O Amazonas Atual utiliza cookies e tecnologias semelhantes, como explicado em nossa Política de Privacidade, para recomendar conteúdo e publicidade. Ao navegar por nosso conteúdo, o usuário aceita tais condições.
Confirmo
AMAZONAS ATUAL
Aa
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
    • Augusto Barreto Rocha
    • Cleber Oliveira
    • Fatima Guedes
    • José Ricardo
    • Márcia Oliveira
    • Sandoval Alves Rocha
    • Sérgio Augusto Costa
    • Tiago Paiva
    • Valmir Lima
  • Quem Somos
Aa
AMAZONAS ATUAL
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos
Pesquisar
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
    • Augusto Barreto Rocha
    • Cleber Oliveira
    • Fatima Guedes
    • José Ricardo
    • Márcia Oliveira
    • Sandoval Alves Rocha
    • Sérgio Augusto Costa
    • Tiago Paiva
    • Valmir Lima
  • Quem Somos
Siga-nos
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos
© 2022 Amazonas Atual
Márcia Oliveira

‘Amazônia, cuidado com o pé do boi’

6 de setembro de 2017 Márcia Oliveira
Compartilhar


Há exatos vinte anos o cantor e compositor popular Zé Pinto, lançava a música Devoção à Amazônia que seria lançada na coletânea Arte em Movimento em julho de 1998 que contou com a participação de músicos famosos como Chico César, Vânia Bastos, Lecy Brandão e Beth Carvalho.

Tanto a composição quanto a música Devoção à Amazônia fizeram e continuam fazendo muito sucesso nos meios populares, de modo especial no interior dos movimentos sociais que passaram a conhecer mais a Amazônia e assumir a sua causa cantando essa canção. Carregada de simbologias, a letra da música recolhe recortes importantes da vida na floresta e denuncia a expansão irresponsável da pecuária na Amazônia com os seguintes versos:

“Não sou apenas o índio que perdeu sua taba, na curva da estrada que o trator abriu. Quando arrancou mãe-floresta, quebrou minha flecha, deturpou minha festa e quase ninguém viu. Não quero esse lero-lero de quem diz: não posso! Coitado! Ai de mim!

Se a Amazônia dá um grito, nós gritamos juntos e rezamos assim: Ave! Ave! Santa árvore, Pai nosso e do palmital, pão nosso do santo fruto, ribeirinho enfrenta o mal, do homem que traz a cerca, planta capim, faz curral, amparado num projeto de violência brutal onde o humano é esquecido, e o boi querido é o tal.

Oh Amazônia cuidado com o pé do boi. Chico já disse, ninguém mais se esqueceu
O latifúndio traz miséria acaba a mata, incendeia, desacata milenares filhos teus.

Se expulsar o seringueiro meu amigo, pense comigo a seringueira vai chorar
é sua escora, é companheira, é sua amiga e ela percebe que ele sabe preservar.

Muita tristeza no tombo da castanheira, pro castanheiro é quase morrer de dor
ver destruída sua eterna companheira, por um projeto que ele não testemunhou.

E como fica onça pintada, arara azul, paca, cutia, periquito, porco-espinho
o jacaré, traíra, boto e lambari, pedem socorro com seu choro jacamim.

Chega de longe uma falsa ecologia, mas, essa fria seu projeto já mostrou
imperialismo vem escrito na cabeça, não tem magia quem não conhece o amor.
Levanta o índio junto aos outros companheiros, vimos ligeiros contra a força desse mal

fazer corrente em toda a América Latina, a causa é nobre, a luta é internacional”.

Na atual conjuntura em que os estados da Amazônia são os principais responsáveis pela expansão pecuária no Brasil, a reflexão da letra de Devoção à Amazônia se faz bastante oportuna. É inegável a contribuição econômica da produção de gado leiteiro e de corte. Trata-se de uma das atividades econômicas mais importantes do Brasil responsável pelo abastecimento interno da demanda de carne e leite e pelo crescimento das exportações nas últimas décadas.  Entretanto, o que se questiona é a expansão dessa atividade econômica que avança dia-a-dia sobre a floresta e os impactos socioambientais desse modo de produção.

De acordo com o Observatório do Clima do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Imazon, o problema está no modo de produção agropecuária adotado na Amazônia de modo extensivo, que vem provocando desmatamento extensivo e desnecessário tornando o “setor agropecuário o principal contribuinte para as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do país (chega a aproximadamente 62% do total brasileiro)”, afirmam os pesquisadores do Imazon.

Nessa perspectiva, acredita-se que o tamanho do território ocupado pela pecuária em 2007 já seria suficiente para garantir o crescimento deste setor econômico sem necessariamente desmatar mais nenhum palmo de floresta.

