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zmanchete

Amazonense precisa acabar com a cultura do ‘rouba, mas faz’, diz Luiz Castro

26 de julho de 2017 zmanchete
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Deputado Luiz Castro foi entrevistado pelos jornalistas Cleber Oliveira e Valmir Lima na série sobre a eleição suplementar (Foto: Felipe Campinas/ATUAL)
Deputado Luiz Castro foi entrevistado pelos jornalistas Cleber Oliveira e Valmir Lima na série sobre a eleição suplementar (Foto: Felipe Campinas/ATUAL)

Da Redação

MANAUS – Candidato a governador do Amazonas na eleição suplementar, o deputado estadual Luiz Castro (Rede) forma a coligação ‘O começo de uma grande mudança’ em aliança com o PSOL. Ex-prefeito de Envira (a 1.214 quilômetros de Manaus), Castro diz que sua candidatura é para o eleitor comparar com a dos adversários.

O deputado se apresenta como ‘resistência’ e diz que os candidatos do sistema querem simplesmente manter o poder e os privilégios. “O problema hoje não é tanto ideológico, é muito mais um problema cultural e ético. O ‘rouba, mas faz’ não dá mais para manter. O ‘rouba, mas faz’ é um sistema iníquo colocado por Ademar de Barros e depois Paulo Maluf como justificativa para políticos corruptos. Tem que fazer sem roubar”, disse, em entrevista ao ATUAL, na tarde desta quarta-feira, 26.

Caso eleito, Castro promete reduzir cargos comissionados, contratos e a terceirização para garantir dinheiro para investimentos e privilegiar os servidores contratados em concurso. O candidato reclama da lentidão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) em julgar recursos por mais tempo da Rede no programa eleitoral gratuito.

Confira os principais trechos da entrevista.

Imparcialidade do TRE

“Estamos cobrando do TRE uma postura realmente imparcial, proativa no sentido de não aumentar a desigualdades que já existem na lei eleitoral que torna o tempo da Rede e do PSOL muito pequeno, assim como o fundo partidário. Na última reforma eleitoral os grandes partidos que dizem ser adversários entre si, reduziram o tempo disponível para os pequenos partidos e agora o TRE ignora um direito da Rede de fazer valer o seu tempo, pelo menos em relação aos cinco deputados federais que entraram no partido quando ele foi criado. Isso é uma coisa absurda. Eu quero denunciar à sociedade essa inércia do TRE de não tomar uma decisão que nos permita recorrer ao TSE.”

Resistência política

“O nosso adversário não é o TRE. Nosso adversário é essa corrente que vem desde Gilberto Mestrinho (ex-governador) e que é hoje representada por três candidaturas que estão alicerçadas em um forte poder econômico e máquinas governamentais. Nós somos uma espécie de resistência, de não nos permitir ser incoerentes na nossa luta, que é democrática, de paz, de não agressão pessoais, mas de verdades.”

Interesse coletivo

“Não dá para fazer uma mudança profunda na questão de investimentos. Vamos ter 14 meses e meio aproximadamente de governo interino e nosso plano de governo não vem com mentiras mirabolantes, vem como propostas muito simples. A prioridade vai ser de fato o interesse coletivo e não o interesse privilegiado de grandes empresários e de grupos de políticos que estão cada vez mais ricos e o povo cada vez mais pobre e mais sofrido, nas filas para exame, consultas e por cirurgias, na insegurança e na falta de emprego e renda.”

Cargos comissionados

“Vamos diminuir os cargos comissionados, diminuir cargos indicados politicamente, valorizar o servidor efetivo, prestigiar aqueles que vão atender você na ponta que é o pessoal da área de saúde, professores, assistentes sociais e psicólogos e, claro, os policiais e peritos. Vamos diminuir os gastos com burocracia e ampliar o investimento na ponta onde o cidadão precisa ser bem atendido.”

Relação com Eduardo Braga

“Eu já era um político em Envira (prefeito do município) com uma visão de administração bem diferente. Embora tivesse uma aliança política de prefeito do interior com o governador (Eduardo Braga), nós administrávamos de uma maneira bastante diferente os recursos públicos. Eu sou um político que não tem uma única acusação de desvio de dinheiro. Eu sempre fui muito rigoroso com essa questão de propina, de corrupção e essa era uma característica minha que não combinava com o grupo político que eu estava inserido. Mas eu tinha esperança na época em que o governador Eduardo assumiu o governo de que ele também quisesse promover uma transformação verdadeira. Mas na Sepror (Secretaria de Produção Rural, da qual foi secretário), no primeiro ano, nós tivemos o apoio para implantar o sistema organizado de política pública para o setor primário, mas no segundo ano eu comecei a observar que eu era uma espécie de peixe fora d’água. Primeiro, eu não sirvo para outros interesses do que aqueles que estão postos no cargo que ocupa. Eu não faço nenhum jogo. Não sou útil ao sistema, sou útil à sociedade. Em 2005 quando pedi para sair da Sepror e voltei à Assembleia, percebi que claramente eu tinha que adotar uma mudança de posição. E tive essa decisão mais existencial que política. Foi uma decisão verdadeira e com uma linha de coerência que qualquer um pode acompanhar. Estou há 12 anos fazendo oposição e não vou aceitar nenhum tipo de proposta e digo claramente: prefiro perder uma eleição a ter que abrir mão dos meus ideais.”

