
EDITORIAL
MANAUS – O acidente ocorrido no último domingo no município de Manacapuru (AM), durante apresentação de uma agremiação no Festival de Cirandas, deve servir de alerta às autoridades, que precisam rever os critérios de segurança.
O que era para ser uma brincadeira, como sempre foi a ciranda no Brasil, se tornou um pesadelo para as famílias das 26 pessoas vítimas do acidente.
Mas o episódio deve também servir de reflexão a todos os que organizam os festivais no Amazonas, aos brincantes e ao público em geral.
Qual o sentido de se dependurar a alturas entre 10 e 20 metros do chão para chamar a atenção do público. Há uma certa insanidade na apresentação de alegorias nessas festas, que tentam imitar o Festival Folclórico de Parintins.
Neste ano, uma agremiação folclórica de um dos bumbás que fazem a festa em Parintins também utilizou um imenso guindaste para “depositar alegorias” na arena trazidas do alto. A parafernalha foi apresentada com pompa e foi motivo de orgulho da agremiação.
A evolução tecnológica aproveitada nos festivais é bem-vinda, abrilhanta a festa. Enche os olhos do público, mas não podem colocar em risco a vida das pessoas que estão ali para fazer ou contemplar o espetáculo.
O uso de guindastes nas apresentações é totalmente desnecessário. Os bumbás de Parintins, por exemplo, ganharam projeção mundial com apresentações memoráveis feitas sobre o solo, com alegorias movidas a tração humana, sem riscos.
A alegoria que despencou no último domingo, abarrotada de brincantes, não seria uma obra de arte de menor valor se entrasse pelos portões do palco da apresentação. Não faz qualquer sentido pendurar pessoas e alegorias para depositar no meio da arena.
Nem na festa dos bumbás de Parintins, nem no Festival de Ciranda de Manacapuru e nem em qualquer festa popular o uso de guindastes é essencial. Portanto, deveria ser repensado tanto pelas autoridades quanto pelos organizadores das festas.
O Amazonas deveria adotar as normas de segurança do Carnaval do Rio de Janeiro, onde os carros-guincho são utilizados apenas no auxílio à montagem de alegorias ou para colocar ou retirar os brincantes dessas estruturas, antes da entrada na passarela do samba e na dispersão.
O uso exagerado de guindastes durante as apresentações, transportando brincantes pelos ares, deveria ser proibido pelas autoridades de segurança, porque, como mostrou o acidente no Festival de Cirandas de Manacapuru, ninguém está seguro: nem os brincantes nem o público.
Felizmente, a alegoria que despencou no último domingo não atingiu os brincantes que estavam no solo.

