
Por Marcelo Moreira, do ATUAL
MANAUS – A taxa de analfabetismo no Amazonas é maior entre pessoas pretas e pardas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2022, a taxa de analfabetismo entre pessoas brancas de 15 a 17 anos foi de 3,6%, enquanto entre as pretas e pardas ficou em 4,9%.
Entre as pessoas na faixa de 18 a 24 anos que não sabem ler ou escrever, 3,8% são brancos, enquanto 5,3% são pretas ou pardas. Na faixa etária de 25 a 39 anos, pessoas brancas representam 4,6% da taxa de analfabetismo e as pretas e pardas totalizam 6,3%.
“A exclusão da população preta está em todos os parâmetros. Na educação, precisamente, podemos ver os negros longe das salas de aula e bem mais perto dos empregos informais. O negro é o primeiro a entrar no mercado de trabalho e o último a sair, conforme o Unicef. A criança negra já tem presença nos quadros de exclusão que vai da falta de vagas em creche até ela optar entre trabalho para ajudar sua família ou estudar”, diz Christian Rocha, presidente do Inaô-AM (Instituto Nacional Afro Origem do Amazonas).
Christian afirma que é preciso entender a complexidade do racismo estrutural. Segundo ele, falta oportunidades para que pessoas pretas e pardas sigam na contramão do analfabetismo e tenham acesso à educação de qualidade, e que a interferência de questões políticas impõem obstáculos ao desenvolvimento de ações que contribuam para o avanço de políticas educacionais.
“A necessidade e a falta de oportunidades estão de mãos dadas para ter o impedimento da população preta, que é a maioria dos pobres deste país em todo lugar do Brasil, assim como na América Latina, e continuam sendo presas fáceis para falácia e falas promessas políticas”, disse. “As políticas de cotas nas instituições de ensino necessitam continuar, porém, com manutenção, quem é contra as cotas raciais é detentor da falta de conhecimento histórico desse país e de como ele se desenvolveu economicamente”, completou.
“Redução lenta”
Segundo o IBGE, no Amazonas, 148 mil pessoas não sabem ler ou escrever. De 2019 a 2022, a taxa de analfabetismo no estado recuou de 5,1% para 4,9%. Quanto mais velho o grupo populacional, maior a proporção de pessoas analfabetas. Mesmo com uma redução de dois pontos percentuais na comparação com 2019, jovens de 15 a 24 anos continuam incluídos na taxa de analfabetismo no estado.
Para Adjalma Nogueira Jaques, supervisor de informações do IBGE, a redução acontece de forma morosa ao longo dos anos. “A série histórica mostra uma redução lenta e, ao mesmo, há entre os jovens a ocorrência significativa de analfabetismo numa faixa-etária que já deveria estar alfabetizada”, disse.
Em nota, a Seduc-AM (Secretaria de Estado de Educação do Amazonas) informou que faz a aquisição de materiais de suporte a professores e alunos, a fim de contribuir para alfabetização dos estudantes. A Seduc disse ainda que disponibiliza turmas da EJA (Educação de Jovens e Adultos) com matrículas duas vezes ao ano para jovens acima de 15 anos que não concluíram os estudos no Ensino Fundamental e para as pessoas acima de 18 anos que não concluíram o Ensino Médio.
Veja a nota na íntegra:
A Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar informa que, no que tange à Alfabetização de crianças nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, tem sido feita a aquisição de materiais de suporte aos docentes e estudantes, além dos materiais didáticos disponibilizados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por meio do Programa Intensivo de Recuperação da Aprendizagem, visando recuperar e recompor competências e habilidades, que em virtude dos dois anos de período remoto (2020-2021) por conta da pandemia, podem não ter sido desenvolvidas a contento no processo de alfabetização e letramento das crianças de 6 a 10 anos. Tem-se utilizado de Plataformas Educacionais como ferramentas de apoio a estudantes e professores, além da disponibilização de materiais didáticos de apoio à recuperação (Coleções Educacionais para todos os níveis de Ensino).
Exemplos:
• Caderno de Reforço Escolar Integrado – atendendo estudantes matriculados do 1º ao 5º ano.
• Caderno de Atividades do projeto Mais Saber – atendendo estudantes matriculados do 1º ao 5º ano.
• Projeto Banco Mais – Educação Financeira com conteúdo de matemática da BNCC do 2º ao 5º ano.
Em relação à Educação de Jovens e Adultos (EJA), que visa exatamente o resgate de estudantes que não foram alfabetizados ou não conseguiram concluir os estudos na idade correta, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar lançou, em 2021, a nova EJA, personalizada e idealizada para o estudante acima de 15 anos que não concluiu os estudos no Ensino Fundamental e acima de 18 anos, que não concluiu o Ensino Médio. A nova EJA, em formato semestral e com aulas em dias alternados da semana, permitiu que o estudante consiga, concomitantemente, seguir sua rotina de trabalho e estudos, desenvolvendo habilidades e competências leitoras dos processos de alfabetização e letramento e conseguido o tão sonhado certificado. Neste formato, a EJA tem aumentado a matrícula da rede, sendo ofertada matrícula duas vezes ao ano, para que haja ainda mais possibilidade do estudante ter acesso a uma educação de qualidade e à formação na Educação Básica.
