
Do ATUAL
MANAUS – A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) registrou no Amazonas o maior preço médio do etanol hidratado no Brasil. A coleta de preços ocorreu na semana de 22 a 28 de junho, segundo a ANP. O valor médio do litro no Estado é de R$ 5,49, o mais alto entre todas as unidades da federação.
O preço médio nacional é de R$ 4,19, com queda de 0,24% em relação à semana anterior. Em São Paulo, maior produtor e consumidor do biocombustível no país, o valor médio ficou em R$ 3,98. O menor preço médio estadual foi verificado em Mato Grosso, a R$ 3,85 por litro. A maior redução percentual ocorreu em Alagoas, onde o preço caiu 3,19%, de R$ 5,01 para R$ 4,85.
No Rio Grande do Norte ANP identificou a maior alta, de 1,35%, chegando a R$ 5,26 o litro. O preço mínimo registrado no Brasil foi de R$ 3,19, em São Paulo.
Múltiplas causas
O economista Altamir Cordeiro afirma que o alto preço do etanol no Amazonas é resultado de uma combinação de fatores logísticos, tributários e estruturais. “São vários fatores que influenciam o preço do biocombustível (etanol) no Amazonas. Entre eles temos a distância dos centros produtores, ou seja, o Amazonas está bem longe dos produtores de etanol. Isso aumenta os custos de transportes e esses custos são incorporados aos preços finais”, explica.
Além da distância, o especialista cita as dificuldades operacionais típicas da região. “Temos o grande desafio logístico no Amazonas para distribuir o etanol em nossa região devido, principalmente, à falta de infraestrutura de estrada e dificuldades de navegação nos rios, principalmente no período de vazante”, pontua.
Cordeiro também lembra que a mudança no controle da refinaria de Manaus alterou a lógica dos preços praticados. “Importante frisar que a Petrobras privatizou a refinaria de Manaus e agora temos uma empresa privada atuando na região sem subsídios que a antiga estatal mantinha nos preços dos seus combustíveis. Agora temos todos os custos embutidos nos preços finais”.
A tributação estadual é outro fator que contribui para o valor elevado. “Temos os impostos e taxas que colaboram para aumentar ainda mais os preços dos combustíveis. Desta forma, o Amazonas desponta com um preço maior em relação aos outros estados brasileiros”.
Segundo o economista, o impacto do etanol caro vai além dos postos de combustíveis. “Os preços elevados dos combustíveis implicam em custos maiores na cadeia de comercialização dos produtos no Amazonas. Aumentos nos fretes são repassados aos preços finais de vários produtos comercializados na região. Desta forma, pagamos mais para obter os produtos e serviços no Amazonas”, afirma.
Para Cordeiro, é preciso agir em várias frentes para que o etanol se torne mais acessível à população amazonense. “Precisamos de terminal de armazenamento para suprir nossas necessidades e também incentivar a produção local de etanol para aumentar a oferta local sem os custos incidentes dos centros produtores fora do Estado do Amazonas”, sugere.
O economista também defende mudanças na política tributária. “Outra forma seria a redução dos impostos sobre o etanol. Por se tratar de um biocombustível, poderia ter um tratamento tributário diferenciado dos combustíveis fósseis”.
