Passos milimetricamente cadenciados, pelo interior da faculdade, lá vai ela com seus livros (imagino que sejam gramáticas), verdadeiros calhamaços, clássicos filológicos de Evanildo Bechara, Antônio Houaiss, dentre outros renomados.
Sorriso franco, aberto, sem deixar transparecer incógnita a satisfação no ofício que lhe dá prazer: a arte de ensinar.
Adentra à sala de aula. Senta-se, apresenta-se aos alunos de jornalismo, porquanto é o primeiro contato que mantém com a nova turma. Interpela a cada um, para que doravante, as aulas se tornem interativas, pois agindo desse modo a aprendizagem tornar-se-á mais democrática, abrindo um leque de opções entre aluno e professor.
A fluidez das suas aulas, logo contagia o ambiente; todos interagem a sua maneira. A socialização é peça chave para que tudo se encaixe na medida perfeita.
Álbuns de família são apresentados, discussões acaloradas, recheadas de afetividades, dão o tom inaugural de como serão às próximas aulas. Ela é preparadíssima. Veio ao plano físico para lecionar Lógica da Linguagem, matéria que requer certa insistência e preparo aqueles que desejem enfrentar o dia a dia, mesmo tendo consciência que outras disciplinas são relevantes para se chegar a um nível satisfatório, contudo a Língua Portuguesa é a que precisa de atenção redobrada, por se tratar da linguagem falada e escrita, ingredientes essenciais, que não podemos prescindir. No quesito profissionalismo e elegância, a turma não me deixa solitário. Na segunda hipótese ganhará o senso comum. Ela, a professora MSCV, tirará também nota dez.
– Ela está chegando. Viste, nem repetiu ?
– Repetiu o quê ?
– Tu sabes; fala, fala, diz logo …
– Deixa-a passar que te falo, calma, não te precipites.
– Rapaz, não sei vocês haverão de convir, retrucou um dos rapazes, que durante o intervalo , também observava a professora MSCV .
– Aposto, darei a metade do meu salário se alguém vir a professora MSCV repetir alguma indumentária, durante o tempo em que ela vem dar aula aqui no Uninorte. Troco de nome, interrompeu outro acadêmico que ouvia a conversa. Nesse ínterim, enquanto a professora adentrava à sala para ministrar mais uma das suas predileções, ensinar, pulou uma moça vistosa, exuberante e bradou:
– Essa professora é muito abastada ou o marido dela é um grande afortunado, pois ninguém me falou, vejo quotidianamente, além de ela não repetir nenhuma vestiária, ainda esnoba, com sapatos finos e excêntricos, pelos corredores da Laureate International Universitieis. Talvez tenha mais de 500 pares deles, ultrapassando, assim, o recorde da ex-primeira dama das Filipinas, Imelda Marcos, campeã nesse item, enquanto não conhecíamos a professora Maria do Socorro Viana.
Isso são coisas de universitários que não têm o que fazer, contra-argumentou um dos presentes, talvez, criticando a maneira de agir de pessoas que ficam a espreitar, ou até bisbilhotar, no intervalo das aulas à vida alheia, mas que pra que isso aconteça é necessário, ao mesmo tempo que tal personagem seja emblemática, e nisso a professora Maria do Socorro é a métrica perfeita de comentários afetivos, pelo o seu deslumbre e bagagem profissional, híbrido que nos deixam orgulhosos de ser seus alunos.
