

Por Gabriel Serpa, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) têm o desafio de mobilizar, neste domingo (25) eleitores que não foram votar no primeiro turno das eleições de 2026. O candidato do PL ficou à frente, com 56,1 milhões de votos (37%), ante os 53,8 milhões (45%) do petista, na contagem do primeiro domingo de outubro (4). O número de eleitores que não compareceu às urnas foi de 33,7 milhões (21%).
A eleição de primeiro turno deste ano registrou o maior índice de abstenção desde o pleito de 1998, quando 21,7% dos eleitores deixaram de ir às urnas. O então presidente Fernando Henrique Cardoso não precisou ir ao segundo turno para garantir a reeleição, com 53% dos votos, contra Lula (32%) e Ciro Gomes (11%), à época no Partido Popular Socialista (PPS).
Já são 20 anos de crescimento constante na quantidade de brasileiros que deixam de participar do pleito eleitoral, considerando a primeira rodada de votações. Já para o cenário de segundo turno, a abstenção costuma ser mais alta quando comparada ao primeiro. Mayra Goulart, professora de Ciência Política na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cita uma série de fatores relativos ao fenômeno da abstenção: apatia política, protesto, dificuldade de mobilidade e falhas de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A cientista política também explica que primeira rodada de votações conta com a atuação local de prefeitos e vereadores para eleger aliados às Casas Legislativas, tanto para o âmbito estadual quanto para o federal. “A dinâmica da política local tem relativa autonomia. Prefeitos e vereadores estão ali no dia-a-dia”.
A exceção é a corrida presidencial de quatro anos atrás, entre o presidente Lula e o então incumbente Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, 20,79% dos votantes ficaram ausentes no primeiro turno, número que caiu para 20,59% no segundo. O petista foi de 57,2 milhões de votos para 60,3 milhões entre a primeira e a segunda etapa, crescimento de 5,4% da votação. O movimento para reverter os ausentes favoreceu o ex-presidente Bolsonaro, que saiu de 51 milhões no primeiro turno para 58,2 milhões no segundo — aumento de 14%.
Neste ano, passada a votação do dia 4 de outubro, movimentos estudantis que apoiam o presidente Lula passaram a convocar atos de rua por todo o País, na expectativa de mobilizar eleitores faltosos do primeiro turno a votar neste domingo. Mayra Goulart diz que manifestações não levam necessariamente ao aumento da participação eleitoral, mas pode afetar nichos específicos do eleitorado. “É representativo no caso da juventude, que está começando a se politizar e a se conectar com a dinâmica de mobilização coletiva.”
Ela descarta que um dos lados do espectro político seja, por natureza, mais mobilizador do que o outro. Para ela, atores políticos e influenciadores digitais são os responsáveis por tirar os eleitores do sofá de casa.
A cientista política ainda afirma que, neste ano, diminuir a abstenção entre os jovens, idosos e cidadãos de baixa renda tende a favorecer o presidente Lula, ao passo que o senador do PL deve se beneficiar com a presença maior de homens, evangélicos e eleitores de renda alta indo votar.
A Avenida Paulista, em São Paulo (SP), por exemplo, reuniu apoiadores dos dois candidatos nos últimos dois finais de semana. O atual mandatário esteve na capital paulista para um ato ao lado do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), o ex-ministro Fernando Haddad (PT), entre demais aliados.
A campanha de Flávio Bolsonaro respondeu, convocando uma manifestação para o mesmo local no domingo seguinte, com a presença do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e outros correligionários.
