifestado sobre o assunto, mas internamente interlocutores diziam que a hancelaria esperaria o resultado oficial.

A postura do Brasil diverge da adotada quando a atual presidente Jeanine Añez assumiu o poder. Em novembro de 2019, ela se autodeclarou presidente na esteira da crise sucessória aberta com a renúncia do de Evo. Na ocasião, o Brasil foi um dos primeiros países a reconhecê-la como presidente legítima da Bolívia.

Na nota divulgada nesta sexta-feira, o Itamaraty elogiou Añez e disse que seu governo teve uma atitude “democrática e construtiva”. Arce, por sua vez, considera que Añez não foi eleita de forma democrática. A data da posse de Arce ainda será definida, mas deve ocorrer no início de novembro. O MAS também conquistou a maioria nas duas Casas do Legislativo boliviano.

Além dos vizinhos da Bolívia, os latino-americanos Lenín Moreno, do Equador, Andrés Manuel Lopez Obrador, do México, e Luis Lacalle Pou (Uruguai) também parabenizaram o esquerdista. O ditador venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Evo Morales, publicou uma mensagem nas redes sociais comemorando a vitória do MAS.

Na Bolívia, adversários de Arce já haviam reconhecido a vitória após divulgação da pesquisa de boca de urna na madrugada de segunda-feira, 19. A sondagem previa 52,4% para o candidato do MAS, contra 31,5% de Mesa.

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Assuntos Bolívia, Bolsonaro, eleições presidenciais, Luis Arce
Redação 24 de outubro de 2020
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