
Do ATUAL
MANAUS – O Amazonas registrou 5.731 incidentes na assistência à saúde entre agosto de 2023 e julho de 2024. Foram 2.349 falhas envolvendo cateter venoso, 916 lesão por pressão e 780 falhas na assistência à saúde. Em todo o país ocorreram 295.355 falhas.
Os dados foram levantados pela ONA (Organização Nacional de Acreditação), com base em informações fornecidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Falha na identificação (590) e queda do paciente (309) também estão entre as ocorrências no Amazonas. Pacientes na faixa etária de 66 a 75 anos são os mais afetados. Em seguida estão os com idade entre 56 e 65 anos. A maior quantidade de registro foi no Hospital Delphina Aziz, na zona norte de Manaus.
Entre as ocorrências mais graves estão a administração incorreta de medicamentos, seja por dosagem ou tipo errados, e a realização de cirurgias em locais equivocados no corpo dos pacientes. Também foram registrados casos de lesão por pressão de três tipos: contusão (lesão dos tecidos moles causada por trauma), entorse (alongamento dos ligamentos) e luxação, considerada a mais grave, em que há deslocamento do osso da articulação.
A ONA propõe adoção do processo de acreditação, que permite às instituições adotar protocolos de segurança mais rigorosos para proteger os pacientes. Recentemente, a ONA conduziu uma pesquisa com aproximadamente 100 instituições de saúde, para avaliar a redução de falhas após a implementação de medidas de segurança.
“Mais de 30% dos entrevistados relataram que as falhas na administração de medicamentos diminuíram em 51%; os erros na identificação de pacientes caíram 52%; as infecções hospitalares reduziram 42%; as falhas na prescrição de medicamentos baixaram 35%; enquanto os problemas de comunicação diminuíram 37%. Houve ainda uma redução de 33% nas quedas de pacientes nos leitos e de 45% tanto nas falhas na esterilização de materiais quanto na manutenção preventiva dos equipamentos”, revela a gerente de Operações da ONA, Gilvane Lolato.

“A obtenção da acreditação é um processo desafiador que exige comprometimento, disciplina e uma profunda mudança cultural dentro das organizações. Além de aumentar a segurança no atendimento médico e na realização de exames e diagnósticos, também traz maior precisão e confiança tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. O processo contribui ainda para minimizar riscos e reduzir falhas operacionais”, acrescenta Gilvane.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que ocorram anualmente cerca de 134 milhões de eventos adversos em hospitais de países de baixa e média renda, levando a aproximadamente 2,6 milhões de mortes.
Atualmente, das mais de 380 mil organizações de saúde registradas no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), apenas 1.932 estão acreditadas. Deste total, a ONA é responsável por 72,1% das certificações, o que corresponde a mais de 1.500 instituições, sendo 422 hospitais. No entanto, apenas 0,45% das instituições de saúde no Brasil possuem certificação. Dentre as acreditadas, 68,4% são de gestão privada, 22,2% de gestão pública, 8,3% filantrópica e 0,1% são de gestão militar.
Confira o estudo sobre o Amazonas na íntegra.
