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Esporte

Ao voltar da China, velejador brasileiro encara nova quarentena

25 de março de 2020 Esporte
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Bruno Fontes conquistou a medalha de bronze no Pan de Lima (Foto: Jonne Roriz/COB)
Da Folhapress

JOINVILLE – Bruno Fontes disputou 19 Mundiais de vela, duas Olimpíadas (Pequim-2008 e Londres-2012) e, desde o ano passado, se preparava para mais uma edição dos Jogos Olímpicos, dessa vez no comando da equipe feminina chinesa na categoria laser.

A pandemia de coronavírus, que começou exatamente na China, onde o ex-velejador estava, forçou uma mudança brusca de planos. Em vez de seguir na preparação pela busca de uma medalha em Tóquio -as chinesas estavam bem cotadas para a disputa, depois de conquistar ouro e prata nas etapas de Miami e Gênova do Mundial de Vela, em 2019-, o brasileiro se viu obrigado a conviver com uma rotina inédita.

A ordem para o confinamento pegou todos de surpresa no centro de treinamento da equipe chinesa, que fica em Haikou, capital da província de Hainan, no sul do país. “No dia 24 de janeiro, estourou a bomba, logo depois do Ano Novo deles,” afirma Fontes. Ali começava sua primeira quarentena, que durou 38 dias.

Os atletas da vela, pelo menos, tiveram autorização das autoridades para continuar treinando. Era permitido utilizar a academia de ginástica no térreo do condomínio vertical em que estavam instalados, conviver no refeitório do segundo andar e até sair para o mar. “Era só atravessar uma grande avenida que separa o centro de treinamento da praia. Estava sempre deserta, ninguém andava por lá,” explica. “Atrás do nosso prédio tinha uma obra gigante, bem barulhenta. De um dia para o outro, parou tudo.”

Para Fontes, o pior da quarentena chinesa era não saber quanto tempo o isolamento ia durar: “Primeiro se falava em uma semana, depois em duas ou três, sem muita explicação”.

Uma dificuldade adicional era a comida -eram servidas três refeições por dia, sempre nos mesmos horários (8h, 12h e 18h). O problema era que o cardápio era parecido, fosse de manhã, ao meio dia ou à noite. “Cheguei a comer couve-flor, beterraba e abóbora no café da manhã, não tinha o pãozinho com manteiga e o café com leite a que a gente está acostumado no Brasil.”

Para superar a incerteza, o treinador brasileiro apostou na disciplina. Criou um diário de bordo da quarentena, onde anotava não só a evolução das atletas que treinava, mas também as próprias atividades do dia a dia. “Para mim foi essencial manter uma consistência na rotina: acordar, comer e dormir no mesmo horário.”

É o que ele pretende continuar a fazer durante o segundo confinamento, no qual está desde 29 de fevereiro. Dessa vez o recolhimento é em família, na casa localizada no Parque São Jorge, próximo ao Morro da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, com a esposa, Paola, e a filha, Clara, de sete anos.

Essa é a recomendação que faz a quem quer continuar a produzir bem durante o isolamento. “Tenha disciplina, estabeleça um planejamento das suas ações e mantenha a consistência. Comece tirando o pijama toda manhã e faça as refeições no mesmo horário.”

De volta ao Brasil, Fontes se viu sujeito às mesmas incertezas que preocupam tantas pessoas retidas na quarentena. Proprietário de uma academia de crossfit na cidade de Tubarão, no sul de Santa Catarina, ele teme as consequências que a pandemia de coronavírus pode ter sobre o seu negócio.

“Não sei se os clientes vão continuar honrando as mensalidades ou se terei dinheiro para pagar o aluguel e continuar girando a roda no fim do mês,” explica.

Com o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021, anunciado na terça (24), Fontes não descarta a possibilidade de retornar à China ainda este ano para retomar o ciclo de treinamento.

Ele aposta no longo e bom relacionamento com os chineses, que começou em 2013 e incluiu uma assessoria durante a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. “Escrevi para eles hoje [terça], e agora espero uma resposta sobre o novo planejamento. Estou no aguardo das cenas dos próximos capítulos”.

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Assuntos Bruno Fontes, Covid-19, Tóquio 2020
Redação 25 de março de 2020
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