Entretanto, o que vem ocorrendo é a continuidade do desmatamento para a garantia da expansão da pecuária. De acordo com o Imazon, “na Amazônia, o desmatamento ainda atinge cerca de 500-600 mil hectares por ano, envolve ocupações ilegais em Unidades de Conservação e Terras Indígenas e conflitos por terra”.   Ainda de acordo com as pesquisas do Imazon, “a pecuária tem sido alvo de maiores críticas, pois: é a maior responsável pelo desmatamento (75% das áreas desmatadas na região entre 1995 e 2004 foram transformadas em pasto); é campeão de áreas mal utilizadas com cerca de 12 milhões de hectares de pastos sujos; e é a campeã em ocorrências de trabalho análogo a escravo”.

Essa estreita relação entre o crescimento da pecuária e o desmatamento da Amazônia com todos os seus impactos sociais e ambientais precisa ser refletida à luz dos limites do ecossistema do nosso bioma e das suas consequências.

De maneira especial é preciso retomar o debate em torno da importância da floresta para o equilíbrio das chuvas na Amazônia e em outras regiões do país, para frear o aquecimento global e, acima de tudo, para garantir vida com dignidade para milhares de pessoas que dependem da floresta e de seus recursos naturais para sua sobrevivência com dignidade e autonomia.

Os especialistas do Imazon têm alertado que a combinação do gado com o desmatamento e as queimadas são responsáveis por gigantescas emissões de Gases do Efeito Estufa – GEE, 62% do total brasileiro, responsáveis, em grande medida, pelo aquecimento global que coloca em desequilíbrio a vida no planeta.

O aumento do desmatamento para criação de gado tem acirrado os conflitos socioambientais e colocado em risco a vida de milhares de pessoas que, mesmo estando na rota da pecuária não se beneficiam de seus resultados. Muita gente tem sido deslocada e substituída pelo “pé do boi” como afirma o cantor. Há regiões como São Félix do Xingu que possui cerca de 20 bois para cada habitante, o que representa uma inversão de valores humanos e sociais.

No estado de Rondônia, para cada habitante existem carca de 7,7 cabeças de gado e a região apresenta uma das maiores desigualdades sociais do Brasil. Isso indica que o aumento da produção de gado não tem impactado na melhoria de vida dos habitantes da Amazônia. Ou seja, a pecuária é um dos setores da economia com maior concentração de renda, o que nos leva crer que realmente é preciso ter “cuidado com o pé do boi”.


Marcia Oliveira é doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia (UFAM), com pós-doutorado em Sociedade e Fronteiras (UFRR); mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia, mestre em Gênero, Identidade e Cidadania (Universidad de Huelva - Espanha); Cientista Social, Licenciada em Sociologia (UFAM); pesquisadora do Grupo de Estudos Migratórios da Amazônia (UFAM); Pesquisadora do Grupo de Estudo Interdisciplinar sobre Fronteiras: Processos Sociais e Simbólicos (UFRR); Professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR); pesquisadora do Observatório das Migrações em Rondônia (OBMIRO/UNIR). Assessora da Rede Eclesial Pan-Amazônica - REPAM/CNBB e da Cáritas Brasileira.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

Notícias relacionadas

BNDES libera R$ 200 milhões para Mombak para restauração de florestas na Amazônia

Problemas complexos exigem propostas sistêmicas

Gilberto Mestrinho e o jacaré: a inteligente defesa do manejo

Infraestrutura na Amazônia precisa tirar cidades e pessoas do isolamento

Não basta tecnologia, é necessário mudar de mentalidade

Assuntos Amazônia, Pecuária
Redação 6 de setembro de 2017
Compartilhe
Facebook Twitter Pinterest Whatsapp Whatsapp LinkedIn Telegram Email Copy Link Print
2 Comments
  • Cícero disse:
    8 de setembro de 2017 às 23:40

    Artigo primoroso, relevante, oportuno e bastante esclarecedor. Parabéns à autora.

    Nossa maior riqueza são as florestas, mas parece que nem isso será poupado como legado às gerações futuras. O avanço da atividade pecuária na seara Amazônia devasta, de forma brutal e inconsequente, a nossa flora, pondo em risco a sobrevivência das populações nativas dos bosques e matas e dos animais que ali habitam. Com o desmatamento acentuado, o que será da fauna silvestre?

    Responder
  • ze pinto disse:
    11 de setembro de 2017 às 11:23

    Oi. Obrigado por utilizar a menssagem de minha cancao viva a amazonia

    Responder

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

Floresta amazônica: maioria dos brasileiros não conhece a região (Imagem: YouTube/Reprodução)
Economia

BNDES libera R$ 200 milhões para Mombak para restauração de florestas na Amazônia

21 de setembro de 2026
Augusto Barreto Rocha 2023
Augusto Barreto Rocha

Problemas complexos exigem propostas sistêmicas

21 de setembro de 2026
Manejo do Jacaré na Amazônia
Expressão

Gilberto Mestrinho e o jacaré: a inteligente defesa do manejo

20 de setembro de 2026
Rodovia BR-319: comunidades às margens da estrada não possuem título definitivos das terras (Foto: Luiz Felipe Santos/DPAM)
Dia a Dia

Infraestrutura na Amazônia precisa tirar cidades e pessoas do isolamento

20 de setembro de 2026

@ Amazonas Atual

  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos

Welcome Back!

Sign in to your account

Lost your password?