
Do ATUAL
MANAUS — O vereador Allan Campêlo (Podemos) usou a tribuna da CMM (Câmara Municipal de Manaus), na segunda-feira (26), para xingar e desafiar o policial militar Kidson Maia (PL) para uma briga. O parlamentar chamou o PM de “covarde, frouxo e cagão” ao comentar um gesto de degola feito contra sua irmã, a deputada estadual Alessandra Campêlo (MDB) e vice-governadora eleita, durante a campanha eleitoral.
“Marca o horário e o local. Mas deixa a arma em casa. Porque, com cinco minutos, se eu, com 55 anos, não fizer você chamar ‘mamãe’, eu me dou como perdido”, afirmou Allan durante discurso na Câmara.
A declaração ocorreu um dia após Alessandra Campêlo ser eleita vice-governadora do Amazonas na chapa encabeçada pelo senador Omar Aziz (PSD).
O episódio que motivou a reação do vereador ocorreu no dia 13 de outubro, durante o debate eleitoral promovido pela TV Norte. Na ocasião, Kidson Maia, que disputou uma vaga de deputado estadual e não foi eleito, fez um sinal de degola direcionado a Alessandra Campêlo.
O vereador Alexandre Salazar (PL), eleito deputado federal e que fez “dobradinha” com Kidson durante a campanha, estava ao lado do policial militar no momento do gesto.
Em razão do episódio, a Justiça Eleitoral do Amazonas concedeu medidas protetivas de urgência à deputada estadual. Entre as determinações estão a suspensão do porte de arma de Kidson e Salazar e a proibição de ambos se aproximarem de Alessandra.
Durante o pronunciamento, Allan afirmou que a irmã foi alvo de ataques nas redes sociais e criticou a atitude do policial militar.
“A minha irmã foi muito atacada nas redes sociais por covardes. Teve um que fez aquele sinal para ela e, quando a imprensa foi entrevistar, ele começou a gaguejar. Não foi homem para sustentar o comportamento que ele fez”, declarou.
No dia do debate, Kidson foi questionado sobre o significado do gesto, mas não respondeu diretamente. Em vez disso, devolveu a pergunta: “Você está perguntando ou afirmando?”, que repetiu diversas vezes.
Allan Campêlo também criticou a conduta de pessoas que, segundo ele, utilizam as redes sociais para atacar mulheres. Em um dos momentos do discurso, fez referência à atuação dos policiais contra pessoas em situação de vulnerabilidade.
“É muito fácil pegar um moleque, um jovem que está fumando crack, pesando 30 quilos em uma esquina, e puxar pelo cabelo. É muito fácil fazer um sinal daquele para uma mulher, fazendo cara feia”, afirmou.
Na sequência, Allan desafiou diretamente Kidson Maia, embora tenha evitado mencionar o nome do policial militar.
“Eu ainda não vi nenhum deles fazer isso para um homem. E o desafio está feito para aquele TikToker que quer ser político e foi derrotado também: faz para mim. Marca o horário e o local. Mas deixa a arma em casa”, disse.
O parlamentar voltou a fazer o desafio durante a sessão e afirmou que o comportamento do PM demonstrava, em sua avaliação, covardia.
“É muito fácil estar editando videozinho de TikTok e estar ofendendo as pessoas, principalmente as mulheres, coisa de homem covarde”, declarou.
“Volto a fazer o desafio: deixa a arma em casa e marca o horário e o local. Ele sabe quem é. Eu não gosto nem de falar o nome”, acrescentou.
Ao encerrar as críticas, Allan defendeu a trajetória pessoal e política da irmã e voltou a dirigir ofensas ao policial militar.
“Homem cagão e covarde eu conheço pelo olhar. E esse cara que fez esse comportamento para a minha irmã, uma mulher trabalhadora e que criou os filhos sozinha, que trabalha desde nova e nunca precisou de sensacionalismo para chegar onde chegou, é um covarde, frouxo e cagão, como a grande maioria dessas pessoas que se escondem atrás das redes sociais”, afirmou.
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