
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – O Sinetram (sindicato das empresas de transporte coletivo por ônibus convencional que atuam em Manaus) inventou uma desculpa, nesta quinta-feira (5), para descumprir uma ordem judicial que deixou o mais embusteiro dos mortais com inveja. Diante da ordem para voltar a disponibilizar passe livre estudantil aos estudantes da rede estadual de ensino, a direção do sindicato soltou nota afirmando que não era possível porque o sistema de bilhetagem é equipado com uma trava técnica que retém o passe livre se não houver o pagamento.
Fosse verdade a tal trava técnica, o sistema teria deixado de oferecer o passe livre aos estudantes no ano passado, quando o então governador Wilson Lima resolveu não pagar a parte que cabia ao Estado do Amazonas. Durante todo este ano de 2026, o Sinetam vinha se queixando de que poderia suspender o passe livre a esses estudantes caso o governo estadual não providenciasse a quitação de débitos de 2025. Durante todo esse tempo, a trava de segurança esteve destravada.
O Sinetram não pode e não deve ser tratado como o coitadinho dessa história, que tem como maiores prejudicados os estudantes e os pais que precisaram meter a mão no bolso novamente para bancar o transporte dos filhos para a escola. O sindicato das empresas de ônibus tem responsabilidades sobre o caos que se criou em torno do passe livre estudantil, principalmente pela falta de transparência.
É preciso lembrar que o Sinetram mantém o controle do sistema de bilhetagem a mão de ferro e estabeleceu, sabe-se lá com que dados, que a passagem de ônibus em Manaus custava em fevereiro de 2025 R$ 8,20. Ninguém sabe, porque nunca a planilha de custos do sistema foi aberta para análise de quem se interessasse, se os dados apresentados pelas empresas são reais, de fato.
Deputados estaduais e o Governo do Amazonas cobram do Sinetram a abertura e o detalhamento da planilha de custos e a composição da tarifa técnica, mas essa planilha é tratada como uma caixa-preta.
Do lado do município, o poder concedente, há apenas passividade diante da gravidade da situação. É dever do prefeito de Manaus não apenas cobrar, mas apresentar para toda a sociedade, em especial aos órgãos de controle, os dados da planilha de custos do sistema de transporte.
Esse dever se impõe não apenas por ser o município o poder concedente, mas, e principalmente, por pagar, com recursos do contribuinte, boa parte dos custos do transporte, através dos subsídios.
Sem a abertura dos dados não é possível avançar na discussão da tarifa, da meia-passagem e do passe livre estudantil. E se o Sinetram se nega a abrir os dados, as suspeições aumentam em relação aos números apresentados, como a tarifa técnica de R$ 8,20 e a dívida acumulada do governo que supera os R$ 36 milhões.

