
Do ATUAL
MANAUS — O advogado Nelson Wilians, cujas empresas foram alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Distrato, deflagrada na quarta-feira (15) nos Estados de São Paulo e Paraná, recebeu em junho de 2025 a Medalha de Ouro Cidade de Manaus, a maior honraria da CMM (Câmara Municipal de Manaus).
A homenagem foi proposta pelo vereador Diego Afonso (União Brasil), que justificou a concessão da comenda pela atuação de Wilians na defesa da ZFM (Zona Franca de Manaus) e pela geração de empregos na capital amazonense por meio do escritório Nelson Wilians Advogados.
Na cerimônia, realizada em 16 de junho de 2025, Diego Afonso afirmou que acompanhava o trabalho da sucursal do escritório em Manaus desde a fundação e classificou o advogado como um defensor dos direitos empresariais e tributários.
“Hoje nós estamos fazendo uma justa homenagem a este doutor que, há 14 anos, gera emprego e renda e, principalmente, nesse emaranhado tributário, as suas lutas são para dar equilíbrio para aqueles que geram emprego, tanto na indústria quanto no comércio. A manutenção da Zona Franca de Manaus merece ser homenageada”, disse o vereador na ocasião.
Ao discursar, Nelson Wilians afirmou que mantinha uma relação próxima com o Amazonas desde a instalação da filial do escritório no Estado e disse considerar a homenagem um reconhecimento de sua atuação.
“Para mim, esta homenagem é a consolidação de um momento que começou lá atrás. Sempre fui um defensor da Zona Franca e não podemos deixar de estar sempre vigilantes para que ela nunca perca esse status”, afirmou.
À época, a CMM informou que o escritório em Manaus era administrado pelo sócio-diretor Sérgio Vieira, contava com cerca de 240 colaboradores e era responsável por aproximadamente 120 mil processos ativos.
Operação Distrato
Na quarta-feira, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) deflagrou a Operação Distrato para investigar um suposto esquema de comercialização de créditos falsos de ICMS utilizados por empresas para reduzir ilegalmente o pagamento de tributos estaduais.
Segundo os investigadores, empresas ligadas a Nelson Wilians ofereciam créditos tributários com deságio, apresentados como parte de planejamentos tributários supostamente autorizados pelo Fisco. O esquema teria causado prejuízo superior a R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos.
Foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Paraná, incluindo o escritório e a residência do advogado. A investigação apura possíveis crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato, falsidade documental e crimes contra a ordem tributária.
A defesa de Nelson Wilians foi procurada pela reportagem do Estadão, que informou que o espaço permanece aberto para manifestação.
Wilians também já havia sido alvo de investigação da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apura supostas fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios do INSS. Em depoimento ao Congresso Nacional, ele negou participação nas irregularidades.
