
As medalhas recebidas por Rayssa e Kelvin, na disputa de skate street nas Olimpíadas de Tóquio, alegrou o Brasil neste tempo de tanto sofrimento pela pandemia e descaso do Governo Federal. Mas também mostra que o país precisa investir no esporte, dando mais oportunidades aos jovens.
Rayssa Leal, a “Fadinha”, adolescente de apenas 13 anos, de Imperatriz no Maranhão, encantou o Brasil, ao ganhar a medalha de prata no skate street feminino nas Olimpíadas de 2020, que ocorrem em 2021, devido a pandemia. No skate street masculino, o Brasil ganhou a medalha de prata com Kelvin Hoefler, que também foi muito comemorado.
A modalidade de skate street foi incluída este ano nas Olimpíadas. Uma novidade que alegrou muito os praticantes de skate. Certamente, estes resultados favoráveis para o Brasil vão incentivar e ampliar esta prática esportiva em todo país. Muitos praticantes do skate vivem nas periferias das cidades, às vezes, são marginalizados. Provavelmente, agora poderá haver uma mudança, com investimentos em espaços públicos para o skate e outras modalidades de esporte.
Esse é o desafio: ampliar investimentos no esporte, com um foco na juventude. O esporte é o caminho para mudar a vida de muitos jovens. Fundamental a inclusão social dos adolescentes e dos jovens com atividades esportivas, culturais e de lazer, principalmente, para os que vivem na periferia, dando mais oportunidades e tirando-os do mundo da violência e das drogas.
Mas os governos estão na contramão. Em Manaus, extinguiram a Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer. O mesmo aconteceu com o Estado, que acabou com a Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel). E o Governo Federal não fica atrás: também extinguiu o Ministério dos Esportes. Aliás, o Governo Bolsonaro também acabou com o Ministério da Cultura e o Ministério do Trabalho, dois ministérios importantes para criar oportunidades para os jovens. Juntos com as extinções de secretarias e ministérios, reduzem e somem os recursos para o esporte.
Desde quando fui vereador, defendia que nas escolas se começassem as práticas de esportes, com perspectivas de descobrir futuros atletas, inclusive, abrindo as quadras de esporte para uso nos finais de semana. Quando deputado estadual, apresentei o Projeto Programa de Implantação de Quadras de Esportes nas Escolas. Não é possível que ainda se construa uma escola sem ter um espaço para o esporte.
O certo é que o esporte precisa ser incentivado e apoiado, tanto o esporte amador quanto de alto rendimento. Um caminho são as bolsas para apoio aos atletas. O Governo Lula criou o Bolsa Atleta, em 2005, e hoje 80% dos competidores brasileiros em Tóquio são financiados por este programa, que se transformou no maior patrocinador individual do mundo. Em 14 anos, 63,3 mil bolsas bancaram 26,5 mil atletas.
O programa, criado pelo Lula, já distribuiu mais de R$ 1,1 bilhão, criando condições para atletas se dedicarem em competições locais, sul-americanas, panamericanas, mundiais, olímpicas e paraolímpicas.
O esporte é alegria, é saúde, é vida. Quem sabe o feito da nossa “fadinha”, Rayssa, vai contribuir para um novo olhar em favor das políticas de apoio ao esporte, e onde as crianças, adolescentes e jovens sejam a prioridade.
José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.
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