Comparação

“Eu gosto de tomar laranja, comer laranja, tomar laranjada, mas eu não sou laranja. Minha campanha é simples, não tem dinheiro daqueles empresários que financiam outras candidaturas. E no caso do meu amigo, não chega a ser um amigo, mas uma pessoa que eu respeito, Marcelo Serafim (vereador, candidato do PSB), também acredito que ele não é laranja. Mas eu estou muito mais preparado para governar o Estado porque conheço muito melhor o interior e tenho um acúmulo maior do que o dele. Nesse sentido, respeito muito a candidatura do Marcelo, é uma pessoa que está fazendo um papel correto, mas nós estamos querendo colocar em comparação. E quando eu falo do Marcelo, eu me refiro ao Marcelo Serafim que fique bem claro, para uma comparação da nossa candidatura.”

Projetos para o interior

“O programa Zona Franca Verde emperrou em uma série de obstáculo por falta de vontade política e da falta de comprometimento da própria estrutura de gestão. Nós temos essa característica: cada governador cria um programa diferente para o interior. O zona franca verde seria, na teoria, melhor que o terceiro ciclo. E começou melhor, mas depois emperrou no mesmo paternalismo, na visão arcaica da política de querer dar esmola para o povo para depois o povo devolver com voto. Se você dá esmola ao cidadão com o dinheiro que é dele mesmo, você o vicia, o condiciona a ser um dependente do poder público. Esse é um grande erro no interior do Estado dessa escola política, além dos atos de corrupção e incompetência. As pessoas precisam de oportunidades e não de esmolas.”

Saúde pública

“Nós temos um grave problema na área de saúde, de má gestão, com contratos milionários, com custo altíssimo que precisa ser revisto. Hoje, o governo do Amazonas compra remédio no atravessador, no distribuidor de remédios aqui em Manaus, quando ele poderia comprar pela metade do preço, na Furp, em Manguinhos, no Instituto Oswaldo Cruz e até nos laboratórios privados com um custo muito menor abastecendo a rede na capital e no interior sobrando dinheiro para chamar os concursados, sobrando dinheiro para melhorar a capacidade de exames, investir nas cirurgias, fazer a saúde funcionar com uma logística mais racional integrando as questões de baixa, média e alta complexidade. É preciso compreender que a desorganização da saúde prejudica o povo que não tem dinheiro para pagar o plano de saúde.”

Segurança

“E na segurança não é diferente. Há uma desorganização sistêmica. Você sabia que na segurança tem muito mais cargo comissionado que servidor efetivo? Falta policial na ponta e está cheio de gente ganhando dinheiro em cargo comissionado, na burocracia da Secretaria de Segurança. Nós precisamos do policial na rua, na atividade fim. Para fazer isso é preciso dizer não, dizer não para aqueles pedidos que vêm de gabinete poderoso.Nossa polícia não pode fazer nada que afete o governador, tem que ser uma polícia obediente ao governador. Nós queremos nossa polícia mais independente. Veja o sucesso da Polícia Federal. Se ela não fosse independente, não poderia fazer as investigações e as operações que colocam corruptos de grande poder econômico e político na cadeia e ajudam a Lava Jato a fazer suas operações.”

Terceirização

“A gente tem que separar a terceirização com alto nível de especialização. Por exemplo, só existem dez patologias no Estado do Amazonas. Então não adianta eu dizer aqui que vou acabar com a terceirização na patologia porque eu seria hipócrita, mentiroso e demagogo. A gente vai ter que manter algumas terceirizações em áreas de alto nível de especialização. Agora a área de enfermagem é a mais crítica na terceirização. Você tem profissionais disponíveis no mercado, mais de três mil concursados para serem chamados e você está com a enfermagem na terceirização nos principais hospitais, inclusive com empresários que nem são da área de saúde e que pagam irrisórios R$ 70 para um técnico de enfermagem e irrisórios R$ 100 para um enfermeiro por um plantão de 12 horas. Esses profissionais demoraram de dois e até quatro meses para receber seus salários. A terceirização deve ser a exceção e não a regra.”

Corrupção

“A corrupção traz dois problemas. Essas máfias que se instalam no poder, além de tirar o dinheiro que tem que ser investido nas áreas de saúde, educação e segurança, ela também distrai a atenção de quem está no governo para se preocupar muito mais em fazer esquemas do que em gerir política pública. Se você quer um governo limpo, vote limpo.”

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Assuntos Amazonas, eleição suplementar, José Melo, Luiz Castro, Psol, Rede, TRE-AM
Cleber Oliveira 26 de julho de 2017
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