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Economia

Angra dos Reis espelha crise da Petrobrás

17 de janeiro de 2016 Economia
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As catracas eletrônicas ganharam a nova função de apontar a sorte dos 6,5 mil funcionários (Foto: Divlugação)

ANGRA DOS REIS – Desde o fim de novembro, o dia dos trabalhadores do estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis, litoral sul do Rio, começa com uma espécie de roleta-russa. As catracas eletrônicas ganharam a nova função de apontar a sorte dos 6,5 mil funcionários. Os mais afortunados recebem o sinal verde para seguir com suas funções, mas há 2 mil empregados que vão ver a “arma” disparar ao puxar o “gatilho”. Já houve cerca de 600 vítimas, segundo o sindicato local.

A história de funcionários que souberam seu destino como num jogo de azar assusta os que ficam. “Na última leva, ninguém ficou sabendo. Chegou na hora, bloqueou o crachá e foi demitido. Agora, todo mundo fica com medo de chegar ali e estar bloqueado” conta Daniel Castilho, que trabalha como esmerilhador e hoje convive com a insegurança sobre o futuro.

A roleta-russa do Brasfels é uma das faces reais do desmonte que ameaça a indústria naval, na esteira da crise que vem levando a Petrobras a cortar investimentos. A estatal, principal cliente dos estaleiros, vinha enfrentando dificuldades financeiras desde 2013. Em março de 2014, a Operação Lava Jato, da Polícia Federal apontou o envolvimento da empresa em um esquema bilionário de corrupção. Contratos com fornecedores ficaram sob investigação e muitos foram suspensos.

No último ano, a alta do dólar e a queda no preço do petróleo complicaram ainda mais a situação da petroleira, que já reduziu duas vezes seu plano de investimentos 2015-2019, desde junho do ano passado. O último corte, anunciado terça-feira, eliminou US$ 32 bilhões da previsão de aportes, sinalizando que a estatal deverá apertar ainda mais o cinto no plano de 2016-2020.

A Sete Brasil, empresa criada para mandar construir localmente e operar navios-sonda para a Petrobras e também sob suspeita na Lava Jato, está desde o fim de 2014 sem dinheiro para pagar os estaleiros e perdeu acesso a financiamentos cruciais para levar as obras adiante. Como se não bastasse, a petroleira cancelou encomendas que nem sequer haviam saído do papel e eram esperança de receita para a Sete no futuro.

Os trabalhadores de Angra ainda resistiram durante um tempo. Antes, foram demitidos funcionários dos estaleiros Atlântico Sul (em Pernambuco), Ecovix (Rio Grande do Sul) e Mauá (também no Rio). Em meados de dezembro, a lista cresceu ainda mais: o Estaleiro Ilha S.A. (Eisa) e sua subsidiária Eisa Petro Um, no Rio, fecharam as portas, demitiram 3 mil e pediram recuperação judicial. Ao todo, os estaleiros dispensaram 17,8 mil trabalhadores em 2015 em todo o País, de acordo com o Sinaval, entidade que representa a indústria naval. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos Crise, demissão, Dólar, Petrobras, petróleo
Valmir Lima 17 de janeiro de 2016
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